Crítica | A Agente Vermelha (2018)

Crítica | A Agente Vermelha (2018)

  • De: Francis Lawrence
  • Com: Jennifer Lawrence, Matthias Schoenaerts, Joel Edgerton
  • 2h20min

A Agente Vermelha acaba por ser o palco de uma das interpretações mais fortes e ousadas da carreira de Jennifer Lawrence, que se entrega aqui com tudo o que tem e que carrega um enredo desafiante e provocador.

Não é nada fácil falar d’ A Agente Vermelha… O tom pesado, misterioso e sedutor que carrega camufula um enredo de interrogações, com falhas claras e o irritante inglês falado com um sotque russo que perdura quase duas horas e meia. Francis Lawrence apresenta-nos aqui uma história longa, cruel e um tanto ou quanto desiquilibrada com a Guerra Fria em plano de fundo. Uma história que se foca numa classe dos serviços secretos russos treinada para seduzir e manipular as vítimas, recorrendo a todos os meios possíveis e imaginários, servindo de arma principal em missões secretas de alto risco. Ora é neste cenário que conehcemos Dominika Egorova (Jennifer Lawrence), uma jovem bailarina cheia de sonhos e ambições, que carrega consigo a necessidade de proteger a sua mãe debelitada em casa. Após um terrível acidente em pleno palco, que lhe custa toda  sua carreira, Dominika vê-se confinada a um futuro incerto e acaba por ceder à manipulação do seu perigoso tio Ivan (Matthias Schoenaerts) e tornar-se assim numa recruta da escola responsável por preparar as ditas cujas agentes. O processo, sádico e preverso, é apenas um dos pontos em que o filme acaba por se descarrilar e perder um pouco o rumo, não existindo necessidade nem sendo possível perceber o porquê de todo aquele treino, sobretudo face à conclusão abrupta do mesmo.

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Ao serviço do seu país, Dominika, vê-se no meio de um autêntico jogo de espiões, repleto de situações intensas e de alto risco, acabando por arriscar a sua vida e a de todos os que lhe são importantes para manipular um agente da CIA que aparenta ser a chave para a descoberta de um traidor nos serviços secretos. A grande interpretação de Jeniffer Lawrence, ousada e sedutora, numa autêntica imagem de femme fatale, é o que carrega o filme com uma intensidade provocadora, equilibrando os problemas do enredo. Tudo à custa de uma personagem com uma personalidade e motivações fortes que carrega um enorme desejo de vingança e que é capaz de manipular tudo e todos, de tal forma que se torna complicado confiar em quem quer que seja. São as dores e os desafios de Dominika que fazem valer a pena este conflito entre duas nações, o que me leva dizer que todo o potencial d’ A Agente Vermelha se deve à grande prestação da actriz, mesmo com um péssimo sotaque que se perde nos momentos mais intensos quando esta eleva o tom de voz.

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Há aqui dois planos, o drama familiar, e o conflito pós Guerra Fria, que se cruzam com o tio de Dominika, pessoa influente no país e cujos desejos se parecem sobrepor de forma irrealista ao limite do que é razoável. Por um lado, são várias as vezes que assistimos Dominika ser destacada para as missões sozinha por questões familiares, e por outro, são tantas outras aquelas em que o tio de Dominika se vê manipulado, confiando cegamente nos jogs psicológicos da agente. Há também pontas soltas pelo meio, mas o desenvolvimento de Dominika ao longo do filme acaba como que compensar estes momentos menos bons, pela forma como esta joga e manipula por completo o cenário à sua volta. Há também a estranha questão de levar agentes secretas desarmadas para o terreno em missão, confiando apenas na sua capacidade de manipulação e sedução, o que pode fazer sentido face ao rígido e desconfortável treino a que são sujeitas mas que não deixa de ser um ponto de falha numa guerra ainda acesa.

Este não é de todo um dos melhores exemplos de histórias de agentes secretos, mas a interpertação ousada e marcante de Jennifer Lawrence acaba por colmatar as falhas do enredo, focando todas as atenções no desenvolvimento e nas acções da sua personagem e deixando para segundo plano o mistério e o cenário de guerra. A intensidade em alguns momentos é a adequada mas acaba por ser prejudicada por um exagero no grafismo que se torna por vezes desconfortável. Mas por mais falhas que mencione, não posso deixar de referir que o filme de Francis Lawrence deixa uma marca curiosa, sobretudo nos últimos momentos, próximos do desfecho, tirando partido deste jogo de sedução e manipulação para provocar o espetador. A Agente Vermelha acaba por ser o palco de uma das interpretações mais fortes e ousadas da carreira de Jennifer Lawrence, que se entrega aqui com tudo o que tem e que carrega um enredo desafiante e provocador.



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