Crítica | Bohemian Rhapsody (2018)

Crítica | Bohemian Rhapsody (2018)
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“Bohemian Rhapsody”, do realizador Bryan Singer, apresenta-se como um autêntico festival de homenagem aos míticos Queen e ao lendário Freddie Mercury, que abalaram para sempre o mundo da música, com a sua versatilidade e estilo irreverentes.

3.5/5
  • De: Bryan Singer
  • Com: Rami Malek, Lucy Boynton, Ben Hardy
  • 2h14min

Bohemian Rhapsody, do realizador Bryan Singer, apresenta-se como um autêntico festival de homenagem aos míticos Queen e ao lendário Freddie Mercury, que abalaram para sempre o mundo da música, com a sua versatilidade e estilo irreverentes. Uma espécie de relato com dois lados, que segue as peripécias e os momentos mais memoráveis da história da banda, ao mesmo tempo que acompanha a história de vida do mítico cantor. Percebe-se com isto que a intenção de Singer é a de criar uma autêntica celebração do espírito e das músicas dos Queen, assente numa espécie de drama biográfico de Mercury, o que funciona por momentos mas não é de todo harmonioso no resultado final. 

Há aqui claramente dois filmes, o filme-concerto que acompanha a banda, a história dos grandes êxitos e os míticos concertos com milhares de pessoas na plateia, em que é impossível não sentir a explosão de energia no público (neste aspecto, uma experiência verdadeiramente imersiva), e o filme mais dramático e biográfico que segue a difícil jornada de Freddie Mercury, a história das múltiplas relações, da relação complicada com a família e dos desafios que surgiram na sua carreira. Neste aspecto, a entrega e a interpretação de Rami Malek é um dos grandes pontos positivos do filme. O actor principal da série Mr. Robot consegue cativar o público e trazer um pouco ao grande ecrã a força, a irreverência e a versatilidade de Mercury. 

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Mas o problema aqui é a falta de foco nas duas narrativas que Singer procura dar atenção no mesmo filme, o que acaba por reduzir o impacto de muitos dos momentos mais pesados e dramáticos. Percebe-se a intenção e o objectivo de contar ambas as narrativas em paralelo, face ao papel do cantor na banda de rock, mas a celebração e a euforia da história dos Queen acaba por levar a melhor neste parlelismo. 

Não deixa no entanto de ser curiosa a transição entre a ascenção grandiosa dos Queen, rumo aos primeiros números dos Top’s de músicas por todo o mundo e a fragilidade e o espírito libertino de um homem que se escondeu durante tantos anos por trás do trono que criou com o seu talento. Singer procura retratar assim de forma mais leviana, o que surgiu depois dos primeiros anos de Queen, a vida de Rock’n’Roll e de exageros de Freddie Mercury, até ao trágico diagnóstico de SIDA, com um olhar mais reflectivo e pesado sobre os receios e os amores do cantor que procurou desafiar convenções e que contra a vontade da família lutou para se tornar naquilo que acreditava ser o seu destino.

E num ritmo quase frenético, para dar atenção a todos estes detalhes e ainda mostrar um pouco da musicalidade irreverente e memorável dos Queen, Bohemian Rhapsody procura ser a grande celebração de uma das bandas de Rock mais grandiosas da história. E por mais que seja um relato apressado e com alguns defeitos que se manifestam sobretudo na falta de harmonia no parelelismo de histórias, Singer conquista o público com um olhar cativante e imersivo sobre a história da banda. Tudo isto para trazer ao grande ecrã um desfecho épico, energético e festivo que nos transporta para o Live Aid, em 1985, considerado por muitos como um dos espetáculos mais memoráveis da história do Rock. 

E assim, apesar das adversidades e dos aspectos menos positvos, Bohemian Rhapsody procura cativar o público e celebrar a irreverência, a energia e a inspiração que os Queen e o mítico Freddie Mercury trouxeram ao mundo da música.



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