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Crítica | Thor: Ragnarok (2017)

  • De: Taika Waititi
  • Com: Chris Hemsworth, Tom Hiddleston, Cate Blanchett
  • 2h10min

Ao fazer-se uma análise cuidada de todos os títulos do universo Marvel, desde os primórdios de Homem de Ferro, verifica-se uma evolução gradual e de destaque naquela que é a fórmula dos filmes de super-heróis, no estilo e sobretudo nas narrativas que começam a tornar-se mais apelativas sem comprometer o fator espetáculo. Em Guardiões da Galáxia vimos um estilo e um apreço completamente diferentes da norma e pode-se dizer que o carácter inovador introduzido por James Gunn permanece no espírito da Marvel. Homem-Formiga foi outro exemplo da existência de espaço para mudar e cativar novos públicos, tornando cada vez mais ambicioso este longo projecto que se torna cada vez mais complicado de seguir pelas inúmeras personagens e pequenos enredos que surgem filme após filme. Para que conste nunca fui um grande adepto de Thor. Talvez pelo tom mais tradicional e exagerado do ponto de vista visual, onde foi posta de lado a vontade de surpreender e cativar o público. Os mais recentes títulos, a presença de Cate Blanchett como vilã e o estilo quase psicadélico dos trailers contribuíram, no entanto, para suscitar algum entusiasmo, contido para evitar desilusões.

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Na dúvida entre mais uma pequena desilusão e um pequeno triunfo para o universo cinematográfico Marvel, o resultado final convergiu claramente para a última opção, não tanto pela história em si, que de premissa e enredo não dista muito dos restantes filmes dedicados ao deus do trovão, mas sim pelas personagens e pelo estilo tão retro, e tão on spot que transforma por completo o filme. Os efeitos são visualmente apelativos e conjugam-se numa clara harmonia com uma banda-sonora que nos transporta para uma espécie de futuro nostálgico. O estilo de Taika Waititi torna-se assim num exemplo notório da vontade de inovar e de transformar a fórmula típica do género. A estética apelativa e o tom mais cómico e ligeiro assemelham-se um tanto ou quanto com Guardiões da Galáxia e Doutor Estranho, contribuindo com um toque mais pessoal e cativante a uma personagem que se viu sempre confinada a poucos riscos.

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De facto, com Thor, a Marvel manteve sempre uma postura mais reservada, e talvez isso justifique o fator surpresa deste terceiro capítulo, que tira partido de um elenco notável de actores (Cate Blanchett, Idris Elba, Anthony Hopkins, Mark Ruffalo, entre tantos outros) aos quais se juntam a dupla inconfundível de irmãos da Marvel composta por Thor (Chris Hemsworth) e Loki (Tom Hiddleston). Esta “equipa” de sucesso continua a mostrar potencial na dinâmica dos heróis da Marvel e a adição de mais umas quantas personagens ao enredo, contribuí de certa forma para o desenrolar da narrativa global que se prepara para um final próximo. Das habituais interpretações, sempre competentes e carismáticas dos dois irmãos míticos, não existe nada a acrescentar, sendo este um dos pontos mais positivos dos capítulos dedicados a Thor. Há sim que destacar a presença de Mark Ruffalo e Cate Blanchett, que acabam por fazer toda a diferença na dinâmica da história. Ainda que Blanchett tenha tido uma presença dominante no ecrã, há que afirmar a perda de potencial desta vilã perante o encontro Thor/Hulk. Com os dois juntos, quase que fica no ar a ideia de que Thor: Ragnarok são dois filmes distintos. Fruto disto é a química que a Marvel tem vindo a trabalhar e as situações peculiares em que estes se envolvem.

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Dou por mim, pela primeira vez, a torcer por Thor, havendo talvez uma relação entre a minha opinião e o novo corte de cabelo de Hemsworth. Waititi consegue transformar uma história típica numa experiência agradável e divertida, com um estilo que capta detalhes nostálgicos e futuristas, levando-nos ao passado, com um visual muito pessoal e uma banda sonora mais retro. Este é um Thor mais ligeiro, com uma certa graça que funciona e é apelativa, um filme que tira partido da construção do universo Marvel, jogando com as relações entre as personagens para aproveitar a empatia já estabelecida com o espetador e que dá ao mesmo tempo um contributo especial, ao atribuir ao deus dos trovões uma presença mais notável e de destaque. A nível de contributo para a história global, Thor: Ragnarok, pode-se dizer que é quase inexistente, servindo este filme mais para reunir heróis e fazer a ponte para os capítulos finais. A história funciona, com uma vilã com algum carisma e presença que são frutos da deslumbrante Cate Blanchett e a energia contagiante da dupla Hiddleston/Hemsworth, numa harmoniosa combinação com visuais apelativos, cheios de cor e luz, que roçam por breves momentos o estilo mais psicadélico de Doutor Estranho, e uma banda sonora que soa mesmo bem. No fim de contas o melhor filme, até à data, dedicado à personagem mítica, que eleva a presença desta no universo Marvel.

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