Crítica | Um Pequeno Favor (2018)

Crítica | Um Pequeno Favor (2018)
UM-PEQUENO-FAVOR-2018-POSTER
  • De: Paul Feig
  • Com: Anna Kendrick, Blake Lively, Henry Golding
  • 1h57min

    Um Pequeno Favor é assim um thriller cativante e misterioso que tira partido da sua boa disposição e do seu tom mais descontraído e sensual para suscitar interesse e curiosidade e deixar-nos envolvidos numa teia em que nada é o que aparenta ser.

    As aparências iludem neste Um Pequeno Favor do realizador Paul Feig, o realizador da comédia Bridesmaids, em que Blake Lively e Anna Kendrick dão vida a duas personagens no mínimo peculiares, Emily e Stephanie. A primeira uma mulher de negócios, com uma vida ocupada, viciada em martinis bem gelados e um tanto ou quanto distante do seu filho, ao passo que Stephanie é um oposto em todos os aspectos, uma mãe 100% dedicada, a tempo inteiro, ao filho, com uma personalidade mais inocente e sem grandes ambições. Na melhor das hipóteses, nada nos faria querer que estas duas mulheres se tornassem amigas, mas as circunstâncias levaram a que tal acontecesse. São duas personagens apelativas, que sabem conquistar o espectador logo desde o início e vá, é impossível tirar o olho de ambas… Mas com o desaparecimento súbito e misterioso de Emily, depressa as coisas deixam de ser aquilo que parecem. Nada é certo, e é sob o olhar de Stephanie que mergulhamos neste thriller carregado de boa disposição e de sensualidade.

    Atenta, curiosa e acima de tudo destemida, Stephanie entrega-se por completo a procurar a sua amiga, talvez a amizade mais especial dos últimos tempos. É perante esta investigação que nos damos conta do quão iludidos fomos pelas personagens logo desde o início. Um misto de segredos um tanto ou quanto obscuros e detalhes da investigação conduzem-nos a um tom algo inquietante, que acompanhado de boa disposição traduz-se num resultado cativante. Um Pequeno Favor é uma espécie de Em Parte Incerta, a adaptação de David Fincher do livro da mestre dos thrillers Gillian Flynn, mas com um tom muito próprio e característico que difere dos restantes thrillers. É misterioso, inquietante e curioso… As personagens são desde logo um ponto de destaque, à partida parecem ser básicas e sem piada mas à medida que as vamos conhecendo, vemos que a sensualidade que salta à vista na promoção do filme é apenas a cereja no topo do bolo.

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    A energia que flui fruto da relação entre as personagens do filme, os contornos deliciosos e a incerteza que paira no ar são constantes e criam uma experiência muito curiosa e apelativa. E ainda que, a nível de narrativa o excesso de revelações e reviravoltas seja excessivo (até porque grande parte da história acontece enquanto Stephanie descobre mais algum facto chocante sobre Emilly), Um Pequeno Favor é um thriller competente, inquietante e misterioso, proporcionando uma boa dose de entretenimento. E digo isto porque senti que mais lá para o final o efeito surpresa de muitas reviravoltas era abafado pela sensação de que ainda estava para vir mais uma revelação, sendo este o aspecto menos positivo que saltou mais à vista. Até porque, de modo geral, acompanhamos com interesse as personagens e a evolução destas, sobretudo Stephanie, cujo ar de santa e a inocência aparente oferecem muito espaço para brincar com o espetador.

    No fim de contas, Paul Feig procurar tirar o máximo partido das personagens principais, à medida que a narrativa vai progredindo, e é um facto que como espectadores é sobretudo nas interpretações de Blake Lively e Anna Kendrick que vemos o potencial do filme. Um Pequeno Favor é assim um thriller cativante e misterioso que tira partido da sua boa disposição e do seu tom mais descontraído e sensual para suscitar interesse e curiosidade e deixar-nos envolvidos numa teia em que nada é o que aparenta ser.



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