★★★★, Críticas, Highlight Reviews, Português, Reviews
Leave a Comment

Crítica | Alaska (2015)

alaskalogo

alaskaposter

  • De: Claudio Cupellini
  • Com: Elio Germano, Astrid Bergès-Frisbey, Valerio Binasco
  • 2h5min

Não é fácil descrever o desenrolar de um romance com contornos tão peculiares como os de Alaska, uma história de amor com um humor algo negro e subtil que tira partido de situações invulgares e de um casal que vive com um enorme desejo e ambição de sucesso e felicidade presente nas suas escolhas e ações e que define o rumo irregular e atrativo de um romance que nada tinha para dar certo. Da autoria de Claudio Cupellini, Alaska transita de forma inteligente entre a desilusão e a felicidade do jovem casal enquanto os dois se encontram e desencontram num longo caminho para os seus objectivos e partilham um sentimento que tanto parece amor como do nada se torna em ódio e inveja.

É no fim de contas um conto trágico de dois jovens com grandes aspirações, Fausto e Nadine, que se cruzam no terraço de um hotel em Paris. Ela uma modelo bonita e inocente num casting difícil e ele um empregado confiante com a ambição de abrir o seu próprio negócio. Atraídos pelo luxo e por um curioso desejo, acabam envolvidos num problema sério que coloca Fausto atrás das grades. E é neste angustiante período de espera que nos damos conta da obsessão, do medo e da fragilidade de ambos, que partilham a ambição de serem felizes mas cujo tempo e obstáculos parecem fazer-lhes a vida negra. Um trocadilho de dissabores, alegrias e conquistas que procura descrever uma relação de forma trágica e apetecível fruto de uma química interessante entre as duas personagens principais.

O que há de mais fascinante na história de Cupellini é a forma como os momentos incrédulos se sobrepõem a um enredo minimamente previsível, deixando o espetador a questionar-se e a divagar por entre emoções enquanto Fausto e Nadine demonstram a sua compatibilidade e o seu afeto, com personalidades que se invertem ao longo do filme como se de autênticas sinusoides se tratassem, em que os momentos altos e de glória de um se sobrepõem a tristeza, ambição e revolta do outro. As personalidades muito curiosas de Fausto e Nadine são o ponto alto de todo o filme, enquanto ambos partilham um sentimento que parece por vezes uma obsessão insuportável de miúdos. Há um certo fascínio no desejo, na ambição e na inocência de ambos enquanto cometem erros e enquanto se envolvem num misto de alegria e sofrimento, que à primeira vista parece tóxico e sem rumo mas que depressa adquire um enorme potencial, cultivando a curiosidade numa experiência que vive de constantes provocações.

O enredo tem os seus altos e baixos mas consegue deixar o espetador na expectativa e num estado de ansiedade algo raro em romances, tornando-se numa experiência stressante na qual nos debatemos constantemente sobre as personagens, os seus objectivos, as suas acções e sobre o desfecho acertado de tudo aquilo. Alaska é uma história de amor trágica, que tira partido do exagero de alguns dos seus momentos e das relações entre personagens peculiares. Uma tragédia em que o drama e a ironia são constantes e em que as boas interpretações dos protagonistas conferem um enorme potencial quer às personagens, quer às relações entre estas, deixando de lado a previsibilidade e a alegria das típicas histórias de amor e colocando em plano de fundo duas pessoas com personalidades semelhantes que se vêm sozinhas, amarguradas e com um futuro incerto, movidas por fortes ambições e com um desejo em comum de atingir a felicidade.

É neste carácter mais trágico, invulgar e por vezes pessoal que Claudio Cupellini deixa a sua marca e o seu testemunho… Porque Alaska não é apenas um lugar, nem uma simples história de amor, é o encontro de duas pessoas frágeis e perdidas que vêm na sua união o caminho certo para atingirem os seus objectivos. Trágico, provocador e com um enorme potencial derivado das fortes personalidades das personagens principais, Alaska é uma história de amor invulgar e surpreendente que cativa pelo seu carácter mais dramático e desanimador com um exagero e uma ironia muito próprios.

stars_14

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s