Crítica / MOTELX | Ghostland – A Casa do Terror (2018)

Crítica / MOTELX | Ghostland – A Casa do Terror (2018)
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  • De: Pascal Laugier
  • Com: Crystal Reed, Mylène Farmer, Anastasia Phillips
  • 1h31min
3.5 STARS

O que de melhor existe em Ghostland – A Casa do Terror são as duas irmãs e o teor curioso e perturbador do pesadelo que as envolve. Não é um filme fácil, a história é brutal e mórbida, ainda que com algumas fragilidades pelo meio, pelo que as personagens acabam por ser o prato principal da trama.

Quando Ghostland – A Casa do Terror foi apresentado no festival no MOTELX, foi descrito como sendo uma experiência que marca o regresso do realizador Pascal Laugier a um estilo mais obscuro e perturbador, mais próximo do seu aclamado Martyrs, ainda hoje considerado um dos títulos mais marcantes do Terror moderno e um exemplo do Novo Extremismo Francês. Sendo Martyrs terreno desconhecido para mim, ainda, dei por mim com as expectativas em aberto para este filme, que é uma reinvenção perturbadora e mórbida do estilo home invasion.

Esta é a história de uma família que herda uma casa no meio de nenhures, e que na primeira noite é confrontada por intrusos que invadem a casa e ameaçam a vida de todos. Uma mãe, sozinha com as suas duas filhas vê-se entre a espada e a parede, num cenário aterrador e frio, que serve de aperitivo para o que aí vem. Saltamos uns anos à frente… Uma das jovens, Beth (Crystal Reed), é agora uma brilhante escritora de thrillers e histórias de Terror, que acaba de lançar um livro que expõe as atrocidades vividas na noite que mudou a sua vida. Mas uma chamada estranha da irmã a meio da noite, leva Beth de volta à casa e à família, e é aqui que as coisas nunca mais são as mesmas.

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De repente, há uma incerteza que se mantém sempre presente, acompanhada por uma inquietude que se deve ao mistério e ao cenário pouco convidativo. O reencontro das duas irmãs não nos deixa confortáveis… O estado de saúde débil da irmã de Beth, a casa que permanece intacta… Oh rapariga já devias ter saído daí… Mas Pascal Laugier sabe brincar com o espetador, e motivar uma curiosidade que parece natural. É algo que salta logo à vista, a ligação forte que existe entre as duas personagens e as interpretações de Crystal Reed e Anastacia Phillips que nos motivam a sentirmo-nos ligados a este estranho mundo que não parece certo. Portanto, é sob um clima estranho e algo misterioso que nós vamos aproximando destas duas irmãs, ainda aterrorizadas com o que aconteceu.

E quando Ghostland – A Casa do Terror se revela finalmente e nos apercebemos da realidade doentia que Pascal Laugier nos está a apresentar, é tarde demais para fugir. À medida que o mistério se desvanece, o pesadelo toma conta da cena e é eficaz porque houve tempo para absorver as personagens. O pesadelo de Laugier roça o home invasion apenas na definição do género, porque na verdade, toda a história parece uma combinação de dois filmes distintos. E a verdade, é que o momento em que nos damos conta do verdadeiro tom e teor da história foi, sem querer deitar detalhes cá para fora, inesperado e brutal.

Não é um filme fácil, a história é brutal e mórbida, ainda que com algumas fragilidades pelo meio, pelo que as personagens acabam por ser o prato principal da trama. Não é chocante pelo tom violento mas sim pela forma como se aproveita da nossa ingenuidade e receio. E por muitos sustos e pulos na cadeira que o filme proporciona, há toda uma série de momentos bem construídos, em que o setup foi calculado ou simplesmente estamos demasiado enervados e dentro da atmosfera criada. O que de melhor existe em Ghostland – A Casa do Terror são as duas irmãs e o teor curioso e perturbador do pesadelo que as envolve. E não sendo um filme que tenha caído nas minhas preferências de imediato, à medida que fui reflectindo a experiência, dou mais valor e apreço a esta história distorcida. Não é um filme que recomendaria facilmente a alguém por estar dependente da receptividade de quem o vê, mas é uma experiência curiosa, algo chocante, um autêntico pesadelo no qual é raro o momento em que nos sentimos seguros.



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