Crítica | Roma (2018)

Crítica | Roma (2018)
Roma 2018 - Poster
  • De: Alfonso Cuarón
  • Com: Yalitza Aparicio, Marina de Tavira, Diego Cortina Autrey
  • 2h15min

Já muito se escreveu sobre Roma, de tal modo que nesta noite de Óscares, crio não haver muito mais a acrescentar sobre o filme. Este é o filme mais pessoal do notável realizador mexicano Alfonso Cuarón, uma história simples e emotiva sobre um ano na vida de uma empregada de uma família de classe média na cidade do México, durante os anos 70. É um filme pessoal e emotivo, que conquistou público e audiência talvez pela forma honesta e simples como explora o dia-a-dia de Cleo, a empregada interpretada por Yalitza Aparicio, numa interpretação que merece a devida distinção pelos desafios que enfrenta e pelo carinho que transparece na forma como esta interage com a família e com os que lhe são próximos.

Roma (2018)

Este é um filme que não é de fácil visualização, quer pelo ritmo mais lento e pacífico, quer pelo próprio estilo a preto e branco, com planos cheios de vida e detalhe, quer pelo facto de que não há de facto uma narrativa com muito a acontecer. Cuarón foca-se em explorar a vida diária de Cleo, quer nos bons como nos maus momentos, a sua ligação com os mais pequenos da família, as diferenças no dia-a-dia fruto do estrato social mais pobre e a forma como esta encara os desafios que vão surgindo. Não é uma personagem complexa nem imponente. Cleo é o espelho da simplicidade e sinceridade de todo o filme, e é o foco de Cuarón neste retrato emotivo do dia-a-dia na cidade do México. Há neste relato da vida diária de Cleo, espaço para reflexão sobre os estratos sociais e sobre os costumes, mas há sobretudo um carinho que surge entre o espetador e a personagem quando os momentos mais difíceis e marcantes do filme surgem.

Roma (2018)

Este projecto íntimo e pessoal desafia o tom mais acelerado e imponente dos filmes de hoje, desafia as narrativas mais complexas e trabalhadas e oferece um retrato simbólico, honesto e realista de toda uma geração, por intermédio de memórias do realizador. A história de Cuarón é contada com uma fotografia ímpar que se demonstra em sequências e imagens marcantes, com um simbolismo notável. E a interpretação de Yalitza Aparicio é fulcral para estabelecer a ligação com o espetador, contribuido com o carácter mais humano e simples com que a personagem vai sendo construída o longo do filme.

Roma acaba assim por ser um trabalho importante, talvez o mais especial na filmografia do realizador, quer pelo carácter mais pessoal como pela importância que o filme tem nos dias de hoje. Não sendo de todo para um público muito abrangente, é notável e surpreendente a forma como Cuarón conseguiu cativar o público, que resulta da honestidade e simplicidade que o seu trabalho oferece, o que espelha a sua importância para a sétima arte.



Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.