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Crítica | Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los (2016)

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  • De: David Yates
  • Com: Eddie Redmayne, Katherine Waterston, Alison Sudol
  • 2h13min

newt_fbwtftA ideia de trazer de volta o universo de magia e feitiçaria de J. K. Rowling ao cinema não é nova, ainda que o cepticismo fosse predominante nas opiniões iniciais. Uma sequela directa como Harry Potter and the Cursed Child, seria uma opção óbvia e um caminho mais tradicional, mas quis o destino, ou melhor os executivos dos estúdios da Warner e a própria autora dar um novo rumo à história, anos antes dos últimos filmes, quando Newt Scamander se dedicava às suas pesquisas e estudos, que iriam eventualmente resultar no livro conhecido como Fantastic Beasts and Where to Find Them. Um pequeno livro de bolso, que descreve em detalhe as criaturas do mundo mágico de J. K. Rowling, vendido nas lojas como um adereço e um objecto essencial no ensino da magia. E é daqui que parte a motivação para esta nova jornada, uma nova série de cinco filmes que possivelmente irão acompanhar as aventuras de Scamander e histórias passadas, à medida que mergulhamos no passado do mundo de Rowling e conhecemos novas personagens, vilões e segredos obscuros. Monstros Fantásticos e onde Encontrá-los é assim uma porta aberta a um novo mundo com a ambição, o encanto e a espetacularidade que o mundo de Harry Potter nos deixou habituados.

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A ligação de David Yates com a saga de Rowling tem já uma década (caramba, já se passou tanto tempo…), tendo começado com Harry Potter e a Ordem da Fénix. Ficou desde logo claro que a abordagem deste era diferente das dos primeiros quatro filmes e, ainda que o primeiro resultado não tenha sido o mais agradável, a verdade é que Yates conquistou o público e a crítica com uma conclusão épica, dividida em 2 partes, emocionalmente arrebatadora e visualmente gratificante. Um dos aspectos mais fascinantes na saga é a forma como o tom mais leve e jovial progride para um tom mais negro e obscuro, à medida que nos aproximamos do desfecho e que os contornos da história são também mais graves e violentos. Esta maturidade e esta transição progressiva coincidiram com a minha juventude, traduzindo-se por isso numa experiência ainda mais gratificante. Pois bem, neste aspecto, Yates atribuí a Monstros Fantásticos um tom mais negro, começando por introduzir o espetador na situação actual no mundo da magia, com ataques misteriosos de um homem conhecido como Gellert Grindelwald, que ameaça a segurança de tudo e todos. É com estes ataques em mente que conhecemos Newt Scamander (Eddie Redmayne), na sua viagem aos EUA para continuar o estudo e o trabalho necessário para o seu livro.

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Desde logo, um dos aspectos que salta mais à vista, para lá dos aspectos mais culturais e da forma como a vida boémica dos anos 20 é descrita, são as pequenas diferenças no vocabulário, na forma de pensar e até mesmo na estrutura das entidades mais relevantes do mundo da magia, que procuram realçar a transição para um novo mundo, de certa forma distinto de Hogwarts. O protagonista é aqui um herói mais crescido, com uma personalidade tola mas ao mesmo tempo adorável, manifestando uma certa timidez e uma dificuldade em sentir-se bem próximo de outras pessoas, que tornam a personagem no seu todo próxima de outros trabalhos de Redmayne. Newt é aqui uma espécie de investigador dedicado, com uma certa tendência para a rebeldia que contrasta com a sua personalidade mais tímida e modesta. Apesar de ser o centro das atenções, não é de todo a personagem mais marcante da história, pelo que é um apaixonado pela cozinha, Jacob Kowalski (Dan Fogler), quem conquista facilmente com uma personalidade descontraída, tola e animada que reflete a inocência e a surpresa de estar perante todo aquele mundo, ao mesmo tempo que faz parte de muitos dos momentos mais marcantes da história. Do lado feminino, temos também Porpentina Goldstein (Katherine Waterston), uma funcionária de um dos orgãos mais importantes do mundo da magia nos EUA, que se vê numa posição frágil face a um incidente complicado e com uma personalidade que emparelha com a timidez e modestia de Newt. A acompanhar o trio de actores, tanto Colin Farrell como Ezra Miller contribuem para dar um tom mais misterioso e negro à história, que acaba por ser direccionada a um público mais adulto.

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A nível de personagens e de história base, Yates e Rowling acertaram na fórmula, com uma base consistente, com potencial para futuras narrativas e que serve como complemento ao universo de Harry Potter, com um pouco de nostalgia e curiosidade combinados.  Devo dizer que já tinha saudades de ver o encanto e a magia que Rowling incorpora nas suas histórias e que Monstros Fantásticos superou as minhas expectativas, como uma boa surpresa e uma aventura que introduz toda uma nova realidade dentro daquela que já conhecemos. Existem contudo aspectos menos positivos na história e nas características das personagens que devem ser referidos. Existe um certo exagero na tolice e inocência de algumas personagens, que parece por vezes forçado ou não se enquadra na linha mais típica dos filmes anteriores, mas que é depois compensado por backgrounds e personagens mais misteriosas e complexas. A nível da história, existe por vezes uma certa incompatibilidade entre o tom mais jovial e alegre e a atmosfera mais negra e misteriosa do filme, dando a impressão de estarmos a ver dois filmes ligeiramente distintos, em que por um lado temos a narrativa da jornada de Newt e por outro a ascenção das forças obscuras.

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Há contudo que reforçar os espetaculares efeitos visuais e a banda-sonora que nos remetem para os filmes anteriores, criando uma boa sensação de nostalgia e fazendo a ponte entre ambas as sagas. Foi interessante e surpreendente, a forma como Rowling e Yates conseguiram desenvolver toda uma nova história, captando a essência da história anterior com personagens apelativas e uma narrativa que no seu todo suscita curiosidade e uma série de emoções ao longo do filme. É fácil sentirmo-nos ligados à magia de Monstros Fantásticos, com gargalhadas, momentos mais ternurentos e sequências emocionantes e repletas de adernalins, deixando um sentimento de satisfação e nostalgia no ar e interrogações para os capítulos seguintes. Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los é uma agradável caixinha de surpresas, com momentos deliciosos, uma nova abordagem no mundo mágico de Rowling e personagens que suscitam a curiosidade e o interesse para as histórias que se seguem.

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2 Comments

  1. Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los: 4*

    O melhor do filme é claramente o seu elenco e as variadas criaturas existentes no seu enredo.

    Cumprimentos, Frederico Daniel.

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