Big Eyes (2014)

Big Eyes (2014)

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big eyes

  • Realizado por: Tim Burton
  • Com: Amy Adams, Christoph Waltz, Krysten Ritter
  • 106 Minutos
  • English: british-flag

Todos podemos concordar que Tim Burton é um realizador visionário e talentoso que vê grande parte do seu mérito na criação de mundos diferentes e realidades baseadas em ideias únicas. Com diversos momentos baixos na sua carreira é impossível ficar indiferente a filmes como Frankenwinnie ou mesmo O Grande Peixe. Para um realizador, cuja carreira se concentra sobretudo no desenvolvimento de histórias negras com personagens pouco usuais que se comportam e agem de formas peculiares, Olhos Grandes pode ser surpreendente na medida em que se afasta da filmografia usual de Burton. Com Amy Adams e Chirstoph Waltz no elenco, Olhos Grandes consegue entreter a audiência, levantando algumas questões quanto ao papel da mulher na sociedade nos anos 50.

Margaret é uma mulher talentosa que procura recomeçar do zero com a sua filha e os seus quadros após abandonar o seu marido, uma coisa nada usual naquela época. Com um trabalho e uma grande determinação para mostrar os seus quadros àqueles que os apreciavam, Margaret decide mostrar o seu portfólio numa feira da cidade, onde acaba por conhecer Walter Keane, um pintor que tenta seduzi-la rapidamente com inúmeros elogios aos seus quadros. Com uma capacidade fantástica de auto-promoção, Keane demonstra o seu talento ao público feminino atraído pelas suas pinturas de ruas. Incapaz de causar impacto com os seus desenhos de crianças com olhos grandes, Margaret vê algo em Walter que a atrai e que a conduz a um casamento apressado e apaixonado. Mas quando os dois começam a vender quadros num bar e quando Walter vê os quadros da sua mulher a provocar um maior impacto, ele toma partido disso ao apresentar-se como o autor dos “Olhos Grandes”. Após vender diversos quadros numa noite bem sucedida, os dois concordam em participar numa vida de mentiras por um negócio bem sucedido. Contudo, ao ver-se presa sem reconhecimento pelo trabalho, Margaret tenta dar o seu melhor para superar as dificuldades e para reclamar o nome e os quadros que perdeu para um homem fora de controlo.

Com Olhos Grandes,  Tim Burton prova ser capaz de abandoner o seu reportório com um olhar cativante na vida de uma mulher que via a descriminação na sociedade como o seu maior obstáculo que a impedia de ser respeitada pela sua arte. Como uma mulher talentosa que cai nas mãos de um homem perigoso e encantador, Amy Adams vê neste filme uma das suas interpretações mais emocionais graças a uma grande demonstração de força e coragem. A ingenuidade de Margaret leva-a a cair numa armadilha e durante o filme somos convidados a ver a sua evolução quando começa a reparar no erro que cometeu ao concordar com uma vida de mentiras. Quando se vê perdida e cansada de esconder tudo o que faz, é fantástico ver a sua determinação e a forma como começa a planear uma vingança para reclamar os seus quadros. Nesta luta por mérito e reconhecimento, Amy Adams é capaz de representar as emoções certas na altura certa, como uma mulher enganada e manipulada que se vê completamente perdida no meio de todas as mentiras. No outro lado da luta, temos o engatatão charmoso, seguro de si próprio, Walter Keane, interpretado por Christoph Waltz, que demonstra uma personalidade manipulativa e traiçoeira. É uma fantástico homem para vender e para promover todo o tipo de coisas, mostrando-se romântico e capaz de seduzir mulheres para que lhe concedam todos os desejos. A relação dinâmica entre estas duas mentalidades diferentes destaca ainda mais as suas personalidades, beneficiando assim duas interpretações seguras que fazem com que tudo funcione de forma agradável.

Uma das coisas que mais me agradou em Olhos Grandes foi a forma como toda a história foi contada, num ritmo lento que procura dar espaço para descrever todos os detalhes interessantes que importam para que o espetador compreenda aquilo que se passa. A forma como Margaret lida com as mentiras torna-se um pouco perturbante e devo admitir que isto faz todo o sentido, tendo em conta que as emoções que ela procurava exprimir nos quadros representavam uma parte muito íntima da sua personalidade. Amy Adams é a escolha perfeita para o papel e ao mesmo tempo devo dizer que não existe ninguém melhor para interpretar um engatatão como Christoph Waltz que demonstra sempre uma postura descontraída e que faz parte de um dos momentos mais engraçados que vi no cinema recentemente. Mesmo quando sabemos como tudo acaba, é impossível não nos sentirmos comovidos ou ligados a uma trama repleta de emoção e energia em todas as cenas. Contudo, quando se aproxima do fim, o ritmo torna-se um pouco mais apressado e não existe tempo para reflectir sobre as coisas que acabaram de acontecer. Com um fã de alguns dos trabalhos de Burton, surpreendeu-me ver este trabalho que revela um tom muito diferente de grande parte da sua filmografia. Olhos Grandes tem a energia de um filme feel-good, o estido de Tim Burton e a emoção transmitida por boas interpretações de Amy Adams e Christoph Waltz, combinados numa experiência divertida, dramática e comovente.

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