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Crítica | KUSO (2017)

  • De: Flying Lotus
  • Com: Hannibal Buress, George Clinton, David Firth
  • 1h45min

Dou por mim a delirar, atónito, chocado, enjoado e de certa forma intrigado com a parafernália de histórias e personagens bizarras que desfilam em KUSO. Não sei o que dizer, não sei como reagir, nem sei se consigo atribuir qualquer tipo de significado ou compreender o que acabei de ver. O que raio acabei de ver? Histórias aleatórias, personagens e efeitos visuais esteticamente bizarros e delirantes, momentos nojentos e estranhos… KUSO é um estranho caso do cinema que sabe aquilo que é e que brinca com um monte de situações peculiares e algo dantescas que provocam o espetador a todos os níveis. Difícil de assistir por vezes e único à conta de um estilo original que goza de um universo bizarro, é uma experiência que não tenciono repetir mas que ao mesmo tempo é uma demonstração de liberdade e loucura que não passa despercebida.

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Assistimos aos relatos dos sobreviventes de um terramoto, dignos de um autêntico pesadelo, intercalados por ruído estático, anúncios para adultos e toda uma panóplia de temas sem nexo e transições psicadélicas de imagens e momentos. Por mais que tente não consigo entender as conexões entre as histórias, a necessidade de provocação visual e sonora com fart jokes, estereótipos, e com o uso e abuso de elementos nojentos para provocar alguma agonia e desespero, mas dou crédito a todo este carácter bizarro do filme que nos expõe a um universo alternativo, transfigurado e mutilado, em que existem monstrinhos alojados dentro dos humanos, personagens aterrorizadas e constantemente expostas e desafiadas pelos seus medos.

À medida que escrevo umas palavras sobre toda esta experiência, dou por mim a pensar que talvez tudo isto tenha um propósito, um motivo e que talvez exista uma mensagem ou algo a retirar de KUSO, como uma crítica aos valores da sociedade moderna ou à exposição constante a entretenimento mas por mais que me esforce, não o consigo compreender e talvez seja este o objetivo. KUSO é no fim de contas um filme experimental, uma exposição de aleatoriedade e momentos bizarros, delirantes e repugnantes, que mantém um tom negro e uma banda sonora adequada durante toda a sua duração.

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Uma experiência forte e brutal em termos visuais que tem sido descrita frequentemente como uma das mais repugnantes e nojentas da história do cinema, para a qual contribuem inúmeras sequências e momentos que são difíceis de assistir. Longe da minha compreensão, KUSO parece o resultado final de uma reunião de brainstorming em que todas as ideias colocadas no quadro branco são recriadas e misturadas de forma aleatória com um evento a uni-las. Um filme experimental, da autoria de Flying Lotus, que poderá tornar-se de culto à custa de ciclos e festivais de filmes fantásticos e de terror, precisamente à custa da sua estranheza e daquilo que o torna incompreensível.

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