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MOTELX 2016 | Entrevista “PALHAÇOS” com Pedro Crispim

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Nomeado para o Prémio SOPHIA Estudante, Pedro Crispim apresenta-nos em Palhaços a história de um palhaço que vive os seus dias a sentir-se traído e abandonado.

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Fala-nos um pouco de ti. Quem é o Pedro Crispim?
Para já continuo a ser simplesmente um estudante de cinema. Neste momento, estou a terminar o mestrado de Produção e Realização Cinematográfica na ESMAE, mas anteriormente já me tinha licenciado em cinema, e antes disso tive também uma formação em teatro.

De onde surgiu a ideia de criar uma história de terror mergulhada no mundo circense?
Surgiu por volta da edição 2014 do MOTELX quando lá fui com dois amigos com um filme em competição. Gostámos tanto da experiência e do ambiente do festival, que fizemos uma aposta: no ano seguinte, cada um de nós faria um filme de terror, para que pudéssemos voltar ao festival, não com um, mas com três filmes. O ano passou e não se chegou a fazer nada, mas da minha parte, a ideia era fazer um filme de terror com palhaços. Ou seja, tudo começou como uma forma de regressar ao MOTELX.

Quem é este Jorge que nos apresentas e o que se passa na cabeça dele?
O Jorge é o anti-herói, e um dos vértices do triângulo amoroso que está no centro da intriga do filme. Sem revelar demasiado, a ideia era apresentar esta personagem em total desagregação e desmoronamento. Seguindo também uma certa tradição do vilão dos filmes de terror com o seu lado mais animalesco e monstruoso, queria também salientar-lhe aspetos mais interiores, que poderão servir como rastilhos para a sua atual situação. Quanto ao que se passa na cabeça dele, acho que é mais elucidativo ver o filme do que descrevê-lo.

Tinhas medo de palhaços na infância?
Não. Nem nunca foi algo que me interessasse particularmente, mas há que reconhecer que a figura do palhaço, para além da associação que tem às questões do espetáculo e da máscara, está também muito ligada ao medo, à fobia dos palhaços de que falas, mas também, creio eu, pelo facto do palhaço ser essencialmente uma figura subversiva – tudo questões que me interessaram quando tive a ideia inicial do filme.

Quais são para ti os ingredientes fundamentais de um bom filme de terror?
Para mim, há duas questões fundamentais. A primeira, e mais pragmática, é colocar o espetador inquieto, como se o filme fosse uma arma que lhe esteja apontada à cabeça. Se Samuel Fuller dizia que o cinema, numa palavra, é “emoção”, o terror, de todos os géneros, é aquele que (juntamente com a comédia) tem mais tendência a inflamar as emoções do espetador. A outra questão, talvez mais filosófica, é o facto de que o terror pode ser usado como veículo para os cineastas meditarem sobre as suas inquietações. Quem escolhe ver um filme de terror, à partida, já sabe para o que vai. Por isso, se o filme, para além de entreter, possa também falar sobre questões mais amplas e que tanto nos inquietam, isso é algo que, a meu ver, enriquece de sobremaneira o filme. Independentemente das temáticas ou da estética, um bom filme de terror deve-nos fazer estremecer. Se o nosso ritmo cardíaco se altera, é porque o filme funciona.

O que significam para ti as nomeações, quer para os Prémios SOPHIA, quer para o Prémio de Melhor Curta aqui no MOTELX?
Obviamente que toda e qualquer nomeação ou prémio nos deixa sempre muito agradados. Para além de ser um sinal de reconhecimento dos nossos pares, mostra também que as pessoas viram o filme, gostaram e reconheceram-lhe qualidade, e isso é algo que nos deixa muito felizes e nos dá força para continuar. Claro que os prémios Sophia, pela sua importância e por ser a Academia de Cinema do nosso país, e o MOTELX pela importância que teve na criação deste filme, e também pelo tipo de filme que é, e que se coaduna perfeitamente com o ambiente do festival, é algo que nos satisfaz especialmente.

T: Como foi trabalhar com toda a equipa por trás de Palhaços?
Honestamente, não podia pedir melhor. Como o filme foi feito em âmbito académico, toda a equipa – excetuando a maquilhadora, o compositor, e o colorista – foi constituída por elementos da mesma turma. Uma vez perguntaram-me algo semelhante, e eu respondi que me tinha sentido muito apoiado, e isso para um realizador é importantíssimo. Ter a noção de que pode trabalhar à vontade porque tem uma equipa fantástica que o apoia e ajuda no objetivo comum que é o filme. E para além de serem todos muito bons criativamente (acho que é difícil ver o filme e não reparar na direção de arte, na fotografia ou no som), e de serem pessoas com uma vontade indomável de fazer cinema, acima de tudo, são amigos.

Um conselho para aqueles que aspiram dar vida às suas histórias?
Vejam cinema, muito cinema, o máximo que conseguirem. E enquanto houver força, façam filmes.

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