Crítica | Eu, Tonya (2017)

Crítica | Eu, Tonya (2017)

  • De: Craig Gillespie
  • Com: Margot Robbie, Sebastian Stan, Allison Janney
  • 2h

Carregado com a força de carácter e energia contagiante de Margot Robbie na pele de Tonya Harding e, com uma interpretação fantástica de Allison Janney, Eu, Tonya é uma biografia invulgar, com um tom algo cómico, apelativo e ligeiro que disfarça a luta incansável de Harding na sua carreira como patinadora.

 

 

 

A forma como Margot Robbie veste a pele da mítica patinadora olímpica Norte-Americana, Tonya Harding, mundialmente reconhecida como a primeira a executar com sucesso o Triple Axel, um salto que requer uma enorme perícia e que é um dos movimentos mais complicados da patinagem no gelo, é o que dá uma força do outro mundo a esta história irregular de conquistas e derrotas. Eu, Tonya é um relato pessoal, vivo e presente de uma atleta que se sentiu sempre abaixo das expectativas e das exigências do mundo, que tentou derrubar todos os obstáculos e lutar contra o elitismo da sua modalidade. Há um tom crítico e dramático na forma como somos confrontados pelas dificuldades de Tonya Harding, motivadas pela sua difícil situação financeira e pela ideologia estilista e de superioridade que assenta nos comités da modalidade, tornando-se sufocante assistir aos confrontos constantes e aos obstáculos aparentemente impensáveis.

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A interpretação de Margot Robbie é portanto o centro de todas as atenções e o marco que carrega uma narrativa biográfica, numa postura diferente dos papéis que tipicamente desempenha, apresentando-se aqui com um ar mais natural e abatido que contribuí para toda a representação dos conflitos de Harding ao longo da sua vida e carreira. Mas o tom mais sério e vitorioso que aqui menciono é de certa forma abafado pela história bizarra dos acontecimentos que antecedem os Jogos Olímpicos de Inverno de 1994. Perante a sua última oportunidade de conseguir uma medalha olímpica, Harding vê-se no meio de um esquema descabido e mal planeado que concluiu numa violenta agressão à sua maior adversária.

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É daqui que parte o conflito quase cómico entre Tonya e o ex-marido, na forma como estes descrevem os eventos que antecederam o terrível incidente, cheios de contradições e de peripécias insólitas. E se não bastasse esta relação, reflectida por uma química invulgar, a difícil mãe de Harding acaba por ser a cereja no topo do bolo, à custa de uma fantástica interpretação de Allison Janney, que se caracteriza por uma educação surreal e por ideais e uma postura que a tornam no espelho dos azares da filha e dão a motivação e a força que Tonya precisa para brilhar e tornar-se na heroína da nação, mesmo que por breves momentos.

É a forma inacreditável e bizarra como tudo aconteceu e como Harding perdeu tudo que demonstra o aspecto mais amargo e complicado da história. Sobretudo quando temos em conta a forma como abdicou de tudo o resto, obrigada pela mãe e como lutou de forma incansável pela sua carreira, confrontada por tudo e todos, tornando-se num exemplo e alcançando uma vitória histórica. Eu, Tonya acaba por ser uma homenagem ou pelo menos uma tentativa de virar a página e de mostrar as dificuldades que Tonya enfrentou, apresentando uma perspectiva que a coloca como vítima da sua ambição e dos seus triunfos. É contagiante e ao mesmo tempo devastador ver a forma como Tonya se debate contra o mundo e contra os que lhe são mais queridos, sobretudo a mãe. Carregado com a força de carácter e energia contagiante de Margot Robbie na pele de Tonya Harding e, com uma interpretação fantástica de Allison Janney, Eu, Tonya é uma biografia invulgar, com um tom algo cómico, apelativo e ligeiro que disfarça a luta incansável de Harding na sua carreira como patinadora.



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