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MOTELX 2016 | Entrevista “Post-Mortem” com Belmiro Ribeiro e João Santos

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Post-Mortem, a curta surreal e intrigante de um fotógrafo com um estranho fascínio, da autoria de Belmiro Ribeiro e de João Santos, foi o filme vencedor do Prémio MOTELX para Melhor Curta Portuguesa. Uma história fascinante que revela um lado cruel e macabro da natureza humana da autoria de dois jovens licenciados do curso Tecnologia da Comunicação Audiovisual da ESMAE. O Panda’s Choice esteve à conversa com ambos sobre o filme.

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De onde surgiu a ideia de fazerem um filme de Terror?

João: Nós, na verdade, sempre quisemos fazer um filme durante a licenciatura e então escrevemos um argumento durante uma ou duas noites que era terrível.
Belmiro: Não era terrível…
J: Mas disseram-nos que não podiamos fazer esse… E nós não queriamos desistir da ideia de fazer um filme de Terror naquela faculdade, que nunca tinha sido feito assim em licenciatura, o que é normal já que filmes do género não são típicos em cinema pago, quanto mais em cinema independente. De qualquer maneira depois escrevemos o Post-Mortem… Fechámo-nos na faculdade durante 3 horas para ver se saía uma ideia, já que andávamos um bocado deprimidos depois de nos terem recusado a ideia do outro filme.
B: Muito deprimidos…
J: E saiu isto..

Como foi o processo de criação da curta?

J: Passou por muitas fazes no desenvolvimento. O filme acabou por ser semelhante ao que estava no guião. O que foi filmado… A primeira cut que o Belmiro filmou tinha 20 minutos. O filme acabou com 13+1 minuto para créditos. Foram então 7 minutos de cortes… Cenas, diálogos… Mas o resultado final, apesar não ter sido o que idealmente pensámos e realizámos foi ao encontro dos nossos gostos, meus e do Belmiro e agora não o vemos de outra maneira.

B: Sim… Apesar de haverem diferenças entre o escrito e o realizado, porque estamos nas rodagens a trabalhar com o guião e o storyboard mas na montagem é totalmente diferente. Mas no entanto, apesar de o storyboard estar um bocado diferente e existirem vários minutos de cortes, o estilo está lá e a estética e a imagem também. O que queriamos passar está lá e isso é o mais importante. Tinhamos uma cena em que o fotógrafo espeta um prego na moça com um martelo que não era só o que ficou no filme… Nessa cena, ela caía, ele pegava nela, ele espetava o prego com o martelo, vias sangue, vias gore, era espetacular… Mas cortámos, porque era perferível ter um pacing rápido e que o filme nunca pare e que o pessoal se divirta do que prolongar.

Houve algum motivo em particular para a curta ser apresentada em preto e branco?

B: Eu pus no meu relatório que tudo fica melhor a preto e branco, mas… Desde que começámos a escrever a história do fotógrafo a matar pessoas, acho que o estilo resulta, o preto e branco, o gótico…

J: O nome Post-Mortem vem de um tipo de fotografias que eram feitas nos finais de 1800, inícios de 1900 em que as pessoas tiravam fotos a outras pessoas já mortas. O tipo de fotografia era conhecido por Post-Mortem e a ideia veio daí… Queriamos alguém que levava o seu ofício de forma macabra e de forma a respeitar a génese da fotografia, optou-se pelo preto e branco.

B: E no final, mesmo a nível do estilo, aquilo não tem um tempo… Aquilo não se passa hoje, nem se passou há uns anos. Queriamos fazer um filme anacrónico e o preto e branco resulta muito bem. Porque as cores modernas dos cenários são ofuscadas pelo preto e branco e encara assim muito mais com estilo anacrónico, gótico e thriller que queriamos dar à história. Por isso acho que resulta muito melhor. A cores acho que a curta não teria o mesmo impacto que teve a preto e branco.

Chegaram a ter apoios e a fazer castings para a curta?

B: Fizemos castings, porque nós recebemos um apoio do ICA, dado que se tratava de um projecto final de curso. Não era muito, mas foi um apoio e é melhor do que nada. E uma das coisas que nós queriamos para o filme era conseguir a barreira do filme de estudante e, para ser algo mais sério, tinhamos mesmo de fazer castings, contratar actores e depositar o dinheiro dos apoios nestes. E foi isto que fizemos. Felizmente encontrámos dois actores espetaculares… O primeiro casting de homens foi o Cristovão que é o actor principal do filme e no primeiro casting de mulheres encontrámos a Mafalda. Fizemos mais castings mas, por acaso, acabamos por ir para as primeiras escolhas.

E existem mais curtas em mente?

J: Sempre a trabalhar neste registo, do fantástico. Somos fãs do género. Queremos trabalhar um pouco no limiar disso. Já mesmo o Post-Mortem e mesmo o filme que estamos a ver se conseguimos financiar e trabalhar… Ele (o Belmiro) está se a rir por que é um filme complicado… Muita coisa para explicar… Mas basicamente vai ser um filme medieval passado em pleno Alentejo com influências pós-apocalípticas. Os vilões são extra-terrestres espanhóis…

B: Extra-terrestres que falam castelhano… E vai ter apenas música tradicional portuguesa.

J: Acho que é este o nosso estilo… Fazer filmes de Terror todos os países mas cá em Portugal tens realizadores como o António Macedo e o Edgar Pêra que fazem filmes mais conceptuais mas não tens ninguém a fazer um género mais visceral com coisas portuguesas no estilo. Ouvir Xutos e Pontapés num filme de Terror… Ouvir música tradicional portuguesa ao falar de uma era medieval no Alentejo… Temos uma cultura tão rica e, por vezes, por culpa de financiamento, somos incapazes de transpor a nossa cultura, o que é uma pena, porque acaba-se por não conseguir fazer o nosso melhor.

B: E é importante também uma mistura de géneros, que nós procuramos sempre passar. Porque a base é o Terror mas depois temos também o pós-apocalíptico e o medieval. Gostamos de misturar as coisas. Porque Terror, filmes de Terror… Há n deles e não estou a dizer que sejam bons ou maus. Mas agora, um filme de Terror com influências… Com comédia por exemplo vê-se cada vez mais e é espetacular… Isso é aquela sobreposição de géneros que aparentam não combinar bem mas depois funcionam. Nós não fazemos Terror com Comédia mas fazemos Terror com outras coisas e isso dá sempre mais camadas ao género.

E do festival? O que estão a achar do MOTELX?

B: É o nosso primeiro ano… Estamos a adorar… Há finos!
J: É fantástico, as pessoas são fantásticas e já ganhámos por cá estar.
B: Já vimos filmes incríveis, já vimos filmes… Bem aqui tem de tudo… Filmes para toda a gente que goste de filmes de Terror.

J: Um gajo vem para aqui ver filmes de Terror mas acaba por ver filmes dramáticos, como é o caso do Under the Shadow. É um filme de terror mas também um melodrama de época no Irão. É fantástico. Vimos também o The Wailing que te coloca num ambiente rural em plena Coreia do Sul e de repente há telemóveis, demónios…Tu não vens aqui ver filmes de Terror, tu vens aqui ver cinema e acho que é isto que define o MOTELX! O Terror é um género muito rico. E tencionamos voltar cá, com ou sem curta.
B: Se tudo correr bem, é com curta… Se não correr bem, vimos na mesma!

A análise ao filme Post-Mortem está disponível aqui.

 

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