Crítica | Vice (2018)

Crítica | Vice (2018)
VICE-2018-Poster
  • De: Adam McKay
  • Com: Christian Bale, Amy Adams, Sam Rockwell
  • 2h12min

Em A Queda de Wall Street (crítica), Adam McKay deu-nos uma visão trágica de um crash do sistema financeiro… Um autêntico murro no estômago que mereceu a atenção de tudo e todos não só pela história mas pela forma como tudo se desenrola e por grandes interpretações de um elenco de peso. Ora quase no mesmo formato de falso documentário, e repetindo algumas das estrelas do êxito anterior, Adam McKay apresenta-nos agora a história da ascenção e queda do histórico vice-presidente Dick Cheney. Um governador que passou despercebido nos primeiros anos de carreira mas que acabou com um poder incalculável como vice-presidente de George W. Bush, desafiando a política do próprio país e definindo o mundo como o conhecemos nos dias de hoje, após os trágicos eventos do dia 11 de Setembro de 2011.

A dar vida ao governador, temos Christian Bale, que mais uma vez surge em grande num filme de McKay, quase irreconhecível devo admitir. É verdade que sendo este um título mais biográfico, a interpretação de Bale está desde já sustentada numa personalidade forte e bem constuída, mas não deixa de ser fantástico ver a forma como veste a pele de Cheney, sobretudo nos momentos mais cruciais da história. De facto, pegando no irreconhecível Bale, há que reconhecer todo o trabalho de caracterização, sobretudo pela forma como Christian Bale e Amy Adams vestem a pele do casal Cheney. Amy Adams, como Lynne Cheney, é um complemento à personalidade do marido, servindo de apoio em todos os momentos e contribuindo para a química familiar e mais afectiva que é evidente em grande parte do filme.

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De facto, é esta química entre Lynne e Dick que acaba por servir como o outro lado da moeda, aquele que passa mais despercebido ao julgar as acções do vice-presidente nos momentos que viriam a definir a sua carreira. Há alguma ironia na forma como tudo é relatado, mas é clara a intenção de Adam McKay de oferecer uma visão o mais justa possível dos eventos. E é aqui que salta a vista o estilo de McKay que vimos n’A Queda de Wall Street, oferecendo momentos mais descontraídos à audiência, para atenuar choque e o dramatismo do desfecho em vista.

Há aqui quase que dois filmes em paralelo, um mais animado e satírico e outro mais biográfico e dramático, e uma espécie de divisão em dois actos que por acaso faz justiça a carreira atribulada de Dick Cheney e serve de momento para reflectir. O tom cómico é inteligente, integra-se nos momentos mais pesados e no estilo pouco convencional de Adam McKay de contar histórias. E a juntar a tudo isto, há ainda Sam Rockwell que dá vida a um dos presidentes mais mediáticos da política norte-americana, George W. Bush, numa intepretação que se foca na inocência e fragilidade do presidente, em contraste com a ambição desmedida de Cheney.

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Portanto no meio de tantos elogios, penso que as fragilidades de Vice se acabam por resumir ironicamente à edição do filme, um dos pontos mais audazes da produção, que pode provocar alguma estranheza por momentos, e justificar as dificuldades do filme no que diz respeito a provocar a audiência. Não que a história não seja apelativa per si, mas é talvez este aspecto que impede o filme de tirar todo o partido do potencial. É um título político e controverso que abre o debate para alguns aspectos da política norte-americana e oferece uma visão curiosa e atenta da vida de Dick Cheney. Vice acaba assim por ser um grande filme, com uma história real e importante para o mundo actual, com interpretações como a de Christian Bale que nos conquistam de imediato, e um trabalho técnico muito interessante e algo inovador que torna este filme de Adam McKay num dos títulos mais peculiares do ano.



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