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Crítica | Milagre no Rio Hudson (2016)

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  • De: Clint Eastwood
  • Com: Tom Hanks, Aaron Eckhart
  • 1h35min

Clint Eastwood sempre gostou ou teve um certo apreço por histórias de heroísmo… Milagre no Rio Hudson não é de todo o seu melhor filme e fica um pouco ao nível de Sniper Americano, com claras fragilidades e uma história que não tem um momento triunfal ou que nunca consegue comover verdadeiramente o espetador. Talvez aqui isso faça algum sentido, face às circunstâncias que estiveram por trás da investigação da queda do voo da US Airways no Rio Hudson, mas ainda assim não foi fácil encontrar empatia ou sentir-me comovido e ultrajado por uma injustiça que se coloca perante um claro acto de heroísmo. Tom Hanks veste a pele de um dos pilotos mais conhecidos dos últimos anos na história da aviação, responsável por um autêntico milagre ao permitir que 155 pessoas saíssem ilesas, são e salvas, depois de uma autêntica tragédia em pleno ar.

Pois esta é a história do que se passou antes, durante e depois do incidente, do ponto de vista do piloto, Chesley ‘Sully’ Sullenberger, enquanto mergulhamos na investigação que procurava determinar as causas do incidente e se tudo aquilo foi um acto heróico ou um mero acaso. Assistimos de forma incrédula, ou pelo menos era essa a intenção de Eastwood, a um julgamento insensato de um homem que deu tudo para salvar todos aqueles que o acompanhavam naquela fatídica viagem. É estranha a falta de ligação e de empatia que existe para com as personagens, ainda que da parte de Tom Hanks, não existam motivos de queixa. Hanks dá o seu melhor por uma personagem que deve e merece ser homenageada, numa interepretação que procura mostrar o estado psicológico do piloto durante os dias que se seguiram, as dúvidas, as incertezas e a revolta de estar a ser julgado depois de ter salvo tantas vidas.

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É sobretudo a história que dificulta a manifestação de sentimentos para com os eventos, com a falta de um desfecho merecido e uma sucessão de curiosidades e momentos estilo novela documental, alternados com um desenvolvimento de personagens que não consegue fazer justiça à história que está a ser contada. A solução para Milagre no Rio Hudson não é, no entanto, tão linear quanto parece… A curta duração do filme leva a que se deixe para trás pedaços de história e tempo que podia ser utilizado para desenvolver um pouco mais as personagens e os respectivos estados psicológicos. Mas ao mesmo tempo, fica no ar a sensação de que, pela forma como tudo é contado, tudo podia ter sido compactado num filme de 40-45 minutos.

A contrastar com estes pequenos problemas com a história temos uma sequência visualmente espetacular de uma amaragem em pleno rio que é de cortar a respiração. Durante aqueles fatídicos 10-15 minutos, estive colado à cadeira, assombrado e focado num momento verdadeiramente intenso e aterrador que tira partido das novas câmaras IMAX Alexa para criar uma sensação de imersividade num avião sem igual. A par dos grandes efeitos visuais, há que também enaltecer o filme nos restantes aspectos técnicos, em particular a nível de som e imagem.

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Para um grande nome do cinema que já nos trouxe grandes obras e que teve sempre um certo prazer em enaltecer heróis pelos seus feitos, Milagre no Rio Hudson é uma história de heroísmo que sabe a pouco e não tira partido do potencial do milagre que teve lugar naquele dia frio de Inverno em Nova Iorque. Mas, as sequências visualmente épicas, intensas e assombrosas e as persoangens interpretadas por Tom Hanks e Aaron Eckhart dão uma imagem completamente diferente do filme. A forma como estes lidam, incrédulos, aos resultados da investigação e às reacções do público proporcionam momentos de debate e reflexão sobre a forma como vivemos estas grandes notícias. No geral, esperava-se um pouco mais do novo filme de Huston, havendo no entanto conteúdo para proporcionar ao espetador uma experiência imersiva que procura dar a conhecer o lado menos bom de uma verdadeira história de heroísmo.

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