Crítica | A Forma da Água (2017)

Crítica | A Forma da Água (2017)

  • De: Guillermo del Toro
  • Com: Sally Hawkins, Michael Shannon e Octavia Spencer
  • 2h3min

A Forma da Água funciona como um romance invulgar com os seus altos e baixos, que se devem não à relação mas ao clima instável, e atrai à custa sobretudo da curiosidade que gera à sua volta e das grandes interpretações de Hawkins e Shannon.

 

 

Em A Forma da Água, Guillermo del Toro apresenta-nos toda uma panóplia de eventos invulgares num cenário envolto de tensão entre os EUA e a Rússia. Apoiado neste período de conflito, o enredo dá-nos a conhecer um centro de investigação aeroespacial, no qual seguimos ao detalhe o dia-a-dia de duas auxiliares, Elisa (Sally Hawkins) e Zelda (Octavia Spencer). Elsa é muda e tem uma rotina diária coordenada ao detalhe e Zelda é como que um pilar e um ombro amigo, que está sempre ao seu lado. Ora, quando tudo parecia normal centro de pesquisa, eis que Richard Strickland (Michael Shannon), um homem impiedoso e implacável, traz um activo misterioso para ser analisado ao pormenor, sempre com a guerra fria em plano de fundo. O activo, uma criatura anfíbia de aspecto quase humano, suscita curiosidade e desperta o medo aos que o contemplam, à excepção de Elsa, que desenvolve uma certa química com a criatura e que se torna próxima desta, acabando por conseguir comunicar e transmitir emoções, tornando assim a descoberta do activo na origem de uma invulgar história de amor.

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Há que dar crédito e torcer pela originalidade que del Toro procura dar a uma aparente história romântica com muitos planos de fundo, intriga e tensão. As personagens sobretudo Elsa e Richard são desenvolvidas de forma emotiva e detalhada, procurando despertar as reações do espectador quando a tensão aumenta. E existe uma constante transição de estados de espírito na qual tão depressa estamos envoltos numa história de amor emotiva e cativante entre duas personagens que se conhecem e desenvolvem um sentimento muito forte de forma peculiar, como acabamos afetados pela tirania e ambição desmedida de Richard Strickland. Mas a diversidade de planos acaba por dificultar o foco no que realmente importa para a história, a estranha e curiosa relação entre Elsa e a criatura que cultivam um sentimento intenso e poderoso um pelo o outro, o que cria uma bonita harmonia na tela mas também momentos algo peculiares e que levam o romance ao exagero e a um ponto menos confortável.

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No fim de contas, este é um romance camuflado numa história de guerra e de ambições desmedidas, sobretudo de Richard que é demasiado focado e impiedoso, levando-me ao factor que cria mais discórdia na minha cabeça, um exagero visual e linguístico, por vezes desmedido e forçado que não se enquadra no filme. Mas por muitos pontos menos bons que apresente aqui não posso deixar de afirmar que acabei por ficar a favor do resultado final, porque mesmo com os problemas, A Forma da Água funciona como um romance invulgar com os seus altos e baixos, que se devem não à relação mas ao clima instável, e atrai à custa sobretudo da curiosidade que gera à sua volta e das grandes interpretações de Hawkins e Shannon.

 

 



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