Crítica | Homem-Formiga e a Vespa (2018)

Crítica | Homem-Formiga e a Vespa (2018)

Poster-Homem-Formiga-2

  • De: Peyton Reed
  • Com: Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Peña
  • 1h58min

É um filme que tem um grande potencial a nível individual, mas cuja falta de um vilão bem definido e tom mais animado dificultam a criação de momentos mais intensos. As perseguições são loucas, há momentos divertidos a preencher toda a trama e, tal como os restantes filmes da Marvel, tanto a nível técnico como de elenco, não existe nada de mau a apontar, ficando apenas no ar a sensação de que a história poderia ter sido algo mais memorável.

Peyton Reed soube distanciar-se da história geral e do tom do universo da Marvel, em 2015, quando deu luz a um competente e animado filme de super-heróis, que definiu a origem do irreverente Homem-Formiga, interpretado por Paul Rudd, um herói diferente das glórias e dos grandes feitos a que estamos habituados e que vê os seus poderes confinados às tecnologias desenvolvidas por Hank Pym (Michael Douglas) que lhe dão a possibilidade de aumentar e diminuir de tamanho. Foi uma produção conturbada, na altura devido a conflitos criativos entre a Disney e Edgar Wright, mas que graças ao trabalho de Reed e ao carisma e interpretação de Paul Rudd caiu nas boas graças e tornou-se num dos mais divertidos capítulos da longa narrativa da Marvel. Quase 3 anos depois, as personagens são as mesmas e o humor característico do primeiro filme continua a ser um dos pontos fortes deste regresso, num contexto mais negro, que decorre algures antes e em paralelo com os dramáticos eventos da Guerra do Infinito.

A nível de progressão na narrativa global, Homem-Formiga e a Vespa introduz-nos alguns conceitos novos e uma tecnologia até hoje desconhecida, utilizada aqui como meio para uma missão perigosa que envolve uma série de segredos do passado, para resgatar a mulher de Pym. Scott Lang, depois do confronto épico ao lado do Capitão América, vê-se confinado às quatro paredes da sua casa, visto como um perigo para a sociedade, ainda a propósito da temática dos super-heróis representarem uma ameaça à segurança. Com as responsabilidades familiares a cruzarem-se constantemente com os desafios e a perigosa missão de Pym, este conflito pessoal oferece toda uma adrenalina ao filme, que vai para lá do usual confronto herói-vilão.

Homem-Formiga-2-Still

E, de facto, nesta sequela, da mesma forma que a ligação ao restante universo Marvel passa quase despercebida, também o tom mais animado e a ausência de um vilão bem definido, distanciam o filme do que é a norma do género. O carisma de Rudd, em paralelo com o humor proporcionado pela personagem de Michael Peña, o contador de histórias miraculosas do primeiro filme, continua a ser uma combinação bastante agradável que oferece uma série de momentos engraçados. Mas, desta vez, tudo é orquestrado a uma dimensão maior, mais acrobacias, perseguições loucas e frenéticas com as fantásticas transições de tamanho que oferecem um autêntico espetáculo visual a miúdos e graúdos. As piadas surgem de forma natural e combinam com o ritmo mais acelerado e arriscado do filme, oferecendo uma identidade própria a este super-herói, que não tem o reconhecimento nem o destaque dos seus companheiros, mas, tal como no primeiro filme, faltou um factor mais memorável e único para marcar a diferença.

A tática de Peyton Reed funciona e possibilitou a criação de um super-herói com uma identidade e um carisma muito próprios, muito à custa do tom das histórias e do carisma e interpretações do próprio elenco. Este é um projecto que facilmente poderia funcionar por si mesmo, mas que ao estar inserido num universo com uma dimensão incalculável, acaba por passar algo despercebido, longe do grande impacto dos restantes filmes. Homem-Formiga e a Vespa é uma experiência divertida e frenética que sabe tirar partido das piadas e dos momentos mais loucos para entreter e entusiasmar o espectador, ainda que esteja longe da grandiosidade dos restantes filmes. É um filme que tem um grande potencial a nível individual, mas cuja falta de um vilão bem definido e tom mais animado dificultam a criação de momentos mais intensos. As perseguições são loucas, há momentos divertidos a preencher toda a trama e, tal como os restantes filmes da Marvel, tanto a nível técnico como de elenco, não existe nada de mau a apontar, ficando apenas no ar a sensação de que a história poderia ter sido algo mais memorável. É, tal como o seu prodecessor, um capítulo competente, divertido e animado, mas cuja falta de um factor wow e de uma história com pouco impacto continuam a representar as maiores fragilidades.



Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.