Crítica | Noite de Jogo (2018)

Crítica | Noite de Jogo (2018)

  • De: John Francis Daley, Jonathan Goldstein
  • Com: Jason Bateman, Rachel McAdams, Kyle Chandler
  • 1h40min

Vale pela sua simplicidade e irreverência, pela forma como cultiva e desenvolve as suas personagens e entrega uma história com um ritmo alucinante e com uma boa disposição que salta logo à vista.

A história de Noite de Jogo (Game Night) encaixa na perfeição na ascenção dos jogos de tabuleiro (da qual tenho de confessar, fiquei fã e não há mês que passe sem sessões de jogos com amigos), conjugando a temática com um humor muito próximo de Chefes Intragáveis e uma dupla improvável que destaca o melhor de Jason Bateman e de Rachel McAdams. Ambos dão vida a uma relação construída à volta de uma competitividade quasi-agressiva e que mantém um longo historial de noites de jogos em casa, com amigos. Charadas, Jenga, O Jogo da Vida… São inúmeras as referências à temática, incluíndo breves planos da imagem que dão a breve ideia de que estamos perante um jogo e é esta fusão com o enredo em si que faz tudo fluir e que o distingue no fim de tudo.

A viagem é frenética, explora a relação do casal, os problemas pessoais e a dinâmica com os amigos e gira tudo à volta de um jogo, ou mais especificamente de uma noite de jogos que prometia ser épica, com mistério e crime à mistura num cenário próximo da realidade (muito à imagem dos escape games), mas que acaba por envolver tudo e todos num cenário, real e perigoso, em que as consequências são imprevisíveis, tornando Noite de Jogo numa grande comédia que sabe trabalhar as personagens e sabe atenuar os momentos mais intensos e alucinantes com um tom mais leviano e cómico, derivado de piadas, referências e até mesmo do carismo do próprio enredo, sobretudo pelas interpretações de Bateman e McAdams que funcionam quase como “pão e manteiga” juntos. Esta química entre as personagens, constuída à volta do longo historial familiar e de amizade, cria uma empatia curiosa com espetador logo desde o início, quando damos por nós a torcer por Max e Annie (Rachel McAdams) simplesmente pela química e compatibilidade entre os dois. Talvez a grande surpresa do filme, sobretudo para mim que julgava eu estar perante mais um fenómeno de referências (sobretudo depois de Ready Player One), que acabaram por ser mais subtis e por passar um pouco ao lado no grande plano.

As situações caricatas vão sendo uma constante, sobretudo à medida que o enredo se adensa, mas a profundidade oferecida à medida que as personagens se debatem com as mesmas e a forma como todo o filme tira partido da temática é a cereja no topo do bolo. Vale pela sua simplicidade e irreverência, pela forma como cultiva e desenvolve as suas personagens e entrega uma história com um ritmo alucinante e com uma boa disposição que salta logo à vista. A entrega e potencial são claros e, é difícil não nos sentirmos cativados nem entretidos com uma concretização tão simples e eficaz de um enredo que é familiar, que ganha pontos pela temática e personagens apelativas que carregam o filme. Noite de Jogo cumpriu com as expectativas que gerou, como uma comédia que sabe tirar partido do seu potencial e daquilo que a distingue, com Bateman e McAdams em grande e uma alternância entre momentos de acção e cómicos que intensificam o ritmo do enredo, oferecendo ao mesmo tempo uma grande e divertida experiência para todos.



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