Crítica | BlacKkKlansman – O Infiltrado (2018)

Crítica | BlacKkKlansman – O Infiltrado (2018)
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No final, salta a vista um trabalho cativante, poderoso e com uma mensagem de alerta e de crítica social, que sabe entreter e desafiar ao mesmo tempo o espectador, enquanto este assiste à jornada dos dois detectives para deitar abaixo o Klan e a sua mensagem de violência.

  • De: Spike Lee 
  • Com: John David Washington, Adam Driver, Laura Harrier 
  • 2h16min

Com BlacKkKlansman – O Infiltrado, Spike Lee cria uma sátira pessoal, honesta e sentida sob o pretexto de uma história de detectives nos EUA, em pleno início dos anos 70, com a agitada luta pelos direitos civis do  a descriminação racial e um ambiente no mínimo hostil como plano de fundo. É neste cenário que surge o primeiro detective afro-americano Departamento da Polícia de Colorado Springs, Ron Stallworth (interpretado por John David Washington), determinado a fazer a diferença num cenário cada vez menos amistoso. A sua ambição leva-o a infiltrar-se no Ku Klux Klan, com o objectivo de expor os seus membros e objectivos, fazendo-se passar por um racista extremista. Surge daqui uma relação muito peculiar com o seu parceiro e colega, Flip Zimmerman (Adam Driver), um judeu que faz-se passar por Ron nos encontros cara-a-cara com os membros do grupo.

O resultado desta história de detectives é uma sátira inteligente, cativante e que é tão eficaz a provocar gargalhadas como a perturbar o espetador com verdadeiros murros no estômago, existindo uma clara interligação entre momentos mais ligeiros e cómicos (suscitados muitas vezes por situações caricatas e pelas relações curiosas que surgem entre as persoangens) e o perigo e hostilidade que caracterizam a situação. Neste filme, Spike Lee explora a América dos anos 70, com um tom pessoal, forte e cativante que transparece nas manifestações de ambos os lados. A crítca social está presente direta e indiretamente em quase todo o filme, sobretudo nas interações de Flip e Ron com o Klan e é quase imediata a empatia que se cria entre os detectives e o espetador.

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Ambos numa luta pessoal, pela sua liberdade e pelos seus direitos, estas duas personagens são o núcleo de uma narrativa poderosa que tira partido das boas interpretações de Driver e Washington. Esta é uma história, que infelizmente se revê de alguma forma na atualidade e que sabe provocar e tirar partido do seu potencial à medida que os dois detectives se aprofundam cada vez mais na estrutura do Klan. O estilo próprio de BlacKkKlansman – O Infiltrado, que surge fruto da sociedade norte-americana dos anos 70, acompanhado por uma banda-sonora com ritmos e músicas que se ajustam à acção e ao tom e ritmo do filme, é outro dos aspectos a destacar neste grande filme de Spike Lee.

No final, salta a vista um trabalho cativante, poderoso e com uma mensagem de alerta e de crítica social, que sabe entreter e desafiar ao mesmo tempo o espectador, enquanto este assiste à jornada dos dois detectives para deitar abaixo o Klan e a sua mensagem de violência. Com BlacKkKlansman – O Infiltrado, Spike Lee consegue “brincar” com um tema sério e actual, oferecendo uma reflexão assustadora mergulhada numa boa disposição (semelhante, de certo modo, ao actual The Nice Guys), que torna toda a experiência inesquecível.



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