Crítica | Black Panther (2018)

Crítica | Black Panther (2018)

  • De: Ryan Coogler
  • Com: Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong’o
  • 2h14min

(…) é por introduzir pequenas mas notáveis diferenças na fórmula típica da Marvel Studios que o filme de Coogler se destaca de forma especial, (…) ao mostrar que há espaço para a boa-disposição, para as sequências de ação espetaculares (…) e para histórias mais maduras e completas que refletem sobre tópicos complexos, sem perder o que há de fantástico no mundo dos super-heróis.

 

 

Dezoito filmes, dez anos e uma fórmula de sucesso que parece não perder o gás, pelo menos tendo em conta os êxitos mais recentes… O universo cinematográfico da Marvel já teve os seus altos e baixos, mas foi sempre capaz de produzir histórias de super-heróis que, de uma forma ou outra, são mais do que meros produtos de entretenimento, com uma ou outra inovação sobre o género. É a exaustão que aparenta ser o maior adversário deste grande universo, o excesso de histórias e de personagens e a quasi-obrigatoriedade de seguir todos os títulos para ter uma noção geral do progresso da narrativa. Ora, no ano em que o estúdio se prepara para lançar a sequela dos Vingadores que tem vindo a ser antecipada desde o primeiro filme com a aparição de Thanos nos pós-créditos, é este mesmo excesso e grandeza que dão ao filme de Ryan Coogler um brilho diferente.

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Coogler esteve nas bocas do mundo com Creed, e é o homem responsável pelo difícil desafio de criar uma história de origem para uma personagem que no colectivo ainda não teve o seu momento de glória. Mas é isto mesmo que cria a oportunidade de criar uma história diferente da regra. Black Panther acaba por não ser a tradicional história de origem da Marvel, na medida em que explora mais do que a típica ascensão do herói, entrando por um caminho mais sério e político, num debate sobre justiça social que se traduz mais tarde num vilão com uma origem/motivação mais calculada e detalhada.

Aliás, a forma como o desenvolvimento de personagens tem lugar no filme de Coogler é um dos aspectos mais fortes deste, dando lugar a uma sólida adição ao universo cinematográfico. Dou por mim a pensar sobretudo na jovem Letitia Wright, que interpreta Shuri, a irmã do rei T’Challa (Chadwick Boseman) e nas interpretações de Michael B. Jordan como Eric, o vilão da trama a par do temível Ulysses (Andy Serkis) que temos vindo a acompanhar nos restantes filmes, e de Lupita Nyong’o, que complementam a presença dos veteranos Boseman e Martin Freeman.

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A história em si, segue os eventos trágicos de Capitão América: Guerra Civil, quando T’Challa regressa a casa para ser declarado rei de Wakanda, um paraíso oculto por um cenário de guerra e proeza, avançado do ponto de vista tecnológico e industrial à custa da abundância de riqueza mas que se protege dos olhares do mundo, mantendo oculto todo o progresso feito até ao momento. Surge no entanto um desafio a T’Challa que coloca o seu reinado e o futuro de Wakanda em risco, quando os erros do passado e de uma ideologia passiva e protecionista chegam a casa, na pele de um jovem com uma ambição desmedida e um sedento desejo de vingança.

A temática mais política é séria serve então não só como complemento à história de origem de Black Panther, mas com ponto de destaque por oferecer uma visão mais ampla e crítica do mundo e que contribuí de forma muito positiva para o desenvolvimento das personagens. A complementar tudo isto, é a banda-sonora fantástica que acaba por servir como complemento ideal, oferecendo uma série de temas que contribuem para uma harmonia que salta à vista. E é por introduzir pequenas mas notáveis diferenças na fórmula típica da Marvel Studios que o filme de Coogler se destaca de forma especial, ao juntar mais uma vez um elenco notável e ao mostrar que há espaço para a boa-disposição, para as sequências de ação espetaculares que definem o género e para histórias mais maduras e completas que refletem sobre tópicos complexos, sem perder o que há de fantástico no mundo dos super-heróis.



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