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Crítica | Paterson (2016)

  • De: Jim Jarmusch
  • Com: Adam DriverGolshifteh FarahaniHelen-Jean Arthur
  • 1h58min

Longe dos barulhos ensurdecedores, da grandiosidade visual e do excesso que impera nos cinemas actualmente, surge uma pequena pérola, tímida e segura de si própria, da autoria de Jim Jarmusch. É na bondade, na simplicidade e na inocência de Paterson que surge uma bonita história dos tempos modernos. Uma história que vive e transparece nas palavras, nas ações e nas relações entre as personagens que evoluem de forma natural e pacífica ao longo do tempo. Esta é a história de Paterson (Adam Driver), um motorista de autocarros da cidade de Paterson, com uma paixão admirável pela poesia, que partilha com todos uma amabilidade e simpatia contagiantes. É um filme cujo potencial e interesse está entranhado nas peripécias, nos detalhes e nas personagens que nos transportam para uma realidade não muito distante da nossa, numa exposição amável e cativante da natureza humana próxima do ideal.

Jim Jarmusch cria aqui uma história para mastigar, um lugar para ver e revisitar, deixando detalhes e aspetos para análises posteriores e promovendo uma reflexão mais atenta por parte do espetador. À medida que os dias avançam, vemos o génio de Paterson a revelar-se por intermédio de pequenos poemas de amor sobre os mais curiosos detalhes que adquirem assim toda uma relevância inesperada, como uma simples caixa de fósforos ou um breve momento da vida. É a inocência de Paterson e a sua capacidade de se exprimir em relação ao mundo que o rodeia que torna uma história simples numa experiência verdadeira e cativante, fruto também de uma interpretação cativante de Adam Driver. Uma história de partilha, de convivência, do dia-a-dia de um casal, da sua relação e da interação de Paterson com o mundo.

E o que distingue Paterson de tantos outros dramas é mesmo a forma como nos intriga e fascina, sem precisar de grandes intrigas ou desafios, ainda que tenha o seu quê de desconhecido e de complexo. E ainda que existam elementos que não foram compreendidos por mim, não pude deixar de me sentir cativado pela personagem e pelos afectos expressos e representados. Paterson é, no fim de contas, um daqueles curiosos casos em que a sua beleza está assente na simplicidade e naturalidade, uma ode cativante às palavras, à poesia e à natureza humana que não se desliza em exageros e devaneios e é isto mesmo que o torna especial e verdadeiro. Uma experiência que espero revisitar daqui a uns anos, com mais alguma maturidade, e uma prova viva da importância da simplicidade na arte e na vida.

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