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Crítica | Café Society (2016)

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  • De: Woody Allen
  • Com: Jesse Eisenberg, Kristen Stewart, Steve Carell
  • 1h36min

Woody Allen sempre teve uma forma muito peculiar de dar vida a romances e a universos criativos originais e pessoais. Café Society é de certa forma o espelho de uma sociedade mais elitist dos anos 30, composta pelas estrelas do grande ecrã, pelos deslumbrantes vestidos e vidas exuberantes e pelo luxo que transparece em todos aqueles cenários. Nesta história de Hollywood dos anos 30 seguimos um rapaz desamparado, com grandes sonhos mas muito azar, Bobby (Jesse Eisenberg), que decide vingar na vida com a ajuda do seu tio, um reconhecido agente de celebridades que domina a indústria cinematográfica, Phil Sten, interpretado por Steve Carell. Neste mar de estrelas, vaidades e lugares e vidas de sonho, Bobby conhece uma rapariga fascinante que lhe leva a conhecer um mundo e uma realidade que o encantam por completo, Vonnie (Kristen Stewart). Surge daqui então uma intense e cativante paixão que serve de gatilho para os habituais precalços, para as peripécias mais curiosas e para o humor próprio das histórias de Woody Allen.

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Café Society não é de todo um dos seus trabalhos, ainda que seja deslumbrante e cativante esta viagem a uma Hollywood do passado com bastantes semelhaças com a vivacidade actual da indústria. Woody Allen tira partido desta viagem ao tempo para nos apresentar a um triângulo amoroso e a uma história de amor replete de intrigas, à medida que conhecemos Vonnie e Bobby. A forma como Woody Allen transforma uma narrativa simples numa história apelativa e emotive continua a ser uma das suas grandes imagens de marca, num cinema de autor que é cada vez mais apreciado pelo público em geral. Allen não tem medo de fugir à estrutura mais habitual das narrativas e procura cativar o espetador com histórias de amor que se distanciam de muitas das comédias românticas pela crítica, pela emotividade e pelas personagens que dão sempre um carácter único a cada história.

Esta é a história de uma socidade que vive e se transfigura aos olhos de um rapaz que dá tudo para crescer num mundo difícil. É a história das conquistas de Bobby e da vida atribulada do seu tio. Um filme que se destaca sobretudo pelas interpretações emotivas que dão todo um outro relevo a uma história simples, em especial de Jesse Eisenberg e de Steve Carell, que demonstra mais uma vez o seu apetite por personagens mais complexas e pessoais.

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E ao contrário de muitas das histórias encantadoras de Woody Allen, falta aqui um certo encanto, fruto sobretudo de uma história que não arrisca nem provoca emoções ao espetador. São as personagens e as relações entre estas que dão o relevo ao filme e o conteúdo que merece de facto ser apreciado, pelo que a narrativa por si só não tem o potencial esperado. O enquadramento histórico e a banda Sonora tornam Café Society numa viagem ao passado mais agradável. Como apreciador das voltas e reviravoltas, do estilo muito próprio e do encanto das histórias de Woody Allen, Café Society não foi de todo uma experiência encantadora nem agradável. Faltou ali uma história mais viva, com mais detalhe e profundidade e com potencial para provocar ou cativar o espetador, tornando as personagens o grande prato principal desta mixórdia de intrigas e amores. Distante do encanto e magia habituais, esperava-se mais desta viagem ao passado a uma Hollywood repleta de vida e de uma história de amor jovem e inocente que se perdeu em peripécias por vezes exageradas e que nunca viu o desfecho mais apropriado.

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