MOTELX 2018 | Entrevista “A Boneca” com Gonçalo Leitão

MOTELX 2018 | Entrevista “A Boneca” com Gonçalo Leitão

Prémio MOTELX Melhor Curta Portuguesa 2018

A Boneca

Gonçalo Leitão, 2018

Ela era uma criança, esse monstro que os adultos fabricam com as suas mágoas.

Pai e realizador, Gonçalo Leitão apresenta no MOTELX uma história muito especial e com um tom mais familiar. “A Boneca” é uma história de Terror com uma criança no plano central e ao Panda’s Choice, Gonçalo Leitão contou como foi toda esta aventura até às nomeação para o Prémio MOTELX Melhor Curta Portuguesa 2018

O que nos podes dizer sobre ti?

Posso dizer que tudo começou há 49 anos. Cinco meses depois do terramoto de fevereiro de 1969, e 18 dias antes do homem ir à lua, eu vim à vida. Cresci em Setúbal, Lisboa, Covilhã e Castelo Branco. E foi aqui, na cidade albi castrense, onde viviam os meus avós, que me lembro de ter medo pela primeira vez. Tinha 12 anos. Era uma casa gigante onde eu via sozinho na sala as Sessões da Meia Noite do Hitchcock. Mal acabava, desligava a televisão e saía disparado da sala de mãos dadas com a minha amiga adrenalina. Íamos os dois a correr por um corredor interminável para nos escondermos debaixo dos lençóis. Sem malícia.
Pouco tempo mais tarde recebi uma camcorder e desde aí que a minha vida se conta em imagens:
Imagens pecaminosas (fiz um remake com os meus amigos do filme “Pássaros Feridos” a que chamámos “Pássaras Feridas” e em que eu fazia de um padre que se apaixonava por uma mulher);
Imagens variadas (fui porteiro, estafeta, homem sandwich e animador de karaoke);
Imagens aterradoras (estudei direito até ao 5º ano mas desisti a tempo antes de me enforcar com uma gravata);
Imagens publicitárias (fui copywriter e director criativo em várias agências tendo criado centenas de anúncios e estou agora a realizar filmes publicitários);
Imagens televisivas (fui copywriter na SIC e director criativo na RTP);
Imagens filhas da pub (criei e apresentei os programas de televisão “Filho da Pub” e “A Minha Vida Dava Um Anúncio”);
E imagens cinematográficas (escrevi, realizei e editei as curtas metragens “Se o Tecto Falasse” e “A Boneca”).
De todas estas imagens as que gosto mais são as que têm a ver com a realização.

Como foi esta jornada até ao MOTELX? Algum momento marcante que queiras destacar?uma

As três primeiras jornadas correram bastante bem. Nunca pensei, tendo em conta o filme de terror de Alcochete, que o meu Sporting estivesse em primeiro lugar nesta altura do campeonato (escrevo a 31/08).
O momento mais marcante foi saber que a minha curta será exibida pela primeira vez no Motel X no mesmo dia das eleições no Sporting. Dia 8 de setembro, será o dia em que nos vamos livrar definitivamente do Bruno de Carvalho, o Freddy Krueger do futebol português.

Qual é o teu filme de Terror de eleição? E porquê?

Não sou grande fã de filmes de terror na sua verdadeira acepção da palavra. Gosto mais the thrillers psicológicos, de suspense onde o som tem um papel fundamental. Provoca-me mais arrepios na espinha quando é sugerido, quando ouço e e não vejo. E esse é, para mim, o segredo de um bom filme de “terror”. Mas se tivesse que destacar um filme de terror de eleição elegeria “Blair Wich Project” que tem muito a ver com aquilo que acabei de dizer. Nunca chegamos a ver a bruxa. é tudo sugerido, ouvido, sentido.

 

O que nos podes dizer sobre “A Boneca”? O que podemos esperar desta curta?

Posso dizer que é uma história contada em narrativa não linear de que eu sou fã. Posso dizer que é uma curta feita para que a audiência tenha 12’37” de entretenimento. Posso dizer que é uma curta sem mensagens porque, parafraseando Bertolucci”: “Os meus filhos não têm mensagens, deixo isso para os correios”.

 

Qual foi a inspiração para o filme?

A inspiração veio de um telefonema que a minha filha de 11 anos me fez há cerca de um ano. Nesse telefonema disse-me que já não queria ser Barbie quando fosse grande (era o seu desejo quando tinha 4 anos). Agora queria ser actriz. E pediu-me para a inscrever numa agência de actores. Eu disse-lhe que fazia melhor, que escreveria uma curta metragem onde ela seria a actriz principal. E assim nasceu A Boneca. Mas confesso que foi difícil ser pai e realizador ao mesmo tempo. As filmagens foram muito duras para ela. Tinha o pai a dizer “Corta!” e o realizador a dizer “Continua!. Mas no fim pai, realizador, filha e actriz ficaram muito contentes com o resultado. E já só querem repetir a experiência.

 

O que achas que vai se destacar para o público?

Acho que se vai destacar a forma como a história é contada, editada, colorida e sonorizada. E, claro, a prestação da miúda que, não é por ser minha filha (ou se calhar é 🙂 mas mostra um à vontade perante as câmeras e uma veracidade de sentimentos que é raro encontrar numa criança.

É a tua primeira vez no MOTELX? O que estás à espera desta edição? De algum filme em particular?

É a minha primeira vez mas esteve quase para não acontecer pois eu achava que “A Boneca” não era um filme de terror. E eu sempre vi o Motel X como um festival de terror puro e duro. Mas uma amiga minha, fã do festival, disse-me que eu tinha que inscrever esta curta e que teria muitas possibilidades de ser seleccionado. E não é que ela tinha razão. Obrigado Maria João.

Exibições:

  • Domingo, 9 Setembro 2018 às 16h35, Cinema São Jorge – Sala Manoel de Oliveira
  • Sábado, 8 Setembro 2018 às 13h00, Cinema São Jorge – Sala 3


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