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Crítica | O Primeiro Encontro (2016)

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  • De: Denis Villeneuve
  • Com: Amy Adams, Jeremy Renner, Forrest Whitaker
  • 1h58min

Denis Villeneuve está a tornar-se num dos nomes mais apelativos da sétima arte, depois de Sicario, Enemy e Prisoners, ao oferecer aquele que é provavelmente o melhor filme de ficção científica da década! O Primeiro Encontro é uma viagem emocionante, viva e incrível que tira partido do mistério, das relações entre as personagens e de uma ameaça iminente para provocar desconfroto, alívio e surpreender o público. Um filme que quebra as barreiras convencionais do género, entregando um título que se foca na história e nas personagens, deixando de parte os efeitos visuais e a magia mais técnica.

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A história centra-se na chegada de um conjunto de naves espaciais que aterra em 12 localizações distintas do globo, colocando em causa as relações entre países e a compreensão do mundo e da realidade que conhecemos. A professora e tradutora Louise Banks, interpretada por Amy Adams, é convidada a participar numa missão de alto risco onde está em causa a segurança da humanidade e, com os conflitos emocionais de memórias perturbadoras e uma realidade assustadora, a receita para uma catástrofe é garantida.

O Primeiro Encontro resulta da fusão de duas histórias, uma pessoal, emotiva e com uma grande carga dramática, que acompanha a quebra emocional e afectiva da personagem de Amy Adams, à medida que esta brilha quer como uma excelente e dedicada tradutora, quer como uma personagem mergulhada num sofrimento dominado pelo afecto e tragédia familiar, e outra história mais típica do género, com uma estranha e misteriosa invasão alienígena. As perguntas que se colocam são as óbvias, quem são eles e o que querem de nós, pelo que é a forma incrível como Villeneuve dá a volta ao texto, convertendo uma narrativa típica, à primeira vista, numa história cativante e numa experiência extraodinária que me deixou sem palavras do início ao fim.

Uma história que explora um pouco da natureza humana, da crueldade, do afecto e da descoberta, à medida que abrange as fragilidades da sociedade quando esta é desafiada perante uma ameaça desconhecida. Quando a união é a chave, o instinto leva as personagens para um caminho de desordem e de conflito com um fim incerto, para o qual a intensidade dramática de muitos dos momentos dá um enorme contributo. Villeneuve surpreende também com personagens complexas que se perdem no seu passado e na incerteza do presente à medida que o mistério se adensa.

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Amy Adams é um dos factores mais imponentes de todo o filme, ao brilhar na pele de uma personagem complicada de definir, com uma personalidade rica e um passado complicado que é uma das razões que torna o filme de Villeneuve numa pequena proeza do género. Jeremy Renner e Forrest Whitaker acabam por ser peões num cenário de guerra, de conflito, intenso e complicado que adiciona uma camada de realismo e de emoção à história central. A invasão alienígena é como que o motivo para uma narrativa muito mais profunda e brilhante do que o esperado, pelo que O Primeiro Encontro brilha a cada minuto que nos aproximamos do desfecho.

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Senti-me completamente envolvido, vidrado no mistério, nos ideais e na intensidade da narrativa, de forma a que no fim as palavras eram poucas para expressar a minha opinião referente à magnificiência e excelência da obra de Villeneuve. O realizador que tem vindo a demonstrar o seu talento com grandes histórias, fortes e emotivas, deixa aqui mais um pedaço da sua mente brilhante, numa história como há muito não se via, que leva o seu tempo a conquistar e a cativar o espetador mas que depressa se torna numa verdadeira bomba emocional, para a qual contribuí uma banda sonora fascinante. Inesperado, sensacional, forte e emocionante, O Primeiro Encontro é uma jornada épica com um aspecto humano que se sobrepõe ao carácter mais ficcional, que brilha como um dos melhores filmes do género da década.

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2 Comments

  1. Fui ver o filme neste sábado. Gostei imenso e confesso que soltei uma lagrimita no final.
    Para quem julga que vai ver um filme sobre uma guerra entre extraterrestres e humanos, desengane-se!
    É uma verdadeira ode ao ser humano e ao que ele está disposto a sacrificar.

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