Crítica | Com Amor, Simon (2018)

Crítica | Com Amor, Simon (2018)

LOVE, SIMON POSTER

  • De: Greg Berlanti
  • Com: Nick Robinson, Jennifer Garner, Josh Duhamel
  • 1h50min

(..) ao mesmo tempo que salta a vista o caracter mais harmonioso e humano dos filmes coming-of-age, Com Amor, Simon, brilha pela forma como explora uma temática tão séria e importante nos dias de hoje, de forma tão simples e atenta.

 

 

A vida de um jovem, à saída do secundário, é um período de descoberta e de revelações, determinante para os primeiros anos da vida adulta. São os anos dos primeiros amores, sucessos e desilusões e, para Simon Spider (Nick Robinson), o seu último ano de secundário é um autêntico turbilhão de emoções. Tudo por um segredo importante que esconde tanto da família e dos amigos. Um segredo, oculto pelos receios e pela ansidade de se revelar ao mundo. Simon é homossexual e tem vivido com isso durante quase toda a sua vida, deixando este detalhe passar despercebido à vista de todos. Tudo pela vontade de se revelar no momento certo, contra a ansiedade e os receios que lhe ocuparam os pensamentos nos últimos anos.

Surge, no entanto, de forma inesperada, um colega de Simon a afirmar-se como homessexual na rede social da escola, de forma anónima, suscitando alguma curiosidade e interesse da sua parte. E é daqui que surge uma relação fulcral para a vida do jovem rapaz que até então viveu fechado numa espécie de casulo. Uma espécie de luz ao fundo do túnel para a pouca esperança e ansiedade de Simon em poder se afirmar ainda antes da entrada na vida adulta. Uma relação que explora de forma poderosa e bem atenta o turbilhão de emoções que varre a cabeça e um adolescente e os perconceitos e paradigmas associados à descoberta da sexualidade neste período, sem cair em exageros e devaneios.

Com Amor, Simon é o desabrochar da adolescência com ênfase na afirmação da homossexualidade entre os jovens, procurando explorar com detalhe as relações e ambições de Simon, fazendo assim um relato humano e bonito da vida de um rapaz que viveu anos fechado na sua timidez e no receio de ver uma parte importante de si mesmo exposta ao mundo, por se tratar de algo que, mesmo com a liberdade dos dias de hoje, ainda não é totalmente aceite ou compreendido.

E ao mesmo tempo que salta a vista o caracter mais harmonioso e humano dos filmes coming-of-age, Com Amor, Simon, brilha pela forma como explora uma temática tão séria e importante nos dias de hoje, de forma tão simples e atenta. A personalidade de Simon salta a vista numa análise constante aos seus ideais e à forma como este interage com os outros, à forma como se vê na sociedade e sem esquecer uma breve reflexão crítica que transparece na sua ansiedade e nos seus receios. Mas mais do que todos estes aspectos sérios, que são no fim de contas o aspecto mais especial e único do filme, o que é de facto a cereja no topo do bolo é a forma harmoniosa como tudo isto interage com um tom leve e algo divertido, que oferece um olhar sobre os bons e os maus momentos da adolescência. No fim de contas, uma história actual, simples, bonita e humana, que sabe desafiar e cativar o espetador, ao mesmo tempo que o deixa com um grande sorriso na cara.



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