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Crítica | Manchester by the Sea (2016)

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  • De: Kenneth Lonergan
  • Com: Casey Affleck, Michelle Williams, Lucas Hedges
  • 2h17min

Há uma força devastadora e bela que nos atrai e nos deixa sem palavras à medida que o tempo avança em Manchester by the Sea. Uma tragédia familiar e um retrato de um trauma que afetou os fortes laços que se estabeleceram é o motivo da revelação soberba de Casey Affleck, numa interpretação emocionante e viva que se destaca pelo luto da sua personagem e pela forma como este lida com a recente morte do irmão. Kenneth Lonergan assina um argumento que nos atrai e nos emociona pela forma como a vida e as relações familiares são ali expostas, espelhando os problemas e as dificuldades que assolam o seio de uma família de uma forma devastadoramente bela.

Ao vestir a pele de Lee Chandler, um homem forçado a regressar a Manchester, a sua terra natal, para cuidar do seu sobrinho Patrick (Lucas Hedges), após a trágica morte do irmão Kyle, Casey Affleck mergulha nos traumas do seu passado e faz uma viagem mental aos velhos tempos, bons e maus, enquanto alterna as recordações de um passado ao lado do irmão e de Patrick com uma situação actual mais complicada e incerta. A interpretação de Affleck, atormentado e devastado pela morte das filhas, cultiva uma estranha empatia à sua volta, ficando no ar uma certa estranheza que se desvanece à medida que mergulhamos bem fundo no seu passado. A par de Affleck é Michele Williams, que veste aqui a pele da ex-mulher Randi, quem demonstra uma força e um carácter impressionante, visível pela forma como lida com o luto e como supera todo o trauma. Ambos com interpretações assoladoras que representam dois pontos de vista diferentes relativamente ao luto e à superação deste, Affleck e Williams são as rodas principais das engrenagens deste drama humano e poderoso.

À medida que Lee conhece e lida com um Patrick mais crescido e desinibido, cultiva-se uma curiosa relação parental em que o feitio complicado do primeiro colide por vezes de forma mais intensa com o jovem. São os últimos passos da adolescência em conflito com mais uma tragédia a assolar a família, o que estimula o contacto entre todos e motiva o retomar de ligações outrora esquecidas. Por entre reencontros intensos, pesados e complexos surge o encanto de Manchester by the Sea, a forma humana e natural como retrata o conflito mental de um protagonista em negação, em luto constante e perdido nesta nova e difícil fase da vida.

Curiosa a forma como o comming-of-age se mistura com a dor da perda, estimulando a reflexão sobre um retrato cuidado, simples e devastador de uma família e, sobretudo de um homem incapaz de ver a esperança e a alegria de viver. Manchester of the Sea é um dos dramas mais belos, trágicos e devastadores dos últimos anos que retrata a perda, o luto e a capacidade de superação perante as tragédias, tornando-se numa conquista para Kenneth Lonergan pela forma como transforma uma história trágica, triste e devastadora num drama belo e emotivo com duas interpretações brilhantes de Casey Affleck e Michelle Williams.

stars_16

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