MOTELX 2018 | Entrevista “Insanium” com Rui Pedro Sousa

MOTELX 2018 | Entrevista “Insanium” com Rui Pedro Sousa

Prémio MOTELX Melhor Curta Portuguesa 2018

Insanium

Rui Pedro Sousa, 2018

Dois irmãos encontram um cadáver enquanto passeiam no floresta. Esta descoberta desencadeia uma série de eventos que irá transformar as suas vidas para sempre.

 

“Insanium” apresenta-nos um conceito diferente no Prémio MOTELX Melhor Curta Portuguesa 2018. Uma curta em modo trilogia que nos conta as peripécias de uma aventura de dois irmãos num universo com Zombies e monstros. O Panda’s Choice falou com Rui Pedro Sousa, o realizador do filme para nós desvendar alguns aspectos da curta e da sua experiência profissional.

O que nos podes dizer sobre ti?

Sobre mim: Rui Pedro Sousa, nascido em Aveiro em 1986. Vim para o Porto em 2008 com o sonho de estudar Cinema. Ingressei na ESAP – Escola Superior Artística do Porto, onde estudei Cinema e Audiovisual. Estava ainda no segundo ano do curso quando fui convidado a trabalhar numa grande produtora do Porto onde trabalhei durante 7 anos em Motion Graphics e Efeitos Visuais. Durante este período realizei a curta-metragem “Tsintty” em 2012, de forma independente, um projecto rodado aos fins-de-semana com amigos e colegas num processo que nos demorou dois meses. Dois anos depois, em 2014, e de novo com filmagens de fim-de-semana levei os proximos dois anos (até 2016) a produzir a média-metragem Limbo. Saí da Produtora onde trabalhava rumo a Londres em Setembro de 2016 onde estive durante um ano a criar um grande numero de contactos. Foi neste período que falei com a Station Productions, composta por um grupo de profissionais e colegas da área que sempre acreditaram em mim, e me abriram verdadeiramente as Portas para seguir o sonho da realização. Com eles trabalho ainda regularmente como realizador em Spots Publicitarios e, claro, Ficção, com este Insanium e uma curta de comédia, George.

Como foi esta jornada até ao MOTELX? Algum momento marcante que queiras destacar?

A jornada foi muito tranquila porque tenho a minha volta uma equipa que foi sempre capaz de dar uma rápida resposta a cada adversidade. O ambiente familiar, desde a pre-produção até a pós-produção foi magnífico e fator importante para que eu, como realizador, me sentisse sempre protegido por profissionais capazes de ir ao fim do mundo por este projecto. O que mais de marcante trago será sempre a primeira vez que disse ação e a câmera começou a filmar, em Londres no primeiro plano a ser rodado do Zombie. Lembro-me de dizer ação e nesse primeiro plano pensar para mim “boa. Isto está mesmo a acontecer. Vamos lá fazer o nosso melhor” – e depois disse corta ao reparar que estava completamente distraído nos meus pensamentos e não na ação (sorrisos) e iniciamos um segundo take.

Qual é o teu filme de Terror de eleição? E porquê?

Para o meu filme de terror de eleição seria fácil eu dizer “O Exorcista” ou “Alien” e afins. São grandes filmes e filmes que, à sua maneira me marcaram. Mas tenho de dizer “The Conjuring” porque foi o filme que me fez voltar a acreditar no género de terror. Eu e o terror separamo-nos desde a minha adolescência até à idade adulta porque o terror passou a ser feito sobre uma fórmula básica. O terror estava ali para entreter sem necessariamente ter de fazer sentido. Até que, e depois de várias tentativas falhadas vi o “The Conjuring” e fiquei surpreso e bastante agradado por ver um filme que, falando de possessões e exorcismos também te tenta criar a dúvida que tudo pode ser explicado de outra maneira de que tudo tem uma razão real e plausível trazendo o género mais perto da vida mundana.

O que nos podes dizer sobre “Insanium”? O que podemos esperar desta curta?

O terror sempre me criou um certo fascínio desde criança. A capacidade que o terror tem de mexer connosco, de nos deixar inquietos seja no conforto da sala de cinema ou no aconchego da nossa casa. E esse fascínio sempre me fez querer desafiar a mim mesmo a tentar criar esse desconforto no espectador. Mas, e apesar das minhas últimas curtas terem esta componente, o terror não é de todo o meu género de eleição. Gosto muito de drama social, de poder explorar problemas que as pessoas identifiquem facilmente te e poder falar deles abertamente colocando o público a discutir os assuntos postos em cima da mesa pelo filme. Insanium é um thriller de Terror sim, mas como disse, tem também um pouco de terror psicológico e liga-se um pouco ao que já falei anteriormente, sem querer revelar muito da história para não estragar a experiência a quem ainda for ver o filme.
É, na sua essência, um filme de terror com Zombies, fantasmas e monstros onde nem tudo o que parece é.

De onde surgiu a inspiração para a curta e o que achas que vai marcar mais o público? Há também o factor desta ser uma produção não exclusivamente nacional e do conceito inovador e distintivo no formato em que é apresentado. já que estamos perante uma antologia de 3 histórias interligadas. Como vês agora toda a produção do projecto? E a nível de projectos futuros?

“Insanium” surgiu quando estava a morar em Londres. Em Londres foi-me enviado um argumento chamado Zombie do escritor Joey Fidler dos Estados Unidos. Era uma mini curta, super interessante, que eu decidi logo na primeira leitura que queria fazer. Ao mesmo tempo eu tinha duas curtas originais escritas e, junto com a Station, decidimos produzir as 3 curtas. Na altura nenhuma tinha a haver com a outra e foram planeadas como filmes sozinhos com atores diferentes. Já numa fase muito avançada do processo, depois das filmagens do zombie e ainda antes das filmagens do Whispers e do Awoken vi que havia a possibilidade de juntar as 3 curtas (como volumes ou capítulos) de um so filme (ou como se fosse uma trilogia). E assim nasceu insanium, uma história sobre dois irmãos contada em 3 partes. A primeira parte do filme foi rodado em Londres perto dos estúdios Pinewood na Black Forest onde se filmaram filmes como Star Wars, Harry Potter ou Capitão América. Foi usada uma equipa totalmente britânica, sempre com a supervisão da Station (a produtora Portuguesa) que fez voar de Portugal o equipamento de filmagem. As restantes partes foram já Rodadas em Portugal com grande parte da equipa Portuguesa fazendo voar alguma equipa e todo o elenco durante uma semana para rodar cá. Esta decisão foi tomada primeiro porque Portugal nos oferece condições muito boas e a um bom preço e porque na procura da casa perfeita para o filme a mesma foi encontrada em Vila Nova de Gaia e a produção decidiu então mudar toda a produção do filme para Portugal.

A nível de projectos futuros já tenho coisas planeadas mas nada que possa entrar muito em pormenor. O Insanium tem trazido muitos contactos e acredita-se que nos vá abrir muitas portas.

O que é que para ti não pode faltar num filme de Terror?

Sentido. Para mim qualquer filme tem de te fazer minimamente sentido e tem de ter um propósito. Recentemente vi um filme de terror que nos apresenta a protagonista e um assassino que a quer matar. O filme conclui com o assassino a matar a protagonista e ficas sem saber de onde ele veio, quem é, porque matava, ou seja, é um filme que apenas pretendia, a sua maneira, entreter. Mas para mim não cola. O filme tem de te fazer sentir que o teu tempo foi bem usado e que sais da sessão um pouco mais enriquecido.

É a tua primeira vez no MOTELX? O que estás à espera desta edição? De algum filme em particular?

É a primeira vez no Motelx e estou a espera de me divertir e conhecer muito boa gente. Não tenho alguma expectativa quanto ao meu filme. Quero que ganhe, claro! Mas quero, acima de tudo, que seja visto e apreciado. E quero, também eu, poder ver todos os filmes. Adoro e respiro cinema e estarei em todas as sessões do Motelx para viver desse mesmo cinema.

Exibições:

  • Quarta-feira, 5 Setembro 2018 às 18h40, Cinema São Jorge – Sala Manoel de Oliveira
  • Domingo, 9 Setembro 2018 às 13h00, Cinema São Jorge – Sala 3

 



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