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Crítica | As Cinquenta Sombras Mais Negras (2017)

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  • De: James Foley
  • Com: Jamie Dornan, Dakota Johnson, Kim Basinger
  • 1h58min

O enorme sucesso d’As Cinquenta Sombras de Grey, impulsionou a saga e tornou a trilogia numa espécie de ida obrigatória ao cinema no dia dos namorados. As mulheres deliram e vibram com a história e os homens esperam pelo momento em que os créditos começam para sair da sala. Pelo menos, é este o cenário usual de uma sessão quase esgotada de um filme que une erotismo, romance e que leva o BDSM ao grande ecrã. Se o primeiro beneficiou de alguma curiosidade, dúvida e desconhecimento, esta sequela tinha a dura tarefa de resolver o que ficou mal no predecessor e de continuar a estimular as fantasias de fãs e curiosos. De facto, ainda o filme ia a meio e já tinha ficado bem clara a ideia de que como filme, As Cinquenta Sombras Mais Negras é desapontante e deixa algo a desejar, ficando atrás do anterior em diversos aspetos. Mas o constante sentido de humor tolo e desajeitado, os momentos sem sentido, a química entre as personagens e a falta de coerência entre os dois filmes, levou-me a encarar o filme de forma diferente, quase que do ponto de vista do “tão mau que é bom”.

Anastacia (Dakota Johnson) é agora uma rapariga livre dos maus-tratos e do mau humor de Grey (Jamie Dornan), pronta a tornar-se independente e com um novo trabalho a caminho. E quando finalmente tudo lhe corre bem, a falta de agitação leva-a a cair nos braços do encantador milionário que a conquistou no primeiro filme, com a promessa de que não haveriam regras nem contratos para cumprir. E se tudo ficasse por aqui teríamos um desfecho coerente e ficaria tudo bem. Até porque finalmente a personagem de Jamie Dornan apresenta algum sentido de humor e é capaz de sorrir, deixando de lado o aspeto mais apático e sério do primeiro filme e a química entre os dois parece mais natural. Mas a história prossegue, sempre com uma tendência inesperada para criar piadas e situações mais ligeiras para desanuviar a atmosfera mais romântica e intensa e no meio do nada Anastacia entrega-se aos desejos e decide voltar ao bem bom e a tudo aquilo que supostamente lhe tinha atormentado no primeiro filme. Palmadas para ali, brinquedos para acolá, um pouco de dirty talk pelo meio… A verdade é que em comparação com o primeiro filme, este é de facto mais agradável e arrojado. As cenas mais provocantes são mais intensas e há um pouco mais de nudez e entrega do que aquilo que se viu no filme anterior, mas é de uma estranheza enorme ver a grande entrega de Dakota Johnson nestes momentos e um Jamie Dornan de calças vestidas, quase que obrigado a ali estar.

Somos convidados a conhecer 3 novos vilões, uma das quais algo acessória à história, aparecendo ali apenas para dar alguma intensidade e suspense ao filme, cujas motivações são ridículas e as ações fazem lembrar as narrativas das novelas como é o caso de “só o queres pelo dinheiro”. E é por esta falta de credibilidade que surgem dificuldades em criar empatia com o espetador e estabelecer ligações com as personagens. À medida que a história avança, é tudo mais do mesmo, mais sexo, mais conversas estranhas, alguns enredos secundários para nos darem a conhecer o passado de Grey, mas há que admitir que tanto Dakota Johnson como Jamie Dornan estão consideravelmente mais empenhados e existe uma maior entrega para fazer com que o filme funcione. Mas por mais tentativas que se façam surge sempre algum momento mais tolo para estragar a progressão natural da coisa. Falo como é claro do momento mais tolo de todo o filme, um acidente de helicóptero que ocupa cerca de 5 minutos e que supostamente coloca a vida de Christian Grey em risco. As notícias falam do trágico acidente e do desaparecimento do milionário, questionando já o que vai ser o futuro da empresa, mas eis que do nada surge a confirmação de que está tudo bem e o homem aparece pouco menos de um minuto depois em casa, com um ou dois arranhões, a dizer que está bem e que só teve um acidente e perdeu o telemóvel.

Foram pérolas daquelas que fizeram As Cinquenta Sombras Mais Negras um bocadinho mais tolerável e ligeiro que o primeiro filme, mas ao mesmo tempo prejudicaram a narrativa, afetando a progressão e a credibilidade da mesma. A nível dos atores verificam-se melhorias, sobretudo Jamie Dornan que interpreta um homem mais natural, sendo capaz de passar por momentos mais complicados e traumatizantes e ao mesmo tempo assumir uma postura mais relaxada e descontraída quando a situação o requer. Dakota Johnson, talvez pelo seu ar mais inocente, simpático e atraente continua a ser uma aposta segura neste romance, acabando por ser o ponto mais favorável a favor do filme.

Compreende-se o interesse, mas não a adoração nem a euforia por um romance que se fica atrás de tantos outros que foram passando pelas salas ao longo do ano. Continua a faltar empatia, sentimento e humildade numa relação que é exibida de forma forçada e cuja sensualidade se transmite apenas graças a Dakota Johnson. As Cinquenta Sombras mais Negras carece de uma banda sonora rica e diversificada como a do predecessor e é mais pobre no que diz respeito ao enredo, com momentos memoráveis pelas piores razões. Melhorou no elenco mas perdeu-se em exageros, com uma última meia hora desastrosa na qual um final em aberto cria uma necessidade desnecessária de uma próxima sequela.

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2 Comments

  1. Não resisti a comentar… Confesso que odiei o 1º filme. Mas fui ver o segundo neste fim de semana, porque o trailer me convenceu de que talvez este enredo fosse melhor. Pessoalmente, achei a história mais divertida e menos “forçada”. Há um pouco mais de “conteúdo” para nos distrair do sexo apenas. E achei que sim, havia mais humor, embora nada de muito inteligente. Concordo com o acidente de helicóptero, foi completamente “pointless”…. se a ideia era arranjar forma de os dois perceberem o quanto são importantes um para o outro perante a possibilidade de um deles morrer… podiam ter aproveitado o momento da “stalker”.

    • E ainda bem que não resististe 😛 eu fui ver o filme com muitas reticências e verdade seja dita apesar da história ser mais divertida e as personagens parecerem mais humanas e naturais há tanta estupidez, tanta gafe e tantas situações tolas no elenco que fiquei na dúvida se é o filme que é mais divertido ou se é o meu sentido de humor a tentar processar tanta coisa má junta. O humor próprio do filme não é de todo inteligente, aliás quando o Grey ou alguém se esforça para ter piada a coisa não funciona. Mas quando surge a cena do helicóptero morri por completo. Aquela última meia hora foi tão desnecessária e aquele cliffhanger no final foi a pérola do estilo novelizado que o filme vai adquirindo, sobretudo com a mítica frase da Bassinger “só estás com ele pelo dinheiro”. A stalker foi muito mal aproveitada, era o subplot mais interessante ali no meio. Enfim, está visto e deu para rir um bocado. Foi muito próximo do patamar “deliciosamente mau”.

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