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Crítica | Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (2017)

  • De: Luc Besson
  • Com: Dane DeHaan, Cara Delevingne, Clive Owen
  • 2h17min

A nova obra intergaláctica do realizador francês Luc Besson é o resultado final de um sonho pessoal e de um projecto ambicioso. Uma mega produção europeia de centenas de milhões de euros que só agora viu as condições para a sua produção e que culminou num resultado final visualmente apelativo, frenético e cativante que coloca em alta as expectativas em relação a futuros projectos. Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é uma adaptação da banda-desenhada francesa de ficção-científica Valérian and Laureline que se foca nas aventuras de dois agentes espaciais, Valerian e Laureline, em missões desafiantes pelo espaço fora.

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É ao som de Space Oddity de David Bowie, que assistimos ao futuro da exploração espacial da nossa espécie, à medida que seguimos a expansão da Estação Espacial Internacional, ano após ano, e a partilha de conhecimento entre outras espécies, numa espécie de introdução ao universo fantástico de Valerian e a Cidade dos Mil Planetas. No limite da expansão, a Estação, apelidada de Alpha, a cidade dos mil planetas onde todas as espécies convivem e partilham informação e conhecimento, é enviada para bem longe da Terra. E é depois desta pequena introdução, visualmente apelativa com uma combinação de luz, cor e uma música de fundo mais do que apropriada, que viajamos ao século 28, para conhecer os dois agentes especiais Valerian (Dane DeHaan) e Laureline (Cara Delevingne), convocados para uma missão de alto risco por uma espécie de ONU universal que parece ser a única forma possível de salvar Alpha. A história centra-se no misterioso desaparecimento do planeta Mül, oculto na história e informação disponível e nos sobreviventes da tragédia que vagueiam pelo universo em busca de algo que lhes pertence. É aqui que os enredos se cruzam e que entramos numa viagem intergaláctica épica, uma aventura envolta em mistério e em perigos desconhecidos.

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A adaptação de Luc Besson está apetrechada de elementos conhecidos, batalhas espaciais, guerras entre espécies alienígenas e toda uma fusão de luz, cor e sequências fantásticas que nos transportam para um universo rico e visualmente fascinante. Os detalhes, a magnificência de Alpha e possivelmente todos os elementos que compõem o cenário constituem o ponto mais positivo desta obra de Besson, um exercício apelativo e cativante que se constrói à volta de uma utilização fantástica de CGI. A premissa no geral parece ser um aglomerado de histórias já familiares (Star Wars, Indiana Jones, The Matrix…), o que lhe adiciona uma certa energia e um carácter familiar muito positivos. O carácter mais misterioso, providenciado por um comandante com uma personalidade obscura e algo cruel, contribuí para a criação de uma espécie de vilão que funciona e é eficaz para a história. É, no fim de contas, fácil sentirmo-nos atraídos por este universo e estarmos empolgados na aventura, mas existem, contudo, condicionantes que prejudicam a fantasia de Besson. Ainda que as interpretações de Dane DeHaan e de Cara Delevingne estejam à altura do filme, a química entre estes é por vezes estranha e não parece de todo natural. Isto prejudica alguns dos momentos do filme, sobretudo os que se focam na construção da história entre os dois agentes. Há também uma tentativa de usar humor sem necessidade, para chegar talvez a um público mais diversificado e a narrativa é contada de forma pouco equilibrada, existindo momentos cheios de acção e outros que cortam em demasia o ritmo acelerado da aventura.

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Com todos estes factores a pesar e mais um punhado de personagens interessantes e criativas e uma série de sequências visualmente fascinantes e apelativas, o resultado final de Valerian é uma experiência divertida, cativante. Visualmente um dos filmes mais bonitos dos últimos anos, uma aventura agradável para a família com peculiaridades e detalhes que fazem a diferença na medida em que cativam o espetador e o levam a sentir-se envolvido numa emocionante aventura. Há contudo os fatores que quebram a dinâmica e o lado mais cativante e criativo do novo filme de Luc Besson, mas Valerian e a Cidade dos Mil Planetas acaba por se tornar num filme divertido, numa aventura para as próximas gerações cujo tom criativo e cativante o pooderão tornar num autêntico fenómeno de culto no futuro.

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