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Crítica | Lady Macbeth (2016)

  • De: William Oldroyd
  • Com: Florence Pugh, Cosmo Jarvis, Paul Hilton
  • 1h29min

É em plena Inglaterra rural, no decurso do século XIX, que conhecemos a história de Katherine (Florence Pugh), uma jovem vítima e oprimida de um casamento de conveniência, a viver como escrava às mãos de um marido com o dobro da sua idade, frio e sem qualquer demonstração de amabilidade ou simpatia, e do sogro, um homem temível e desprezível que força Katherine a cumprir as suas funções como mulher devota. É assim que damos de caras com Lady Macbeth, uma adaptação de William Oldroyd, que explora um pesadelo de uma jovem rapariga a viver uma vida triste e sem qualquer tipo de motivação. A interpretação de Florence Pugh chama-nos desde logo a atenção, a inocência da sua expressão e a forma como goza e procura se libertar das rédeas dos homens que a comandam dão um ar da sua graça e da ambição que tem por uma vida melhor.

E é sob esta premissa que vemos surgir uma relação amorosa viva e fogosa entre Katherine e um jovem empregado da propriedade. Uma relação poderosa, quase carnal e natural que os leva a partilhar momentos intensos e apaixonantes enquanto aproveitam a ausência dos mestres da casa. São as intrigas no interior da propriedade e a forma como os dois interagem que assemelham o filme a uma novela histórica. Vemo-nos de repente confrontados por uma relação inesperada e sentimos a forte união entre os dois jovens à medida que o tempo passa.

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Desta paixão ardente surge uma força e uma ambição tresloucadas que vão levar Katherine a fazer de tudo para alimentar os seus desejos, surgindo do ar mais inocente e jovial uma vontade de tirar do caminho todos os obstáculos que se apresentem à sua frente, levando-a a cometer as mais temíveis atrocidades. Lady Macbeth distingue-se à custa de uma protagonista invulgar, com uma evolução na personalidade que nos cativa enquanto a narrativa se revela cada vez mais trágica. Uma história à partida familiar que adquire contornos obscuros e que é contada com um tom que oscila entre o romance e o suspense. Das mãos de William Oldroyd chega-nos um drama brutal e intenso que brilha e cativa pela energia e naturalidade que é transmitida no ecrã.

É fascinante ver a forma como a acção se desenrola e como as personagens se confrontam numa história de amor negra e violenta, com personagens que giram à volta de uma protagonista de peso que se transfigura à medida que o filme avança de uma jovem inocente para uma mulher loucamente apaixonada e com uma ambição desmedida, numa transição de drama para suspense que merece a atenção do espetador. Lady Macbeth explora as sensações e emoções do espetador e é brilhante pela forma cruel e fascinante como nos apresenta uma aparente história de amor. Um clássico não julgues um livro pela capa convertido numa narrativa brutal e emotiva que se tornou num dos meus favoritos do ano.

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