Crítica / MOTELX | The Golden Glove (2019)

Crítica / MOTELX | The Golden Glove (2019)

No final “The Golden Glove” é um filme peculiar, demasiado vil e doentio mas ao mesmo tempo com um sentido de humor muito próprio…

★★★

“The Golden Glove” é, por uma série de motivos que facilmente se encontram espalhados pela internet, o filme choque desta edição do MOTELX. Num momento em que os serial killers são representados na televisão e no cinema com alguma dedicação e alarido, onde se procura destacar a minuciosidade e a personalidade perturbadora, o realizador alemão Faith Akin transforma o jovem actor Jonas Dassler num assassino medonho e com uma aparência só de si perturbadora para retratar a história de Fritz Honka, o homem que assombrou as ruas de Hamburgo durante os anos 70 com uma série de homicídios macabros de prostitutas.

É um trabalho difícil de ver e compreender sobretudo por dois aspectos, o protagonista doentio e medonho que, com aparentes distúrbios, causa um desconforto permanente, e o cenário surreal para onde o realizador Faith Akin nos transporta, onde é impossível sentir empatia por personagens estranhas e que causam alguma repulsa. O carácter perturbador da história está assente em momentos que roçam o nojento e o repulsivo (uma casa de banho deplorável e uma arrecadação cheia de corpos em decomposição são os dois exemplos mais notórios), mas estes servem de suporte à personagem problemática e incompreensível que é Fritz Honka. A atenção aos detalhes e os distúrbios típicos dos serial killers são trocados por uma personalidade desajeitada e doentia, o que acaba por dar algum sentido de humor negro ao enredo. E é este mesmo sentido de humor negro que alivia um pouco a tensão e o tom mais asqueroso e perturbador do filme, um pouco aliado ao facto de que é impossível compreender as motivações do estranho assassino.

A história divide-se em dois locais, o apartamento de Fritz, onde os crimes foram cometidos e onde são exploradas as características mais bizarras da personagem, e o mítico bar Luva Dourada, onde as vítimas eram escolhidas quase que como consequência de estranhos engates e onde nenhum cliente parece assentar numa personalidade vulgar. Tudo isto apresentado em paralelo com uma obsessão por uma jovem rapariga que Fritz encontra na rua um dia e que protagoniza as suas estranhas fantasias. É sobretudo pelo seu carácter estranho e bizarro que “The Golden Glove” consegue algum apreço, mesmo com todos os detalhes mórbidos e perturbadores que dificultam a sua visualização. Quando o filme acabou, apercebi-me que tenho um sentido de humor demasiado estranho, sobretudo com os olhares que recebia por me rir de situações menos apropriadas… Mas a verdade é que com um público diferente, a minha receptividade ao estranho mundo que Faith Akin nos apresenta, ia ser provavelmente afectada. No final “The Golden Glove” é um filme peculiar, demasiado vil e doentio mas ao mesmo tempo com um sentido de humor muito próprio… É um filme que não tenciono rever mas que explora de forma bastante convincente o retrato de um homem incompreensível e merece a minha admiração pelo melhor uso, até à data, de Pinheirinhos para dar cheiro ao carro.



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