Crítica | A Favorita (2018)

Crítica | A Favorita (2018)
  • De: Yorgos Lanthimos
  • Com: Olivia Colman, Emma Stone, Rachel Weisz
  • 1h59min

O novo filme de Yorgos Lanthimos é uma história refrescante e comovente que surge como um drama histórico cheio de humor negro e intrigas, que sobressai pelas interpretações de Olivia Colman, Rachel Weisz e Emma Stone. Uma lufada de ar fresco, supreendente e irreverente, que se assenta nos detalhes deste triângulo feminino. O poder e a ambição servem aqui de motivação para uma autêntica tragédia com um humor e um estilo muito próprio. Lanthimos apresenta n’ A Favorita, a história de uma raínha Inglesa, a Raínha Anne, interpretada por Olivia Colman, e da sua grande amiga Lady Sarah (Rachel Wesiz), que acaba por governar o país e trazer alguma estabilidade à mente mais instável e temperamental da raínha. É por intermédio desta relação de amizade forte entre as duas, aliada a uma atração que salta logo à vista, que todo um país é governado em plena guerra com os Franceses.

A Favorita - Abigail (Emma Stone)

Ora com a raínha sob o seu controlo, Lady Sarah seria a mulher mais poderosa do país, até que uma jovem criada chega ao palácio para causar disturbios e abalar esta relação, com uma ambição enorme por poder e pelo regresso a um estrato social mais elevado. Abigail (Emma Stone) entra como uma simples criada e é acolhida por Lady Sarah para a auxiliar nas suas tarefas diárias que incluem governar um país e trazer alguma estabilidade e conforto à rainha. Começa a gerar-se aqui um triângulo entre as três personagens que é absolutamente delicioso, sobretudo à custa de uma rainha invulgar, que se vê inocente nesta teia de artimanhas enquanto apenas procura carinho e compreensão. A interpretação de Colman sustém a personalidade difícil da rainha, com momentos mais imponentes e outros mais frágeis e inocentes que procuram construir aos olhos do espetador uma personagem instável, emotiva e imponente ao mesmo tempo que se apresenta com uma graciosidade. Esta interpretação aliada ao confronto entre Rachel Wesiz e Emma Stone transformam a história de Lanthimos numa experiência memorável.

A Favorita - Rainha Anne e Lady Sarah

É absolutamente fantástico ver como as três personagens desfilam e se confrontam nos planos do realizador, que procura dar o máximo detalhe quanto possível a todas as variáveis externas tais como a guerra e os ocasionais adversários do governo. Muitas das personagens são memoráveis mas é o trio feminino que conquista de imediato a nossa atenção. A rainha Anne, Lady Sarah e Abigail são personagens trabalhadas ao detalhe e exploradas com a merecida atenção, pelo que é impossível ficarmos indiferentes ao assistir a todas as peripécias que daqui surgem. E por mais valiosas que estas interpretações tenham sido, oferecendo um pontencial enorme a um enredo muito curioso, a edição com os planos em olho de peixe, e os arranjos musicais que vão surgindo quase que para dar um ar de graça e satírico à trama quando esta se intensifica, são detalhes igualmente importantes.

No seu todo, A Favorita é um filme memorável, um drama histórico sobre uma rainha invulgar e um triângulo amoroso em seu redor, com interpretações de um elenco principal de luxo que fazem sobressair as características de personagens cativantes, e com um estilo muito próprio e apelativo que nos faz torcer ora pelas vitórias de Abigail, ora pelas vitórias de Lady Sarah. Isto tudo, acompanhado por um frenesim de momentos icónicos e por uma autêntica montanha russa de emoções, faz de A Favorita num dos filmes mais memoráveis de 2018.



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