Crítica | Ilha dos Cães (2018)

Crítica | Ilha dos Cães (2018)

Ilha dos Cães - Poster

  • De: Wes Anderson
  • Com: Bryan Cranston, Koyu Rankin, Edward Norton
  • 1h41min

A magnitude do novo filme do icónico realizador Wes Anderson é quase indiscritível, à custa de um detalhe minucioso e de uma narrativa peculiar, com uma temática séria e apelativa a contrastar com um tom mais leviano, humano e hmorístico, que cativa os espetadores e adquire ao mesmo tempo uma profundidade inesperada.

A magnitude do novo filme do icónico realizador Wes Anderson é quase indiscritível, à custa de um detalhe minucioso e de uma narrativa peculiar. O estilo do realizador continua bem presente e vivo, nesta curiosa história de um império com uma grande admiração por felinos e, transparece como sempre nas transições, nos contrastes vivos de cor e luz e nas personagens e narrativas que raramente seguem um desenvolvimento linear. Não é de todo o filme mais simples da narrativa de Anderson, em termos de acessibilidade ao público, fruto de uma história que incentiva um olhar mais atento aos pequenos detalhes e aos aspectos peculiares que vão surgindo. São inúmeros os momentos deliciosos que surgem no filme, com um humor cuidado, que fluí sobretudo nas situações caricatas e peculiares da história. Passado no Japão (e de certa forma, quase todo falado no idioma original), Ilha dos Cães é a história peculiar de uma cidade japonesa, Megasaki, que decide expulsar os cães da cidade para a ilha do lixo como solução para uma gripe canina sem precendentes. Completamente rendidos aos felinos, os habitantes da cidade e o presidente desta, observam atentamente a aventura de um pequeno rapaz chamado Atari, que parte para uma grande aventura em busca do seu fiel animal de estimação na ilha do lixo, com a companhia de cinco cães muito especiais. O cenário é portanto um misto de pós-apocalíptico com cães a vaguearem por uma ilha repleta de restos, a espera de baterem as botas, e de uma cidade com uma opinião algo extremista em relação a estes (o que cria toda uma série de desenlaces e momentos peculiares).

Ilha dos Cães - Texto Alternativo

A história, a partir deste ponto, adquire contornos cada vez mais negros e vai se centrando progressivamente na aventura de Atari e na rebelião contra o plano de contenção de cães imposto pelo presidente da cidade. E é aqui que Wes Anderson brilha mais uma vez, explorando uma temática séria com um tom mais animador que cultiva a curiosidade do espetador e promove a empatia pelas personagens do filme, em particular pelos heróis de quatro patas que vagueiam pela ilha e que decidem ajudar o rapaz na sua jornada. Os detalhes minuciosos, aspecto quase inevitável do estilo de Anderson, saltam à vista nos cenários, nas personalidades das personagens e nos contronos que a história adquire, sendo oferecidos de forma subtil, sem forçar a atenção do espetador, possivelmente com a intenção de tornar a visualização do filme numa experiência única. Mas os pequenos detalhes como a admiração exagerada por gatos funcionam, porque tudo na tela fluí quase como se cada fotografia do filme fosse calculada e pensada ao promenor. O contraste das cores mais quentes e vivas da cidade e das tradições dos habitantes contrastam com os tons mais frios e cinzentos da ilha do lixo, dando assim a ideia de que não há um grande futuro á espreita dos pobres cães que foram expulsos dos seus lares. E de certa forma, a própria música contribuí para este contraste notório de ambientes, com tons mais melancólicos para a jornada de Atari e tons mais rápidos e energéticos (com fortes e rápidas batidas a ecoarem nos momentos mais intensos do filme).

Constrói-se assim uma narrativa com uma temática séria e apelativa, próxima das distopias que surgem na televisão e no cinema, com um tom mais leviano, humano e humorístico que cativa pelos seus detalhes e peculiaridades, e que adquire uma profundidade algo inesperada. Ilha dos Cães é, por estes motivos acima referidos, uma adição interessante à filmografia do realizador, por se tratar de um filme minuciosamente detalhado e visualmente apelativo, com um estilo muito próprio e com uma história com contornos peculiares, aos quais se junta um largo leque de vozes de actores e actrizes bem conhecidos e que dão vida a personagens emotivas e cativantes, que acabam por conferir profundidade a um cenário relativamente simples.



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