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MOTELX 2016 | Entrevista “JIGGING” com Ramón de los Santos

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Ramón de los Santos é já uma cara conhecida do MOTELX, nomeado no ano passado para o Prémio de Melhor Curta Portuguesa com uma obra ambiciosa sobre mecânica quântica, na qual Rui Unas se viu preso num ciclo infinito de universos paralelos. O Efeito Isaías foi a sua primeira nomeação no festival, no ano passado. Agora, em 2016, o realizador repete a dose com Jigging e, por esse mesmo motivo estive à conversa com o próprio para falarmos dos projectos, interesses e ambições.

Para Ramón, o Terror não é bem o género com que se identifica mais, não se deixando levar em particular pelo fantástico. É contudo no thriller e no suspense que encontra a motivação e a inspiração, sendo os géneros que mais o atraem. Em Jigging, o realizador apresenta-nos, nas suas próprias palavras, uma metáfora complexa da sociedade capitalista e corrputa que nos rodeia. Começou por me fazer uma simples pergunta, onde me inseria eu nesta sociedade… No grupo dos carrascos ou das vítimas? É neste ponto de vista que se insere a nova curta-metragem. O homem que aluga os barcos, interpretado por Tiago Viegas, é a personagem que representa os carrascos da sociedade e o lado menos bom desta, ao passo que o pescador acaba por ser uma vítima. Mas esta interepretação pessoal vai um pouco mais além de uma mera metáfora. Jigging é visto pelo realizador como uma sátira, um objecto provocador, com um tom por vezes cómico e que está repleto de detalhes.

Ramón falou de um momento icónico da curta em que é possível ver o protagonista a comer tremoços vindos de um cartucho de jornal. No cartucho podemos ler “Um país corrupto é uma chaga que nos inferioriza” e é assim que Ramón terminou a sua breve exploração da crítica social que apresenta na sua curta. Em comparação com O Efeito Isaías, Jigging tem como semelhança o facto de ser uma história cíclica, na qual o realizador procurou trabalhar a angústia em espaços abertos, ao contrário do que fizera na curta anterior cujo cenário é um parque de estacionamento subterrâneo. Há também aqui uma certa subtileza na medida em que as personagens estão confinadas à realidade onde se encontram e que, por mais aberto que seja o espaço, existe um constante efeito claustrofóbico, do qual ninguém pode escapar. Ainda a propósito d’O Efeito Isaías, falou-se da recepção no ano passado e da forma muito curiosa como Rui Unas, um actor conhecido sobretudo pela sua comédia, deu um enorme contributo e carisma à curta. Uma escolha improvável mas acertada que deu sem dúvida um impacto inesperado à história.

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A inspiração, segundo Ramón, para a realização de , Jigging teve origem numa viagem de canoa em Idanha-a-Nova, quando este trabalhava numa peça com o actor José Carlos Garcia, um dos protagonistas de Jigging. Conta o realizador que perto de uma barragem era possível alugar canoas e então, um dia após o trabalho, os dois decidiram fazer uma pequena viagem. Foi nesta viagem que se cruzaram com uma imagem peculiar que é, curiosamente, a imagem com que Jigging se apresenta no MOTELX, dois patos com um aspecto profundamente sinistro. Foi da observação dos dois patos que surgiu toda a ideia de fazer um filme e, daí à mecânica e aos universos paralelos, foi um mero truque de magia.

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Quando questionado sobre a sensação de ser nomeado pela segunda vez pela organização do festival, Ramón de los Santos afirma ter sido uma enorme surpresa, da qual não estava à espera e que é um prazer ser reconhecido desta forma. O realizador afirma ter ficado feliz pela nomeação no ano passado e que todo o reconhecimento funcionou como “uma injecção de vitalidade para continuar a trabalhar”. Diz o realizador que pode não ganhar mas o reconhecimento por parte da direcção do festival é, para ele, o mais importante. E assim, com este pensamento, Ramón considera-se um vencedor e, com a segunda nomeação, razões não lhe faltam para considerar o MOTELX como uma casa. Curioso ou não, o realizador falou do novo seu novo projecto, a sua última curta-metragem, cujas filmagens irão começar em Novembro, e de um projecto muito especial. O realizador prepara agora uma longa-metragem num dos géneros com que mais se identifica, um thriller recheado de suspense e, guarda com algum entusiasmo a esperança de poder ser nomeado ou reconhecido pela organização do festival dentro dos próximos anos.

A conversa terminou assim com um reconhecimento e um carinho especial por um festival que tem vindo a crescer imenso e a ganhar cada vez mais apoio e que é visto pelos profissionais e artistas como um grande palco para as suas obras.

 

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