Crítica | Green Book – Um Guia Para a Vida (2018)

Crítica | Green Book – Um Guia Para a Vida (2018)
Green-Book-Poster
  • De: Peter Farrelly
  • Com: Viggo Mortensen, Mahershala Ali, Linda Cardellini
  • 2h10min

“Green Book – Um Guia para a Vida” é um filme simples que dá a volta às suas temáticas mais perigosas e desprezíveis de forma animadora e leve…

No mesmo ano em que Spike Lee nos oferece uma visão mais cómica e satírica da discriminação racial nos EUA, eis que nos chega um título mais leviano e simpático, de Peter Farrelly, ‘Green Book – Um Guia para a Vida’. É o clássico filme bonito, com uma história bem trabalhada que sabe comover o público, sem correr riscos desnecessários, desde que a mensagem seja clara. O tom leviano e o factor “feel good” são complementados pela amizade que se gera entre os protagonistas, Viggo Mortensen e Mahershala Ali.

Mahershala Ali, que chegou aos olhos do público à custa do drama “Moonlight”, interpreta aqui um pianista de renome mundial, que decide organizar uma tournée pelo sul dos EUA, contra todos os riscos motivados pelo elevador preconceito que caracterizava a região na década de 60. O pianista negro, Don Shirley, enfrenta ao longo da viagem uma série de situações caricatas que procuram dar a conhecer os problemas raciais da região, mas apenas de forma leve e um pouco superficial. Aqui o objectivo não é de todo levar o público a uma reflexão ou simplesmente contar uma história sobre o racismo nos anos 60, mas sim explorar a amizade que vai sendo construída entre o pianista, e o seu motorista, Tony Vallelonga, interpretado por Viggo Mortensen, a quem a postura e pronúncia italo-americana assentam que nem uma luva. Mortensen dá vida a um homem de família humilde, que aceita este trabalho com uma perspectiva algo relutante, mesmo com um guia de orientação, o “Green Book” que dá o nome ao filme”, para o indicar os lugares em que o pianista seria bem vindo.

GreenBook-Still

Há um certo desconforto promovido por alguns momentos mais intensos e caricatos do filme e um sentimento de revolta ao ver a forma desprezível como o pianista é recebido em algumas zonas. E estes aspectos mais fortes representam de igual forma momentos marcantes quer para Tony e Don, que mesmo de lados opostos do conflito partilham uma ideais em comum que proporcionam a criação de uma amizade peculiar. Ambas as personagens crescem emocionalmente com a descriminação do Sul e acabam por partilhar uma experiência especial e duradoura para ambos, contribuindo para uma mensagem de esperança e para um bem estar contagiante.

As interpretações de Mortensen e Ali constituem o prato principal desta relação muito especial entre dois homens de mundos diferentes, uma amizade que vemos crescer ao longo do filme e que apesar de todas as adversidades e obstáculos, acaba por oferecer algum conforto e esperança perante a imagem desprezível da descriminação na zona Sul dos EUA. ‘’Green Book – Um Guia para a Vida‘’ é um filme simples que dá a volta às suas temáticas mais perigosas e desprezíveis de forma animadora e leve, um filme para todos, sem grandes devaneios ou momentos marcantes, o que por um lado representa a sua maior fragilidade mas ao mesmo tempo acaba por trazer ao de cima a velha máxima de ir ao cinema para nos sentirmos bem, e no final um sorriso na cara é garantido.



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