MOTELX 2018 | Entrevista “O Quadro” com Paulo Araújo

MOTELX 2018 | Entrevista “O Quadro” com Paulo Araújo

Prémio MOTELX Melhor Curta Portuguesa 2018

O Quadro

Paulo Araújo, 2018

Numa Lisboa dos anos 40 do século passado, um contabilista trabalha no seu escritório. Por detrás da secretária, um grande quadro com o retrato antigo de uma mulher parece perturbar o homem.

Paulo Araújo já não é uma cara nova nestas andanças do MOTELX, já com duas outras curtas selecionadas para o prémio. Nesta edição do Prémio MOTELX Melhor Curta Portuguesa traz-nos “O Quadro”, uma história misteriosa em torno de um quadro que parece esconder algo tenebroso.

O que nos podes dizer sobre ti?

Profissionalmente, sou designer gráfico, ilustrador e caricaturista.
Sempre gostei muito de banda desenhada e de cinema. Não me considero propriamente um nerd, mês passo boa parte do meu tempo a ver filmes e making ofs. E foi esta paixão que me levou há cerca de dez anos a experimentar fazer uma curta-metragem que, curiosamente só a terminei em 2017, tendo estreado este ano no Festival de Cinema de Avanca. Pelo meio fiz mais duas curtas de ficção (‘Nico – A Revolta’, em 2013, e ‘O Tesouro’, em 2015), ambas seleccionadas para o MOTELX), pelo que, agora com ‘O Quadro’, posso dizer que já sou um veterano do festival.

Como foi esta jornada até ao MOTELX? Algum momento marcante que queiras destacar?

No ano passado começámos a rodar um filme já com o propósito de concorrer para o MOTELX, mas por força de algumas circunstâncias tivemos que suspender o projecto por tempo indeterminado. Era mais do que garantido que este ano também não iríamos conseguir avançar.
Um dia qualquer, acordei com a ideia de uma história sobre um quadro e escrevi meia dúzia de linhas para não me esquecer. E, enquanto escrevia, ocorreu-me que poderia filmá-la com alguma facilidade, uma vez que só iria precisar de um actor e de uma sala.
Filmámos tudo num fim-de-semana e em mês e meio fiz todo o trabalho de pós-produção, tendo submetido o filme mesmo na deadline… à boa maneira portuguesa.

Qual é o teu filme de Terror de eleição? E porquê?

Não tenho um, mas vários. Destaco, no entanto, um filme de 2014 que gostei bastante. Chama-se ‘The Babadook’ e é de uma realizadora australiana, de seu nome Jennifer Kent.
É um filme com muito suspense e que foge muito ao que se tem visto por aí. A personagem central, uma frágil mãe que lentamente se afunda na loucura, é precisamente o oposto das heroínas dos filmes de terror, normalmente mulheres fortes e corajosas, e com jeito para a pancada. Embora andem por lá fantasmas e monstros, é um filme muito realista, muito humano até.

O que nos podes dizer sobre “O Quadro”? O que podemos esperar desta curta?

‘O Quadro’ é acima de tudo um filme de suspense e mistério, pelo que espero que o espectador se mantenha preso até ao fim e se divirta.

O enquadramento histórico do filme é um dos aspectos que salta logo à vista nas imagens, para não falar do carácter misterioso e algo perturbador do quadro em si. De onde surgiu a inspiração para esta história?

O enquadramento histórico foi algo que surgiu mais tarde. Achámos que a história poderia ficar mais interessante – e, por ventura, mais credível – se se passasse numa época mais antiga, numa sociedade mais vulnerável às questões do sobrenatural. E foi assim que surgiu também a ideia de prestar uma espécie de homenagem aos pioneiros do cinema de terror, que tanto me fascinam e que, como sabemos, ainda hoje são extremamente influentes. Quando se completam 80 anos da morte de Georges Méliès e quando películas como ‘O Gabinete do Dr. Caligari’ ou ‘Nosferatu’ estão quase a fazer 100 anos, achamos que ‘O Quadro’ poderia inspirar-se nestes cineastas e nos seus filmes. E naturalmente, ‘O Quadro’ é um filme a preto e branco e quase mudo (pelo menos não tem diálogos).
Para completar o ramalhete, e uma vez que a história se passa numa Lisboa dos anos 40 do século passado, decidimos também incutir-lhe um estilo mais ‘à portuguesa’, numa analogia clara com os filmes portugueses da era dourada.

O que é que para ti não pode faltar num filme de Terror?

Suspense, mistério.

É a tua primeira vez no MOTELX? O que estás à espera desta edição? De algum filme em particular?

Como já referi, esta é a minha terceira participação no festival. É sempre bom ir ao São Jorge, ver o espaço sempre repleto de gente e sentir todo aquele ambiente fantástico. Acho que, mais uma vez, vai ser uma grande edição.

Exibições:

  • Quinta-feira, 6 Setembro 2018 às 00h00, Cinema São Jorge – Sala Manoel de Oliveira
  • Sexta-feira, 7 Setembro 2018 às 13h05, Cinema São Jorge – Sala 3


Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.