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MOTELX 2016 | Entrevista “Dentes e Garras 2” com Francisco Lacerda

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Francisco Lacerda é o jovem por trás de Dentes e Garras 2, a sequela ao mítico filme série B que passou pelo MOTELX na edição de 2014 e que invadiu a ilha de São Miguel, nos Açores, com dinossauros e (muito) sangue. Numa combinação genial de terror, comédia em que os exageros característicos dos anos 70 e 80 são homenageados com um estilo muito próprio e irreverente. Dentes e Garras 2 esteve nomeado para o Prémio de Melhor Curta Portuguesa na edição deste ano e ficou a promessa de acabar a trilogia em grande com uma longa-metragem!

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De onde surgiu o gosto e inspiração para filmes série B?

Tudo começou quando eu vi o Alien, aterrorizou-me e depois disso começei a ver mais filmes de terror para matar o medo e foi daqui que nasceu esta paixão pelo género e sempre tive interesse em criar coisas, bichos, desde pequeno e quando tive a minha primeira câmara criava home movies com montes de sangue e coisas por aí fora e pronto, depois de Dentes e Garras temos agora a sequela do primeiro.

És fã de filmes que procuram homenagear o estilo característico dos anos 80?

Sim, grande fã dos filmes dos anos 80. Vi muitos filmes dos anos 80 quando tinha cerca de 14 anos. Na altura tinha o problema de ver sempre filmes “sacados” já que muitos dos filmes que eu queria ver não se encontravam em DVD. Muitos dos filmes dos anos 70 e 80, que eu adoro, acabam por não ser lançados aqui em DVD, como é o caso de filmes do Stuart Gordon (From Beyond) e de John Carpenter (The Fog, Escape from New York)… Filmes desse tipo, para além dos italianos também, como é o caso de Suspiria, The House by the Cemetery… Tudo exploitation

A propósito de exploitation… Chegaste a ver o Cannibal Holocaust aqui no MOTELX?

Eu já vi o filme muitas vezes… Mesmo muitas vezes… ‘Tou farto de ver aquele filme, tenho para aí umas 3 edições diferentes do filme em DVD e ainda tive em minha posse, mas acabei por vender, a cassete nacional do filme Holocausto Canibal, porque estava a precisar de dinheiro na altura.

Falando de Ruggero Deodato…

É uma pessoa excelente, é um homem divertido, cheio de vida… Não estava nada à espera… Genial! Adorei o homem!

Qual é a sensação  de ser nomeado 2 vezes pelo MOTELX?

Epá é excelente! Já quando foi a nomeação do primeiro filme para o Fantasporto e fiquei espantado e depois foi a nomeação do MOTELX… Porque nós fizemos o filme por puro entertenimento, o primeiro filme, e depois quando tinhamos o filme feito decidimos “Bora lá mandar o filme para os festivais!” e toda a gente adorou o filme… E agora estar aqui outra vez é genial, estava mesmo à espera que seleccionassem, nem que fosse fora de competição, porque queria mesmo vir ao MOTELX e agora cá estou e fiquei muito feliz com a nomeação. É já uma grande vitória!

Falando das curtas em competição…

Estive a ver algumas das curtas e aqui tem de tudo na seleção… Tem o gore, tem a comédia que é o meu, tem o experimental com A Caverna do Edgar Pêra, temos os thrillers como o Que é feito dos Dias na Cave que eu ainda não vi mas conheço o realizador, o Rafael Almeida… Porque ele é um realizador muito bom. O Palhaços também foi muito bom… Funcionava como uma longa… Tem uma boa premissa… Agora é boa sorte para todos!

Tentas dar a conhecer um pouco dos Açores às pessoas nos teus filmes?

Não é muito no sentido “Olha está aqui São Miguel… Venham cá!”, é mais porque a paisagem é bonita e eu uso porque a ilha de São Miguel é como um Jurassic Park, daí ter feito um filme com dinossauros naquela ilha… Mais por causa disso. O primeiro filme tinha apenas dinossauros e agora a sequela tem um pequeno twist… Por acaso uma das coisas que gostei imenso na apresentação do MOTELX foi nunca terem mostrado o monstro nos clips… Deu-se sempre a entender que seria mais um filme com dinossauros. Por isso o público quando viu aquilo deve ter ficado um bocado do tipo “O quê?! O que é que se passa aqui?”

Foi tudo filmado na lagoa das Sete Cidades?

Foi tudo na lagoa e depois fomos para a localização do início do primeiro filme, que é uma rua que aparece logo ao início da sequela e em que a acção se passa na noite do primeiro filme. A noite dos militares passa-se na noite do primeiro filme, quando o dinossauro é libertado. E depois parte-se o ovo… E passa 3 meses para a frente. Foi também filmado na minha casa, tenho um quintal enorme e acabou-se por filmar lá algumas das cenas. Foram 4 dias de filmagens nas Sete Cidades.

Mais alguma curta em mente? Uma trilogia?

O Dentes e Garras é uma trilogia… Não sei se viste a curta… Mas no final tem um “To be concluded…” e epá nós já temos o guião escrito… Vai ser uma longa-metragem para acabar em grande! Recentemente os direitos de distribuição do Dentes e Garras 1 e 2 foram adquiridos por um estúdio e perguntaram-nos se não estava em mente uma terceira curta-metragem ou um feature… E acabou por ficar uma longa… E depois do Dentes e Garras não sei… Temos 2 escritores nos Açores que estão desde 2015 para escrever um guião que será um western Açoriano… Nunca vi muito western… Vi O Bom, o Mau e o Vilão, o Django, The Searchers… Não tenho um grande foco no género mas agora comecei a ver mais e decidi trabalhar no género, numa variante mais spaghetti.

E tencionas voltar ao MOTELX? Talvez com a longa? O que estás a achar do festival este ano?

Epá espero que sim… Se voltar ao MOTELX será com uma longa, de certeza. É o MOTELX… São 10 anos de MOTELX e eu não tenho palavras… É uma boa selecção de filmes, embora pudessem trazer ainda mais uns tantos. A selecção podia ser melhor porque há muitos filmes do género deste ano que passaram por festivais internacionais e que eu estava à espera de ver por aqui. Mas fora isto, está muito bom. Um dos highlights da edição foi o Baskin. Quando sair o DVD, é daqueles filmes que vai ter a sua sessão regular no DVD player. É um filme excelente. O primeiro filme dele aliás. Conheci o realizador ontem e ele é uma excelente pessoa. O gajo sabe… O gajo sabe…

A curta tem apenas gente conhecida? Foram feitos castings para o filme?

É apenas gente conhecida… Só amigos. Pode ser feito um casting mas a maior parte dos papéis principais já estão casted.

E a nível de efeitos especiais?

É tudo practical effects… Aqueles bichos estão todos lá, o sangue está lá… As únicas coisas feitas com CGI foram raios lazer, as flechas… O resto está tudo lá. Foi um filme muito duro de filmar… Gente que se magoou… Sangue verdadeiro… E depois o clima dos Açores é o que é… Uns dias está sol, noutros está nublado e muito vento. Então tivemos que regravar muito som. No primeiro dia especialmente o som que gravámos não serviu de nada e foi preciso re-gravar em estúdio.

A análise ao filme Dentes e Garras 2 está disponível aqui.

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