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Crítica | A Rapariga no Comboio (2016)

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  • De: Tate Taylor
  • Com: Emily Blunt, Lisa Kudrow, Edgar Ramirez, Luke Evans
  • 1h52min

Foi com muita pena minha que não tive a oportunidade de ler o romance de Paula Hawkins, A Rapariga no Comboio, tão badalado no ano passado como um grande thriller. À primeira vista, parece capturar um pouco da tensão, violência e suspense das histórias de Gillian Flynn, a autora de Em Parte Incerta, e de facto as suspeitas confirmaram-se numa história trepidante e misteriosa com uma atmosfera obscura e personagens com um fascínio peculiar. Como thriller, A Rapariga no Comboio conquista pelo seu ambiente mais negro e obscuro e pour uma protagonista invulgar que não inspira o mínimo de confiança, interpretada pela grande Emily Blunt que brilha com uma personagem complicada a todos os níveis. Blunt dá vida a Rachel Watson, uma mulher com uma vida algo bizarra, que se vê afogada numa tremenda depressão e que passa os dias embriagada e quase inconsciente em longas viagens de comboio. O temperamento e a falta de carisma de Rachel são as características que começam por suscitar o interesse neste thriller misterioso.

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girltrain5A curiosidade e o fascínio de Rachel por uma vida melhor e por um sentimento de carinho e afeição que há muito é desconhecido, colocam-na no meio de um caso de desaparecimento de Megan, uma jovem sedutora e atraente interpretada por Haley Bennett, que se tinha tornado na grande obsessão de Rachel durante as longas viagens. O desaparecimento de Megan eleva as emoções de Rachel à flor da pele, desafiando as suas relações e o seu conceito actual de vida. Desamparada, sem objectivos e determinação, Rachel vê neste desaparecimento uma segunda oportunidade de ter uma vida melhor, procurando a todo o custo ser uma ajuda determinante no processo. Pelo meio deste intenso mistério com reviravoltas por vezes inesperadas e situações caricatas, é Emily Blunt quem mais brilha e quem carrega o grande potencial do filme, ao criar uma estranha empatia com o espetador que vai sendo desenvolvida à medida que a sua personalidade se revela.

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O desaparecimento de Megan é então o gatilho para uma história que não é apenas um mistério mas que se desenvolve à volta da estranha protagonista, enquanto mergulhamos bem fundo no seu mundo e conhecemos as suas motivações e ideias. Um estranho fascínio que se desenvolve de forma natural e que complementa a estranheza da trama. Há muita coisa a acontecer e os detalhes a observer são consideráveis, sendo revelados com constantes reviravoltas e peripécias inesperadas. Os contornos mais negros e violentos que a história adquire provocam uma sensação resultante da mistura de perigo, curiosidade e receio, que permanece até ao aguardado desfecho. A Rapariga no Comboio tem a envolvente negra das histórias de Gillian Flynn num mistério absorvente e algo bizarro, servindo-se da protagonista peculiar e de um enredo recheado de suspense e mistério para provocar o espetador.

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Talvez a expectativa provocada pelo êxito do livro de Paula Hawkins seja um obstáculo a esta adaptação de Tate Taylor, na medida em que se pode dar o caso da interpretação deste não estar à altura da obscuridade do romance. De facto a história não é contada de forma harmoniosa, sendo que alguns dos twists e algumas das personagens não conseguem segurar a atenção do espetador, perdendo-se no meio da progressão de Rachel. Blunt deslumbra com uma personagem mais bizarra, que assume uma postura curiosa que provoca um certo mau-estar e desconfiança mas muitas das personagens vêm as suas histórias desenvolvidas de forma mais pobre, como é o caso das pessoas que faziam parte da vida antiga de Rachel e a relação desta com a mulher do seu ex-marido.

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Como um grande fã do estilo mais obscuro e frenético dos thrillers de Gillian Flynn, A Rapariga no Comboio foi uma surpresa desconfortável (no bom sentido) que me deixou por vezes à beira de um ataque de nervos conforme as peripécias mais peculiares do mistério vão sendo relatadas. Fiquei impressionado com a grande interpretação de Emily Blunt que é, sem dúvida, o grande ponto forte do filme, e com a atmosfera mais negra e obscura do filme que nos provoca no sentido em que parece que existe sempre algo mais para descobrir. A história segue, de modo geral, a norma do género, com reviravoltas e cenários mais bizarros e repletos de suspense, acabando por faltar um factor diferenciador que pudesse elevar o filme a um nível ainda maior e mais original. No fim de contas, A Rapariga no Comboio é um thriller empolgante e cativante, que procura provocar e causar desconforto no espetador com personagens peculiares e situações caricatas, com um potencial invejável e uma grande interpretação de Emily Blunt.

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