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Crítica | Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça (2016)

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  • De: Zack Snyder
  • Com: Henry Cavill, Ben Affleck, Amy Adams, Gal Gadot
  • 2h33min

Depois da longa espera, o universo cinematográfico da DC Comics vê finalmente o seu pontapé de saída (o Man of Steel não devia contar) pelas mãos de um dos realizadores mais visionários da indústria e apreciador claro do uso de ecrã verde para a conceção de intensas sequências de ação, visualmente apelativas e gráficas que nos cativam, Zack Snyder. O diretor criativo, o homem por trás de um universo de heróis mais negro e complexo em que o ânimo e a fantasia são postos de lado em histórias com um tom mais sério e sombrio. Neste pontapé de saída, Snyder tinha o pão, o queijo, a manteiga e a faca inteiramente ao seu dispor com o objectivo de dar balanço, criar o ímpeto e introduzir aquelas que serão as personagens da Liga da Justiça. A dificuldade aqui prende-se com o facto de, por um lado, o universo cinematográfico da Marvel tornou-se na referência para todos os projetos que envolvam super-heróis e, por outro, pelo desenvolvimento mais acelerado e menos detalhado, necessário para compensar os anos de ouro da DC Films em que Christopher Nolan fez as delícias de todos os fãs com a trilogia do Cavaleiro das Trevas.

A verdade é que Man of Steel foi um começo algo conturbado, mais pessimista e sombrio do que o habitual e deixou quase que à deriva as esperanças de um Universo em que os super-heróis da DC coexistissem. Snyder focou-se em mil e uma sequências visualmente empolgantes e recheadas de ação e de efeitos especiais mas deixou de lado a história que se tornou repetitiva, cansativa e lá está com um tom algo sombrio. E é neste ambiente de desconfiança que as cartas são finalmente lançadas e somos apresentados a uma nova equipa de heróis, liderada por Henry Cavill que veste mais uma vez a capa do herói visto como um autêntico deus e por Ben Affleck, o novo Cavaleiro das Trevas, que se viu no centro das atenções fruto de uma interpretação algo duvidosa na adaptação cinematográfica de Demolidor. A estes dois junta-se Gal Gadot, a Mulher Maravilha que traz um ar mais feminino à equipa, Amy Adams como a apaixonada Lois Lane e ainda Jesse Eisenberg na pele do magnata Lex Luthor que se prepara para assolar o medo numa cidade perdida e descontrolada.

É com este elenco de luxo, com ainda mais algumas adições pelo meio, que Snyder nos apresenta a sua visão negra e sombria de uma cidade fustigada pelo medo, pela desconfiança e que assiste de forma incrédula aos feitos de um herói que em vez de os deixar seguros, se tornou no principal motivo de insegurança. Clark Kent vê se assim no meio de uma verdadeira encruzilhada sem saber que próximo passo dar para proteger um planeta que sempre considerou como a sua casa. Mas no meio de todo o caos, Bruce Wayne procura por pistas que o conduzam a uma forma de travar a superioridade de Kent, na medida em que as ações deste podem por em risco a segurança não só da cidade em que nasceu mas de todo o mundo. É nesta corrida contra o tempo e contra uma série de obstáculos inevitáveis que os dois se deparam e se cruzam com um magnata com um ego algo peculiar, Lex Luthor que promete a solução para a segurança mundial enquanto oculta os seus verdadeiros planos que colocam frente a frente os dois justiceiros imbatíveis: de um lado o morcego, o Cavaleiro das Trevas e o justiceiro mascarado que protege uma Gotham corrupta dos criminosos que ali vagueiam e do outro o herói que veio de outro mundo e que coloca a humanidade e a proteção desta à frente de todos os seus interesses, um Deus aos olhos de muitos que vê o seu poder e razão confrontados por uma justiça cega e infeliz.

Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça é assim mais do que um duelo entre dois autênticos gladiadores, dando foco às questões sociais e morais que se levantaram após os incidentes trágicos de Man of Steel e criando ímpeto para os próximos títulos do universo da DC. A história é sem sombra de dúvidas mais completa, interessante e igualmente ou ainda mais sombria quando comparada com o antecessor mas tira partido de uma campanha de marketing que se gerou à volta de Ben Affleck e de Gal Gadot. Batman torna-se o derradeiro centro das atenções com uma história que procura ir das origens aos motivos que o levaram a defrontar os ideais de Clark Kent e se haviam dúvidas de que Affleck era incapaz de estar a altura de Bale no universo de Nolan, a verdade é fiquei rendido ao vê-lo na pele do justiceiro mascarado de morcego, ao dar um ar mais pesado, refletido e negro a toda a personagem. Affleck é assim um dos destaques deste derradeiro desfile de heróis com uma interpretação agradável e que faz justiça à personagem e ao nome. Gadot vê-se igualmente em destaque, ainda que por menos tempo, arrasando quando surge no ecrã a demonstrar a sua força sobre-humana.

Mas se no lado dos bons da fita temos estes dois destaques, no lado oposto, Jesse Eisenberg dá a Lex Luthor um ar muito particular que por vezes aparenta ser bastante pessoal e próximo das interpretações típicas em que o vemos. Um vilão não tão negro quanto o tom da história e com umas interessantes oscilações de humor que o tornam numa personagem algo mais complexa e interessante. Contudo, é neste juízo mais centrado nas interpretações que surge uma das grandes dificuldades da história de Snyder. Há tanta mas tanta coisa a acontecer que se torna impossível focar-nos e estarmos atentos de início ao fim… Heróis a surgirem, referências a próximos filmes, novas personagens, contestação social e o desenvolvimento das personagens numa história que possivelmente teria conteúdo para mais um filme. E é aqui que se assenta um dos calcanhares de Aquiles do universo da DC, um desenvolvimento mais célere, sem build-up e sem ímpeto pode custar caro no futuro, com um plano de filmes recheado de títulos que estão dependentes de um bom desenrolar de toda a trama. Ainda que tenha sido uma clara melhoria em comparação a Man of Steel, há ainda aspetos a melhorar, sobretudo a nível de história e de conteúdo, porque em relação ao ambiente mais obscuro e sombrio, Snyder acertou em cheio.

Mas para lá de uma história que se queria mais rica e não tão recheada de eventos abruptos, há que destacar uma série de sequências vibrantes, visualmente apelativas e empolgantes de efeitos visuais intensos que se desenrolam ao longo de batalhas coreografadas de forma artística, como se de um autêntico livro de banda-desenhada se tratasse. E ao juntar uma banda sonora épica e poderosa que faz vibrar não só as cadeiras mas toda a plateia, repleta de temas da autoria de dois dos mais reconhecidos compositores dos últimos tempos, Junkie XL e Hans Zimmer, Snyder apresenta-nos um espetáculo que para ser verdadeiramente apreciado deve ser visto no maior ecrã possível.

Para os que aguardam com expectativa todo o desenrolar desta batalha, o melhor será mesmo assistir de pé atrás, até porque tal como Man of Steel, existe a probabilidade de Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça ser um filme para fãs e não para um público mais geral. Longe de ser a batalha épica que devia ter sido, o filme perde o potencial com a confusão de conteúdos a surgirem de todas as direções numa introdução apressada a um universo ainda em crescimento. Contudo a emoção e a intensidade de todo este gigantesco confronto permanecem os maiores aliados do universo mais sombrio e negro que Snyder tem vindo a desenvolver, mesmo com todas as dificuldades impostas por calendários cada vez mais recheados de super-heróis. Os dados foram lançados e os resultados começam a chegar… Da minha parte Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça funcionou, não de forma unilateral e confiante, com alguns altos e baixos, revelando muitos dos prós de todo este universo de super-heróis mas também algumas das dificuldades mais evidentes.

stars_12

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4 Comments

  1. Exatamente o que estava à espera. Bem, no que toca ao Snyder vou sempre à procura do espetáculo visual. Isso pelo menos parece haver às resmas 🙂

    • Se fores pelo espetáculo visual sais satisfeito com toda a certeza, o homem nisso safa-se sempre! Mas vá parece que a DC tem pernas para andar. 🙂

  2. Começo a encontrar um pequenito padrão nas críticas que têm saído em relação ao filme.
    Ainda assim, a tua pareceu-me bastante positiva para o que inicialmente se pensava, e aparentemente comprova-se os rumores que ouvi há uns tempos – e que era um dos meus maiores receios – de que Ben Affleck não faria justiça ao papel, mas pelo que leio ele tem contrariado essas expectativas. Acho que estou mais curiosa pelo desempenho dele, do que propriamente pela história, que já percebi que sofre de alguns “gaps” aqui e ali… 😉 Boa review!

    • O que tenho visto é que é sobretudo um filme para apreciadores de comics e não tanto para o público em geral. Tens os excessos visuais e espetaculares do Snyder por um lado e por outro tens as surpresas com Affleck e Gadot a mostrarem que têm o que é preciso para continuarem no universo da DC. O maior problema para mim é mesmo o excesso de conteúdos… É tudo non-stop durante 2h33min e acabas por sentir que foi demasiado, mesmo com os seus bons momentos. Keep the hype low and you’ll end up enjoying it! 😛

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