Crítica | Glass (2019)

Crítica | Glass (2019)
  • De: M. Night Shyamalan
  • Com: James McAvoy, Bruce Willis, Samuel L. Jackson
  • 2h9min

Glass é assim um filme com um ritmo explosivo e inquietante, uma experiência que beneficia de personagens bem construídas e trabalhadas e que, mesmo sem um enredo complexo ou típico, consegue criar a tensão necessária para cativar o público.

3.5/5

Estive ausente do blog durante 3 meses, com o trabalho a apertar mais um bocado e perguiça do outro lado. Admito que desta vez não foi fácil encontrar a vontade de escrever, mas depois de reflectir um pouco decidi aproveitar o regresso de M. Night Shyamalan para voltar ao activo. Contrariamente à grandiosidade visual e dos efeitos especiais dos filmes de super-heróis actuais, a abordagem de Shyamalan salta logo à vista. Depois do sucesso que foi Fragmentado e da ligação com o êxito de 2000, O Protegido, um thriller de super-heróis que juntou Bruce Willis e Samuel L. Jackson, é escusado dizer que Glass era um dos títulos mais aguardados para 2019, num período particularmente eufórico para os super-heróis e para a banda desenhada em geral.

A história deste desfecho, tal como nos restantes filmes, fluí nas suas personagens invulgares, desta vez juntando as peculiariedades das múltiplas personalidades Kevin Wendell Crumb (James McAvoy) com a força sobre-humana de David Dunn (Bruce Willis) e a fragilidade, euforia e delírio de Elijah Price (Samuel L. Jackson). Confinado à sua visão de um mundo de super-heróis próximo aos livros de banda desenhada, Elijah Price vê a sua esperança alimentada pelo mito da Besta, a personalidade mais perigosa de Kevin que ameaça a segurança de raparigas jovens na cidade. A ameaça que pessoas com supostos super poderes representam para a sociedade leva-os para o mesmo local, para serem analisados e estudados, mas sobretudo para deixarem de acreditar e de viver como super-heróis.

É aqui que se centra Glass, num duelo de personalidades cativantes, prestes a explodir e no impacto que estas representam para o mundo, quer sejam heróis ou vilões. E sem grandes efeitos e explosões, mas com os delírios e os ideais de Elijah Price, Shyamalan constrói um vilão poderoso e uma ideia de perigo, que enaltece a relação explosiva de David Dunn e Kevin Crumb. Aqui vemos Bruce Willis a assumir-se como o herói da trama, logo ao início, mas é a tirania de Elijah e a peculiaridade de Kevin que merecem todas as atenções, fruto talvez das interpretações icónicas de Samuel L. Jackson e de James McAvoy, que são o ponto mais forte do filme.

Um pouco mais próximo do estilo dramático d’O Protegido do que do suspense de Fragmentado, este desfecho é uma espécie de viagem de auto-descoberta destas personagens, centrada no caso peculiar de Kevin Wendell Crumb, pelo perigo que representa com a possibilidade de trazer A Besta ao de cima. Cria-se assim uma tensão que se acentua quando os três se encontram no mesmo lugar mas fica sempre a sensação de que falta ali algo, mesmo com um final cativante e que soube tirar partido do potencial das personagens e das relações com as pessoas que lhes são mais próximas, sobretudo a mãe de Elijah (Charlayne Woodard) que permanece ao lado do filho, mesmo após todos os infortunios e Casey (Anya Taylor-Joy), a rapariga que sobreviveu à crueldade da Besta no filme anterior.

Não é o clássico filme de super-heróis com uma intensidade crescente, nem tem as lutas épicas a que estamos habituados nos dias de hoje. Tem os seus momentos bons e menos bons, mas não nos dá algo memorável (talvez aqui as expectaivas em demasia tenham contribuído um pouco). Glass é assim um filme com um ritmo explosivo e inquietante, uma experiência que beneficia de personagens bem construídas e trabalhadas e que, mesmo sem um enredo complexo ou típico, consegue criar a tensão necessária para cativar o público.



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