Crítica | Sete Estranhos no El Royale (2018)

Crítica | Sete Estranhos no El Royale (2018)
  • De: Drew Goddard
  • Com: Jeff Bridges, John Hamm, Dakota Johnson
  • 2h22min

Sete Estranhos no El Royale é uma história original e cativante, que tira partido da conjugação estilo-enredo-personagens, traduzindo-se num resultado final misterioso, vibrante e apelativo.

Sete Estranhos no El Royale apontava para ser uma enorme confusão com um estilo muito próprio, cheio de jogos vibrantes de cor e luz, e um tom misterioso a pairar em torno da premissa. Afinal, a confusão geral não se concretizou da forma que eu esperava e a premissa simples cheia de reviravoltas e entrelinhas depressa demonstra o seu verdadeiro potencial. De facto, não há muito mais a dizer do que sete estranhos num hotel peculiar para descrever o enredo do filme, até porque são as histórias das personagens e as suas personalidades que atribuem ao filme o carácter mais surpreendente e marcante.

O elenco repleto de grandes nomes sobressai logo à primeira vista… Jeff Bridges e John Hamm são neste aspecto os pontos altos do enredo, talvez fruto da sua maturidade e imponência mas também do tom mais misterioso que é carregado pelas suas personagens, que são o ponto alto de todo o filme. Dito isto, a nível de interpretações nada a dizer, estas sobressaem à custa de um desenvolvimento cuidado e cativante das personagens, havendo no entanto algumas que deixam um pouco a desejar ou que causam alguma estranheza (estou a tender para a personagem de Chris Hemsworth, uma espécie de profeta radical meio tresloucado com uma apresentação algo western-ish).

Perante este desfile de grandes nomes, está um hotel peculiar, um motel à beira da estrada em declínio depois um passado grandioso, que se destaca pela linha que separa os estados da Califórnia e do Nevada. O El Royale, outrora um símbolo daquela zona é agora frequentado por curiosos e moribundos apenas e, é neste filme o palco de uma série de eventos atabalhoados e violentos que se centram nos passados obscuros das personagens. Nada ali é certo e é esta sensação de incerteza e inquietação que promove uma ligação quase imediata com o espetador. Há todo um fascínio pelo tom misterioso e pelas personagens que se confrontam momento após momento deixando pequenas migalhas que nos aproximam do desfecho. A história é então uma coletânea de capítulos insólitos que se combinam pela simples reunião destas personagens no mesmo lugar ao mesmo tempo, e funciona pela forma eficaz e inesperada como é desenvolvida, mesmo que o desfecho não seja o mais apropriado na minha opinião, um pouco sem sentido e apressado, talvez à custa dos problemas da personagem de Chris Hemsworth.

O filme de Drew Goddard apresenta-se ao público com um estilo neo-noir que sabe cativar o espectador, com uma conjugação de cor e luz harmoniosa que funciona na atmosfera mais obscura e misteriosa da história. O desenrolar de Sete Estranhos no El Royale é um trabalho peculiar pela forma como cria empatia e curiosidade para com as suas personagens. As peripécias são por vezes caricatas e é muito curiosa a forma como o mistério se adensa nos capítulos mais próximos do desfecho. É clara a dedicação ao projecto e é de notar o tom leve com que momentos mais violentos e bizarros acabam por provocar o seu impacto, mesmo que no final fique alguma dúvida à volta de Billy Lee, a personagem de Chris Hemsworth. Mesmo que não seja uma experiência memorável, há algo de fascinante nesta história misteriosa que nos atrai de imediato, sobressaindo aos aspectos mais negativos. Drew Goddard apresenta assim uma história original e cativante numa realização bem conseguida que sabe tirar partido da conjugação estilo-enredo-personagens, traduzindo-se num resultado final misterioso, vibrante e apelativo.



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