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Crítica | Annabelle 2: A Criação do Mal (2017)

  • De: David F. Sandberg
  • Com: Anthony LaPaglia, Miranda Otto, Stephanie Sigman
  • 1h49min

Quando olhamos para Annabelle 2: A Criação do Mal é importante situarmo-nos no universo em que este se insere. Estamos perante a prequela de uma prequela, a história de origem de uma boneca, que do nada se tornou importante e cuja aparição interior não foi de todo bem sucedida. É no fim de contas uma tempestade perfeita de condições que provavelmente irão resultar num filme desapontante. Tornou-se um hábito… A construção de universos cinematográficos passou a fazer parte do nosso dia-a-dia. O universo de The Conjuring tem tido entradas interessantes e eficazes, que elevam o estatuto do terror comercial na medida em que nos apresentam histórias curiosas, uma combinação equilibrada de sustos e tensão que tem resultado em produtos de entretenimento. A barreira entre o terror comercial e o terror indie é notória e o sucesso de The Conjuring deve-se sobretudo às personagens, aos detalhes e aos elementos deliciosos das histórias que nos deixam colados ao lugar, na expectativa e sob uma tensão enorme à medida que os sustos intercalam com algum drama. Ora, ao contrário do que seria expectável, a prequela da prequela deste universo de Ed e Lorraine Warren acabou por se tornar numa autêntica caixinha de surpresas, num filme de terror eficaz e curioso, que sabe jogar com o público e é capaz de proporcionar momentos arrepiantes.

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O factor crianças é aqui fulcral, com um grande destaque para Lulu Wilson que me deixou perplexo e fascinado durante todo o filme com uma interpretação de grande nível que funciona graças à sua inocência e à forma como interage com as manifestações malignas, com as fragilidades da sua personagem. De um modo geral, a razão principal pela qual o filme funciona é à custa de interpretações inocentes, credíveis e emotivas de um elenco juvenil que consegue facilmente estabelecer uma relação com o espetador. A história é de certa forma familiar, uma história de origem que faz uso de um fórmula típica do género. Uma manifestação maligna que se apodera de uma boneca de madeira, Annabelle, e que amaldiçoa o seio da família que a criou. Anos após um terrível acidente, a família decide que talvez esteja na altura de contribuir para com a comunidade e de ajudar crianças que precisem de conforto e de amor. É aqui que as crianças entram em cena e que assistimos à evolução de Talitha Bateman, como Janice, uma jovem debilitada cuja curiosidade a leva a descobrir Annabelle e as forças que se escondem nesta.

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À primeira vista, Annabelle 2: A Criação do Mal é completamente desnecessário… Para quê juntar mais história, mais enredo a um universo que por si só já tem potencial para funcionar? Mas à medida que o enredo se desenvolve e que vamos conhecendo os detalhes e mergulhamos bem fundo no mistério que se adensa vemos um spinoff desnecessário adquirir um potencial e um interesse muito curiosos, oferecendo assim uma visão mais profunda sobre a temível boneca. Os pequenos sustos são inevitáveis no inicio e levados um tanto ou quanto ao exagero até que a história ganhe o seu ritmo e que o espetador se sinta ligado às personagens. A maioria destes não tem qualquer propósito a não ser contribuir para uma experiência de terror para um público mais abrangente e enfraquece de certo modo o tom e o ritmo que a história vai adquirindo. A banda-sonora e os efeitos sonoros são portanto utilizados de início como auxiliares para provocar o susto mas à medida que o enredo se desenvolve estes contribuem para a tensão e para o desfecho assustador deste. É na segunda metade do filme de David F. Sandberg (o homem por trás de Lights Out) que vemos a história a merecer a nossa atenção e fascínio. Sandberg consegue provocar-nos com elementos e detalhes tão simples e marcantes, recorrendo à fórmula funcional de The Conjuring e combinando este efeito curioso com as interpretações de grande nível do elenco mais jovem.

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Ainda que o enredo não seja marcante, Annabelle 2: A Criação do Mal está à altura dos restantes títulos do universo em que se insere, oferecendo uma experiência assustadora e emotiva que promete provocar alguns sustos e saltos das cadeiras e ao mesmo tempo levar ao limite os nossos nervos com um desfecho intenso e assustador. É um produto de entretenimento que surpreende e que, ao contrário do esperado, prova que tem potencial e que merece fazer parte da história global. Uma experiência agradável e assustadora que tira partido da inocência do seu elenco para levar o espetador a sentir-se ligado e cativado pelas personagens à medida que aguarda com alguma apreensão e receio um desfecho que promete ser duro e aterrador e que cumpre com essas expectativas. De um início mais pobre a um final recheado de momentos intensos, a prequela de Sandberg é uma experiência desafiante e eficaz que deve ser vista pelos fãs do género.

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