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Crítica | T2 Trainspotting (2017)

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  • De: Danny Boyle
  • Com: Ewan McGregor, Ewen Bremner, Jonny Lee Miller
  • 1h57min

Danny Boyle criou uma autêntica odisseia de vida, no seio dos recantos mais obscuros de Edinburgh, ao seguir a vida de um jovem consumido pelo seu vício, Mark Renton, com ênfase nas relações com a família e amigos. Trainspotting é uma história de amizades intensas com o vício na droga em comum e cujas peripécias e encontros giram à volta de situações caricatas e desafiantes que colocam a obra de Boyle no estatuto de memorável e icónico. De facto é uma autêntica experiência de vida, um relato diferente, crítico e desafiante que vai ao rubro com interpretações memoráveis, servindo de derradeiro pontapé de partida para a carreira de Ewan McGregor.

São estas mesmas intepretações e personagens memoráveis e todas as relações e intrigas entre estas que tornam o filme de Boyle num marco do cinema, oferecendo material para reflexão que ainda hoje é relembrado e discutido. Por tudo isto existiam motivos e espaço para desenvolver toda uma nova história, um re-encontro entre os velhos amigos após um desenlace amargo. Parte daqui a premissa, com o regresso de Renton a Edinburgh e com a descoberta de que as vidas de todos permanecem mais ou menos idênticas. A par do original, permancem os desafios nas relações de ambos, a vontade característica de ganhar dinheiro fácil e o vício e desejo constantes.

Trainspotting sempre foi caracterizado pela crítica presente às mentalidades e às vidas formatadas, sobretudo pelo momento do slogan Choose life, relembrado aqui nesta sequela com a actualização necessária aos tempos modernos. Mas é pelo facto de ser mais uma reunião e uma mera segunda parte que vem ao de cima algum desânimo por uma sequela que tinha tanto potencial e que poderia tornar-se num marco para toda uma nova geração. Não deixa contudo de ser uma história competente, seguindo as pisadas e a fórmula do predecessor, com as personagens a voltarem a cometer erros do passado e a ganância, a ambição e a vingança a dominarem o plano de fundo num ajuste de contas curioso. Danny Boyle recupera os elementos originais para dar a conhecer o desfecho das personagens de Trainspotting, numa experiência mais leve e pacífica que explora apenas alguns dos aspetos que ficaram por resolver.

Há que destacar mais uma vez o impacto das personagens e da história mais ou menos trágica destas que cultiva as recordações do espetador e um breve regresso ao passado que perdeu o carácter mais memorável e cativante, entregando um enredo simpático que é agradável mas não surpreendente. Dos actores nada a apontar, apresentando-se como o ponto forte desta narrativa que tira partido da nostalgia para agradar aos fãs e entusiastas do antecessor. Uma história caracterizada por pequenos momentos deliciosos, reencontros e desencontros, mas que nunca vê a energia nem explora as suas personagens de forma memorável, cumprindo a tarefa de trazer ao de cima um marco do cinema que é uma reflexão sobre a sociedade e a formatação da vida mas ao mesmo tempo incapaz de se re-inventar e de ter o impacto e o potencial desejável.

 

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