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Crítica | O Círculo (2017)

  • De: James Ponsoldt
  • Com: Emma Watson, Tom Hanks, John Boyega
  • 1h50min

Mas onde é que eu já visto, hein? Uma empresa tecnológica que domina o mercado e que tem domina a vida de todos os utilizadores, com e-mails, redes sociais e que procura ter uma presença cada vez mais constante no dia-a-dia com a velha máxima de facilitar a nossa vida… O Círculo retrata a história de uma empresa e de uma sociedade não muito distintas da nossa realidade. Uma premissa que tinha o potencial de desafiar e criticar o nosso estilo atual de vida, tornando-se mais do que um mero produto de entretenimento mas que falha aqui redondamente, perdendo todo o seu potencial à medida que a narrativa avança numa direção previsível e sem qualquer espírito crítico.

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Esta é a história de uma empresa que domina o mundo e o dia-a-dia de todos nós e que decide ir um pouco mais longe, preparando-se para monitorizar cada minuto e segundo das nossas vidas ao detalhe, procurando saber tudo sobre os utilizadores. É neste período de inovação e promessas que entra Mae Holland (Emma Watson), uma jovem com uma enorme ambição de fazer algo que possa ter significado e mudar o rumo desanimador em que a sua vida se encontra. À medida que ultrapassa os obstáculos iniciais e que vê os seus ideais e mentalidade serem alterados pela política da empresa e pela sociedade no geral, Mae sobe cada vez mais na carreira e torna-se objeto de interesse para o fundador da empresa, interpretado por Tom Hanks, para preparar aquele que será o maior salto na história de empresa e que coloca em risco os direitos à privacidade e à liberdade individual, desafiando os princípios éticos com o objetivo de auxiliar e facilitar a vida dos utilizadores.

Perante esta narrativa tão presente no nosso dia-a-dia, seria de esperar ou pelo menos desejável algum investimento do ponto de vista crítico ou pelo menos uma história que se desenvolvesse questionando as objeções éticas e morais e os desafios deste novo projeto. Em vez disso, O Círculo segue um caminho mais fácil e virado para o entretenimento. Ainda que Mae adira com entusiasmo a esta “experiência” social, assistimos por vezes à colocação de alguns desafios e obstáculos que levantam questões relativamente à legitimidade e à forma como a nossa privacidade está em risco, mas todos estes passam despercebidos servindo de mero adereço para uma narrativa que caminha para um final tolo, apressado e desprovido de coragem.

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Ainda que existam motivações na vida da protagonista, é deveras complicado assistir com ânimo à forma como esta abandona os seus ideais e crenças de forma ingénua e repentina, sem questionar os perigos e a invasão à sua vida pessoal. À medida que o tempo passa, vemos a narrativa a desenvolver-se de forma desapontante, com justificações e motivações apressadas e mal justificadas e desfechos que são previsíveis no mau sentido. Tudo tão plastificado, tão modelado como se de um anúncio se tratasse. Um anúncio dispendioso, com um elenco de grandes nomes que poderia servir de alerta para os riscos impostos pela tecnologia nos dias de hoje mas que cai no ridículo e no disparatado, sem aproveitar o seu potencial e sem incentivar o espetador a refletir um pouco sobre as semelhanças com a realidade actual, servindo assim apenas como mero produto de entretenimento.

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