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Crítica | Viver na Noite (2016)

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  • De: Ben Affleck
  • Com: Ben Affleck, Elle Fanning, Zoe Saldana
  • 2h08 min

Depois dos anteriores sucessos (A Cidade e o vencedor do óscar de Melhor Filme Argo), Ben Affleck regressa à cadeira de realização e de argumentista para dar vida a um conto de gangsters que até há uns meses prometia ser um dos filmes mais aguardados do ano. O entusiasmo gerou-se sobretudo pela surpreendente descoberta de Affleck como argumentista e realizador e permaneceu em alta até aos primeiros visionamentos. Viver na Noite é um filme de gangsters e de crime repleto de estilo eque cumpre sem dúvida a tarefa de nos transportar para uma época diferente, arrojada e com desigualdades económicas evidentes. Porém, perde-se numa narrativa por vezes tola, que dá demasiadas voltas e explora em exagero tópicos que pouco ou nada contribuem para o fio condutor da história principal.

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Em plenos anos 20, a sociedade começa a tirar partido e a conhecer todo um novo conceito de vida, com destilarias, o jogo e a corrupção a chegarem às grandes cidades com uma força nunca antes vista. Comecemos por conhecer Joe Coughlin (Ben Affleck), um gangster que vê no crime uma forma de fazer a sua vida e que se vê envolvido num perigoso triângulo amoroso com a mulher de um dos grandes mestres do crime da cidade e que o coloca entre a espada e a parede. Ofuscado pelo amor, Joe vê-se às portas da morte depois de um plano mal concretizado e acaba por perder aquela que considerava ser a mulher da sua vida. Eis que como acto de vingança, decide servir um dos grandes gangsters da cidade, controlando o negócio de bebidas ilegais numa das regiões mais importantes do país. É aqui que conhece uma mulher honesta e caridosa que o leva a deparar-se com toda uma nova realidade, Graciela (Zoe Saldana), e um polícia que o ajuda com o estabelecimento do negócio. Mas quando tudo parecia correr bem, o racismo entra em cena e, com a ameaça constante dos KKK, uma pregadora fiel a deus capaz de mover multidões e uma série de imprevistos, a vida complica-se para Joe que procura defender o que é seu contra todas as frentes, com a vingança e o amor em plano de fundo.

E com esta pequena descrição torna-se evidente a enorme variedade de tópicos, enredos secundários e personagens menos importantes que desviam toda a atenção do foco principal da história. O glamour, a vivacidade e o espírito livre mas ao mesmo tempo oprimido e conservador da sociedade dos anos 20 torna-se num dos grandes destaques do novo filme de Affleck que nos carrega para uma época de mudança. A nível de cinematografia, cenários, banda-sonora, a qualidade de Viver na Noite não desaponta, com um claro investimento em refrescar as histórias de crime. Fosse a história mais bem conseguida e algumas das personagens mais convincentes, talvez Affleck tivesse conseguido captar de forma mais convicente o espírito e a adernalina dos gangsters e mafiosos de outrora.

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Em vez disto, temos uma história de amor, por vezes dominada pelo exagero de algumas personagens, com crenças e personalidades que distam do que é a norma e que levam o seu tempo a criar laços com o espetador. É fácil ficar indiferente perante a interpretação de Affleck e dos restantes elementos do enredo principal  quando não existem motivações e um enredo bem conseguidos, com alguns momentos pelo meio a roçarem o rídiculo (sobretudo a composição corporal de Affleck em comparação com a de Zoe Saldana). Elle Fanning surge mais uma vez em grande plano, a fechar um ano de destaques e de papéis muito curiosos, havendo ainda espaço para uma breve crítica social e uma exposição mais histórica e biográfica.

É talvez o facto de querer comprimir tanto em tão pouco tempo e tornar a história ao mesmo tempo adequada a um público mais genérico que leva Viver na Noite a cair na vulgaridade, com explicações desnecessárias, enredos a mais e uma intriga que parece por vezes forçada e sem nexo, com elementos exagerados pelo meio. Muito longe da grandiosidade, Viver na Noite define-se com um filme que tenta atingir a grandeza sem sucesso mas que vê parte do potencial na forma como entretém e cativa a audiência, com um estilo muito próprio e curioso que nos transporta para os anos 20 para conhecer uma sociedade dominada pelo crime e corrupção. Para os apreciadores do género e para os que não dispensam um thriller numa noite de semana, o filme de Ben Affleck pode inserir-se numa lista de sugestões mas esperava-se o a ambição de outrora e a oportunidade de criar uma história de gangsters mais actual, viva e intensa quer a nível de enredo quer a nível visual e artístico, ficando-se apenas pelo meio caminho, com uma experiência que satisfaz e entretém mas não surpreende.

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