Crítica | American Animals – O Assalto (2018)

Crítica | American Animals – O Assalto (2018)
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3.5 STARS

O problema de American Animals é o de não conseguir sair da orla de filme simpático e funcional (…), competente pelo estilo documental e ligeiro, mas sem um factor diferenciador ou um momento mais marcante que fizesse a diferença no final.

  • De: Bart Layton 
  • Com: Spencer Reinhard, Warren Lipka, Eric Borsuk 
  • 1h57min

O que salta logo à vista neste American Animals é o estilo aplicado sobre os materias, sobre a história, sobre as personagens, em homenagem ao elemento central de todo o filme, um livro de John James Audubon, pintor norte-americano reconhecido pela sua notável tentativa de pintar e descrever todos os pássaros americanos. Há aqui um pouco de coming-of-age com jovens a dar os primeiros passos em direcção às suas ambições e sonhos, e tudo gira à volta da necessidade de uma experiência indiscritível que pudesse definir ou tornar a vida destes jovens, um pouco especial.

American Animals reune quatro jovens, de certa forma perdidos na vida e com ambições algo desmedidas, que decidem participar num plano louco e audacioso. Um assalto, cujo objectivo passava por roubar livros da universidade local, no valor de 10 milhões de euros. Este relato de uma história real transcreve-se em dois tempos, o pré-assalto, uma espécie de reencontro entre um gangue juvenil e o enredo de Ocean’s Eleven, e o pós-assalto, onde assistimos aos relatos dos jovens, agora crescidos e nas suas vidas adultas, a relatarem a história dos seus pontos de vista.

Esta forma de retratar os eventos, quase documental, possibilita a criação de situações caricatas e com um humor muito próprio, com incongruências momentos completamente absurdos. E digo isto, porque à medida que o filme progride sentimo-nos envolvidos com as personagens e a torcer pelo plano louco, mesmo que tenhamos consciência de que estava tudo condenado ainda antes de acontecer. A verdade, é que American Animals consegue ser uma cartada curiosa, que joga com a conjugação de géneros conhecidos para tirar partido de uma história real com um enorme potencial. E mesmo que não consiga atingir um tom memorável, o estilo e humor próprios são suficientes para conquistar o espectador.

O que parece ser mais uma história sobre um assalto digno de Hollywood, com um planeamento detalhado ao milimetro, é na verdade uma história sobre jovens que procuram mudar para sempre o rumo das suas vidas, e que orquestram na sua cabeça um plano que lhes parecia infalível. É a história de como estes jovens mudaram as suas vidas e como, por conseguinte, mudaram a vida dos colegas, dos professores e dos familiares.

O problema de American Animals é o de não conseguir sair da orla de filme simpático e funcional, os jovens têm visões de vida curiosas, mas que por vezes parecem roçar apenas uma rebeldia desmedida. Há risco e adernalina, mas estes são contidos por uma imagem, que salta logo à cabeça de um plano fracassado. E por mais que queiramos gostar das personagens, a relação que estas criam com o espectador, não os motiva a torcer pelo plano, o que queria uma espécie de sensação agridoce à medida que o plano se desenrola. No final de contas, este relato de Bart Layton é competente pelo estilo documental e ligeiro com que retrata o assalto, mas faltou ali um factor diferenciador, ou um momento mais marcante que fizesse a diferença no final, e não fizesse deste filme um mero relato curioso e cativante.



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