Crítica | Mutant Blast (2018)

Crítica | Mutant Blast (2018)
MUTANT-BLAST-POSTER

Um estranho caso do cinema nacional que representa um passo muito interessante no género de Terror com uma mistura explosiva de efeitos práticos, acção e humor constante numa produção Troma carregada de litros de sangue, zombies e estranhas mutações.

  • De: Fernando Alle
  • Com: Pedro Barão Dias, Maria Leite, Joaquim Guerreiro
  • 1h23min

Ainda não se passou uma hora desde que saí do cinema, ainda a recuperar da experiência genial, delirante e hilariante que foi o Mutant Blast. Um estranho caso do cinema nacional que representa um passo muito interessante no género de Terror com uma mistura explosiva de efeitos práticos, acção e humor constante numa produção Troma carregada de litros de sangue, zombies e estranhas mutações. Aqui o estilo Trashy e série B característico de tantas produções da Troma, aliados a uma ambição e dedicação notáveis por parte da equipa técnica, e a um sentido de humor orignal, tornam o filme numa experiência única, explosiva e imperdível, sem medo de correr riscos. Fernando Alle é o responsável por este festival de gore alucinante e hilariante que nos leva a um futuro pós-apocalíptico onde a civilização foi confrontada com a ameaça de zombies que resultaram de experiências científicas para criar super soldados. Neste cenário devastador, uma dupla invulgar, Maria, uma mulher soldado com uma ambição determinada contra a célula militar na origem do apocalipse, e Pedro, um civil em ressaca depois de uma noite de festa, procura escapar de mutantes moribundos, estranhos sujeitos e de uma retaliação militar que pelo meio resulta numa série de bombas nucleares.

Mutant Blast - Maria

Por tudo isto, Mutant Blast deixa a sua marca no cinema nacional, como uma produção independente com um baixo orçamento, com uma história original e divertida que sabe tirar partido dos elementos do horror mais trashy com quantidades abusivas de sangue e de efeitos práticos que conseguem cativar a audiência e ao mesmo tempo servir como auxiliar à paródia e ao tom mais animado do filme. Podemos dizer que é uma homenagem aos filmes dos anos de ouro da produtora Troma e ao terror série B, mas Mutant Blast é muito mais do que isso, pela forma como brinca com as suas personagens e como constrói um universo devastador com um humor muito próprio, em que a harmonia entre o tom apocalíptico, o gore e o humor quase paródico, parece natural. Também as interpretações tanto de Maria Leite como de Pedro Barão Dias, os protagonistas da trama, refletem a dedicação de toda a equipa.

Mutant Blast - Lagosta Jean Pierre

Este é portanto um caso muito feliz do cinema nacional, que tem todo o potencial para se tornar num filme de culto. Mas deixando agora as palavras bonitas um pouco de lado, já há algum tempo que não me divertia tanto com um filme. É genial a forma bizarra e brutal como esta história de zombies se desenrola, saltando à vista as piadas e as personagens invulgares que são o espelho da criatividade e originalidade do filme. Dificilmente verão animais representados com tanta definição e realismo, nem mesmo no seu habitat natural, e garanto que nunca mais irão comer lagosta na marisqueira sem vos aparecer a imagem de Jean Pierre na cabeça. Para além de que à custa da lagosta Jean Pierre, desde a final do Euro 2016 que não se via uma relação tão simpática entre Portugueses e Franceses. 

Mutant Blast é um daqueles filmes que guardo com grande estima, sobretudo ao ver nomes de pessoas de Dentes e Garras na equipa, o que reflecte a vontade de continuar a explorar o terror na cultura portuguesa, algo que se tem visto ano após ano nas edições do MOTELX. O filme de Alle é assim uma autêntica celebração explosiva, com uma identidade muito própria, que desafia as normas do cinema nacional, oferecendo uma experiência cativante e divertida que o torna num dos melhores filmes do ano e num exemplo moderno de um filme de culto.



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