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Crítica | Iguais (2016)

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  • De: Drake Doremus
  • Com: Kristen Stewart, Nicholas Hoult
  • 1h41min

Há algo que desperta de imediato a curiosidade no novo filme de Drake Doremus (Like Crazy)… É o lado mais Orwelliano, distópico e político de toda a trama que segura um romance e uma atração viva e perigosa. Esta não é de todo uma adaptação da obra de George Orwell, 1984, ainda que diversos rumores apontassem como certa a situação, possivelmente pelas semelhanças no argumento, mas o que o torna interessante ou pelo menos mais apetecível são as implicações políticas e a crítica social que não passa despercebida ao longo do filme. Em Iguais somos levados a conhecer uma realidade distópica em que as emoções são proibidas e vistas como uma doença e como um obstáculo da produtividade. Uma sociedade em que todos aparentam ser semelhantes e em que a natureza humana é controlada, impedindo o despertar de emoções e sensações e condenando os que se submetem aos desejos.

É nesta realidade distópica que conhecemos dois colegas de trabalho, Silas (Nicholas Hoult) e Nia (Kristen Stewart), que passam os dias a relatar e a descrever eventos históricos no seio de uma das grandes instituições do regime. Presos a uma realidade em que o despertar de emoções é visto como um ato perigoso e desmedido os dois envolvem-se numa relação intensa enquanto se descobrem e se apercebem do quão próximos estão da sua verdadeira natureza. Parte daqui uma evolução interessante de ambas as personagens com momentos de partilha e de descoberta em que as imposições do regime são constantemente desafiadas. É esta evolução na personalidade das personagens e esta crítica e desafio a uma sociedade que não se opõe e se submete a um regime que nega a natureza humana. Tanto Hoult como Stewart são desafiados e levados ao limite por duas personagens complexas que vão sendo exploradas com o decorrer da evolução de Silas que aos poucos começa a despertar de forma incontrolável as suas emoções.

Há por isso um claro potencial em Iguais e se nos deixássemos levar apenas por uma realidade que tem um fascínio peculiar, Drake Doremus teria acertado em cheio. Mas olhando com atenção para o filme como um todo, a grande fragilidade deste é o argumento que perde o aspeto mais político e distópico para dar lugar a uma história de amor incapaz de provocar ou de cativar o espetador. Stewart e Hoult acabam então como meros peões que vão com a corrente, tirando partido dos momentos mais interessantes do enredo, carregando-o com uma intensidade e um tom profundo.

Doremus procura captar e despertar a curiosidade do espetador e a verdade é que enquanto a atenção se foca na realidade distópica e no ambiente político peculiar, a ausência de emoções torna a premissa interessante e Iguais torna-se num objeto merecedor do nosso interesse mas todo este potencial vai-se esvanecendo com uma história de amor que aos poucos ocupa todo o enredo, levando com ela a envolvente intensa e de repressão. Ao justificar todo o sucesso de um regime com ciência e genética, Doremus entra num caminho que lhe é desconhecido, submetendo o enredo a exageros e a factos que retiram a misticidade e a curiosidade do filme. À primeira vista, Iguais é uma experiência diferente, sensorial e intensa que traz ao grande ecrã alguns dos aspetos mais negros da obra Orwelliana mas no final fica o desejo de ver uma crítica mais audaz e uma distopia que não é nada mais do que um acessório a uma história de amor.

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