Crítica | Thoroughbreds (2017)

Crítica | Thoroughbreds (2017)

  • De: Cory Finley
  • Com: Olivia Cooke, Anya Taylor-Joy, Anton Yelchin
  • 1h32min

Há aqui algo de atraente e de misterioso que nos faz ficar interessados e vidrados na relação tóxica que aqui se cria, e uma sensação constante de perda de controlo pela falta de distinção entre bem e mal e pelos desfechos incertos que vão surgindo, culminando numa experiência inquietante, violenta e apelativa.

Thoroughbreds não é de todo um título vulgar e quase parece estar desencaixado da temática principal da própria história, um thriller intrigante que roça por vezes a comédia negra, com um estilo e um ritmo inquietantes q.b. É a história de duas amigas de infância que se reencontram de forma pouco amigável, quase como se tivessem assuntos pendentes por tratar. Ambas com personalidades distintas que se configuram como autênticos dilemas para o espectador. Por um lado temos Lily (Anya Taylor-Joy), uma jovem de classe alta que apresenta uma postura dominante e assertiva e que aparenta ser uma espécie de prodígio académico e por outro Amanda (Olivia Cooke), uma jovem mais tímida, que carrega um passado negro aos ombros e que parece deslocada da sociedade, por vontade própria.

De facto, as interpretações e o carisma de Taylor-Joy e de Cooke explicam quase que per si a forma com as personagens interagem e se revelam aos poucos, oferecendo alguma profundidade e um tom mais obscuro e misterioso à medida que a narrativa se adensa. Ambas parecem deslocadas da realidade e claros exemplos das ilusões da aparência, dando a ideia de que escondem detalhes importantes e fulcrais que preenchem as interrogações dos anos em que estiveram separadas. E é este reencontro quase que forçado pela mãe de Amanda que estimula uma relação perigosa entre as duas, completamente focadas e vidradas uma na outra. Esta relação perigosa, que começa a florescer, é o que estimula o ritmo inquietante do filme, e o gatilho para um plano violento que parece resolver os problemas de ambas.

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Os detalhes no desenvolvimento destas personagens tão invulgares é o que fascina em Thoroughbreds e é o motor que proporciona desenlaces inesperados e inquietantes que colocam o espectador num cenário instável e de dúvida constante. O passado negro de Amanda cruza-se com a personalidade dominante de Lily e cria uma afeição inconsistente entre ambas, que promove desfechos inesperados à medida que a história se desenrola. E é este descontrolo, o ritmo instável e o cruzamento do passado de ambas com a relação que se vai criando entre as duas, que faz de Thoroughbreds um filme especial. Um filme estimulante e apelativo, com um estilo e um humor muito próprios, que sabe brincar e tirar partido do clima instável e inquietante para trazer uma história cruel de duas amigas que se reencontram quase que com o propósito de resolver as trapalhadas das suas vidas.

As interpretações funcionam e ajustam-se à história e é curiosa a forma como tudo funciona, sendo clara a dependência circular entre estes dois elementos. Há aqui algo de atraente e de misterioso que nos faz ficar interessados e vidrados na relação tóxica que aqui se cria, e uma sensação constante de perda de controlo pela falta de distinção entre bem e mal e pelos desfechos incertos que vão surgindo. Thoroughbreds é um assim uma experiência inquietante, violenta e apelativa que tira partido da curiosidade do espectador, ao desafiá-lo com personagens invulgares, ofuscadas da sociedade que as rodeia e ao desenrolar-se por caminhos inesperados.



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