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Crítica | Dunkirk (2017)

  • De: Christopher Nolan
  • Com: Fionn Whitehead, Damien Bonnard, Aneurin Barnard
  • 1h46min

Já muito se escreveu e se falou sobre Dunkirk, muitas coisas boas e ao mesmo tempo aspectos menos bons que têm vindo a ganhar força em críticas mais recentes. Procurei refletir um pouco a minha opinião depois de assistir à nova obra de Christopher Nolan em formato IMAX e devo começar por referir o óbvio: Nolan tornou-se no rei dos blockbusters, na arma predilecta da Warner Bros. e num triunfo da indústria cinematográfica. É um realizador que sabe cativar e empolgar uma audiência com histórias que não seguem a regra e que é capaz de mobilizar as massas como ninguém e de conquistar tanto público como a crítica no geral. Dunkirk não é o seu melhor trabalho e destaca-se por se afastar um pouco das suas últimas obras. Ao contrário dos enredos mais complexos e arrojados e das personagens que se tornam memoráveis, em Dunkirk a narrativa é o simples retrato de uma história épica de sobrevivência.

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Longe de um estilo mais confortável, Nolan procura criar um autêntico cenário de guerra, com explosões e tiros ensurdecedores, sequências visualmente intensas e momentos que proporcionam uma sensação de angústia, medo e desespero. É um épico diferente daquilo que o género já nos brindou, na medida em que o estilo biográfico e emocional é aqui substituído por uma vertente mais documental e experimental. A narrativa é simples, a história de sobrevivência de centenas de milhares de soldados que se viram encurralados e sem hipóteses de sobreviver, completamente à merecê do inimigo. Em terra, a única hipótese passava por esperar por ajuda no mar e no ar, sem oportunidades para contra-atacar, como se fossem autênticos sacos de pancada. No mar e no ar, os navios de guerra e os aviões da força-aérea numa luta contra o tempo para salvar soldados ingleses e franceses. Imponentes destroyers lado a lado com barcos pesqueiros cedidos por civis é uma imagem que por si só justifica a existência desta história. Uma história brutal que reflete o que há de mais humano em nós, a nossa resiliência, coragem e preserverança e a força que se esconde por entre a esperança.

É fácil sentirmo-nos completamente envolvidos na experiência de Nolan, afectados pelo medo e aflição dos soldados, atacados pelos ruídos ensurdecedores e momentos aterradores e intensos, enquanto torcemos por uma reviravolta gloriosa. É por estar tão bem construído a nível técnico que Dunkirk funciona, uma experiência audiovisual fascinante que tira todo o partido da forma como foi filmada e criada e, que tal como uma estratégia de batalha, foi calculada e pensada ao promenor para cativar a audiência num cenário sem misericórdia. A maior fragilidade surge na narrativa e nas personagens. Uma história que é um mero relato de um episódio de guerra, quase que documental e que no fim acaba por não se tornar memorável por faltar um aspecto mais emocional.

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As personagens são aqui adereços, são os soldados que se viram encurralados e os civis que decidiram auxiliar com tudo o que podiam. Tudo pela pátria, tudo para proteger o seu património e os que mais amam. Personagens que, por esse mesmo motivo, não são tão desenvolvidas, à parte do piloto interpretado por Tom Hardy, que seguimos de forma empolgante em pleno ar enquanto procura derrubar os bombardeiros dos inimigos. Não existe uma backstory nem motivações, nem a narrativa se dedica a explorar as personagens individualmente porque não é esse o objectivo desta, pelo que os momentos que nos sentimos mais ligados a estas são as situações de maior risco, como é o caso de uma sequência em que um grupo de soldados se vê preso no interior de um pesqueiro enquanto o inimigo pratica tiro ao alvo contra este. O tempo aqui parece uma eternidade, no bom sentido, pela forma como nos prende à cadeira e nos envolve no cenário, o que tem o seu quê de irónico face à curta duração do filme.

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Talvez por não haver uma grande ligação com estas, Dunkirk acaba por se tornar numa experiência épica, na qual somos colocados perante um autêntico cenário de guerra. Uma história simples de sobrevivência que, ainda que não seja memorável, tem o seu quê de soberbo e de fantástico, ao elevar e homenagear os intervenientes de um episódio de guerra. Christopher Nolan procura aqui criar uma experiência sensorial, tecnicamente brilhante, que nos afecta pelas razões acima referidas, numa história que é contada em várias frentes e em que o tempo desempenha um papel fundamental. Dunkirk distingue-se assim de um género conhecido, pelo desafio que representa ao púbico, uma experiência intensa, algo claustrofóbica e de certa forma stressante, fantástica a nível técnico e que deve ser apreciada pela forma como explora as nossas sensações e emoções.

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